Economia destruída no Brasil
O Brasil não se recuperará na próxima década da destruição que sofreu
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Vista geral das obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), paralisado em consequência de investigações da Lava Jato. Foto: Petrobras
Vista das obras paralisadas do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Foto:Petrobras |

O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) que o crescimento médio do PIB nesta segunda década do século ficará próxima de zero, considerando uma queda de 5,4% neste ano, a maior retração da história do Brasil. Essa situação, segundo Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Ibre/FGV, “poderá levar a próxima década, que se inicia em 2021, a registrar desempenho econômico pífio também” (Exame, 20/5/2020).

O que está se demonstrando com essas informações é que a retração provocada pela pandemia do novo coronavírus potencializa uma situação que já se manifestava antes e que a queda de agora vai durar muitos anos para ser vencida.

Na verdade, há uma situação conjuntural ligada à paralisação momentânea das atividades produtivas, o que provoca uma forte queda na renda de milhões de trabalhadores e que está ampliando muito o desemprego. E há uma situação que vem de muitos anos, provocada pela conjunção da crise capitalista mundial com a ação do imperialismo sobre a economia brasileira.

Pelo menos desde que se consumou o golpe de 2016, a economia brasileira vem sofrendo um forte processo de desnacionalização, com várias empresas sendo vendidas para capitais estrangeiros. A desnacionalização tem sido acompanhada pelo fechamento de unidades dessas empresas no país, provocando desemprego e também a perda de mercados e de capacidade produtiva. Um exemplo é o que ocorreu com a Embraer e está ocorrendo com a Petrobras.

Esse movimento de ataque do imperialismo sobre o capital nacional, de fato, começou bem antes. Um dos eixos centrais das ações judiciais iniciadas em 2005 contra os governos da coalisão coordenada pelo PT foi expor e enfraquecer as empresas nacionais, especialmente as grandes empreiteiras. O que o imperialismo buscava era, em um só golpe, desmontar estruturas altamente competitivas de empresas brasileiras pouco internacionalizadas, que foram se formando ao longo das últimas quatro décadas, e tomar conta de um mercado mundial que estava sendo ameaçado por essas mesmas empresas que se expandiam com os créditos do BNDES e dos BRICS.

Um exemplo disso foi que em 1 de agosto de 2019, os governos do Brasil e dos Estados Unidos “assinaram um memorando, para entregar bilionárias obras de infraestrutura do país a construtoras estadunidenses. O acordo foi possível porque a Lava Jato destruiu as empreiteiras brasileiras, que chegaram a ser as mais avançadas e competitivas do mundo, o que é comprovado pelas frequentes vitórias em concorrências internacionais. A proposta abre as portas do Brasil para empresas como a Halliburton e suas subsidiárias, consideradas as mais corruptas do planeta” (GGN, 3/8/2019).

A crise das empreiteiras e da Petrobras colocou milhares de engenheiros no desemprego, fechou centenas de pequenas e médias empresas que dependiam dos serviços contratados pelas grandes empresas, e fez com que o Brasil perdesse mercado e expertise em áreas sensíveis de tecnologias construtivas, de soluções no setor de gás e petróleo e em outras áreas como na construção naval e engenharia bélica.

O parque industrial brasileiro sofreu um baque quase comparável a deu um país que perdeu uma guerra. E na verdade isso ocorreu mesmo, sem que um tiro fosse disparado pelo imperialismo. Walfrido Warde, presidente do Instituto para a Reforma das Relações entre Estado e Empresa, escreveu em 2019 que “a Lava Jato se tornara, já em 2015, uma força de destruição do capitalismo nacional. O tipo de combate puramente repressivo à corrupção, que dela se projetou, ameaçava destruir algumas das principais empresas brasileiras e, com elas, o mercado nacional de infraestrutura, à época a espinha dorsal da nossa economia” (Último Segundo – iG, 17/7/2019).

A facilidade com que os Estados Unidos conseguiram protagonizar esse processo de destruição da economia brasileira deveu-se a ter o imperialismo muitos aliados e servidores no país. O imperialismo não encontrou dificuldade alguma em montar uma rede de juízes e procuradores que fizessem o serviço sujo. Já tinha a grande imprensa ao seu lado, que, assim como fez ao longo de décadas desde 1954, martelou uma narrativa ideológica que se transformou em realidade na mente dos brasileiros, de quase todos. E contou com a ajuda de um governo de coalisão com a direita que se fragilizou pela inexperiência e pela conivência.

Os ataques do imperialismo contra a economia brasileira são sentidos agora por todos os lados da sociedade na crise da pandemia do coronavírus. Desemprego em massa, renda decaindo, uma grande parcela do mercado de trabalho no subemprego e com empregos desqualificados e sem direitos sociais, sistema de saúde fragilizado e pequena capacidade de retomada econômica no pós pandemia.

É isso que a Fundação Getúlio Vargas admite quando fala que a próxima década será de uma recuperação lenta e quase inexistente. Quem vai pagar essa conta são os trabalhadores e os mais pobres.

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