Golpe do imperialismo: EUA exigem que Nicarágua antecipe as eleições

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Da redação – Mais um golpe ameaça a América Latina, desta vez em Nicarágua. Já faz alguns meses que uma série de protestos, altamente violentos, estimulados pelo imperialismo contra o ex-dirigente revolucionário sandinista, Daniel Ortega, assombram o país. Supostamente, os protestos são contra a Reforma da Previdência que o Fundo Monetário Internacional (FMI), o maior representante do imperialismo, impôs ao país.

Isto é, trata-se de uma jogada dupla do imperialismo, ao mesmo tempo em que pressiona o governo a adotar medidas impopulares, financia grupos golpistas para enfraquecer o governo, e desta forma levar adiante um governo ainda mais impopular. Para o imperialismo, apenas a reforma previdenciária que Ortega acabou aceitando não é o suficiente, da mesma maneira que não o era o ajuste fiscal de Dilma, que sofreu um duro golpe.

O que o imperialismo quer é uma verdadeira política de terra arrasada. E governos nacionalistas como o de Ortega são um empecilho para o desenvolvimento disso. Por isso, é preciso derrubá-lo, ainda mais por ser em um país que até os anos 70 era um quintal-colônia dos Estados Unidos.

E todo esse ataque desestabiliza o governo para, então, colocarem em campo a “cartada” conhecida da campanha pela antecipação das eleições. Fazendo campanha internacional contra o governo de Ortega, o imperialismo levantou a bandeira “contra a repressão” às manifestações e exigiu imediatamente que Ortega chame novas eleições, antes do fim de seu mandato.

Trata-se de uma política tradicional dos EUA para o país. Nos anos 80, durante uma profunda crise gerada pelo imperialismo, através de seus órgãos de espionagem, como a CIA, financiaram até mesmo o narco-tráfico para atacar o governo sandinista revolucionário e o país entrou numa profunda onda de violência. Isso falando apenas de 80 até hoje, pois se falarmos da história do século passado, temos que somar aos golpes dos Estados Unidos desde 1912, a ditadura de 45 anos do pai e filho Somoza, agora pressionaram Ortega a chamar eleições e retirar os últimos representantes revolucionários sandinistas do governo.

Mais uma vez, diante da popularidade dos sandinistas no país, voltaram ao poder, desta vez não por meio da revolução, mas da democracia burguesa, e ainda assim os Estados Unidos utilizam a mesma e velha tática para derrubar o governo. Resta a ver se Ortega vai resistir ou se curvar às demandas do imperialismo.