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Desigualdade
Golpe da direita golpista está aumentando a desigualdade regional
Política do golpe não poupou ninguém. Enquanto outras regiões ficaram 3% mais desiguais, Nordeste disparou em desigualdade mais 5%. Seu índice Gini atingiu o pico de 0,684
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Desigualdade
Golpe da direita golpista está aumentando a desigualdade regional
Política do golpe não poupou ninguém. Enquanto outras regiões ficaram 3% mais desiguais, Nordeste disparou em desigualdade mais 5%. Seu índice Gini atingiu o pico de 0,684
Quadro da extrema pobreza no Brasil: Agência Brasil
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Quadro da extrema pobreza no Brasil: Agência Brasil

Crise deflagrada pelo golpe não poupou nenhuma região do Brasil

As políticas públicas de redução da desigualdade, anteriores ao golpe, foram abandonadas, e as consequências não tardaram a aparecer.

Um estudo de pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que a distância entre as regiões brasileiras aumentou nos últimos cinco anos: enquanto a desigualdade da renda do trabalho cresceu quase 5% no Nordeste e no Norte, tradicionalmente as regiões mais pobres. Nas regiões sul e sudeste, o crescimento da desigualdade também cresceu. Mas cresceu menos. A desigualdade dessas regiões cresceu na casa dos 3%, pelo coeficiente de Gini.

O índice Gini mede o grau de concentração de renda em um grupo de pessoas. Aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e mais ricos. O índice varia de 0 a 1. Quanto maior o número próximo de 1, maior a desigualdade.

Nordeste é a região campeã de desigualdade

O economista Daniel Duque, um dos responsáveis pelo estudo, aponta que, dos cinco Estados que ficaram mais desiguais nos últimos cinco anos, todos são nordestinos. Dos cinco estados mais desiguais, particularmente cruel a desigualdade aumentada nos estados da Paraíba, do Maranhão e de Alagoas.

A volta do crescimento da desigualdade é reflexo direto da falta de trabalho formal, que afetou a renda das famílias, e também do abandono das políticas sociais, como o bolsa família.

Nos últimos cinco anos, só 2 dos 27 Estados brasileiros, mais o Distrito Federal, não ficaram mais desiguais. Sergipe e Pernambuco, já tinham índices elevados de desigualdade.

A região Nordeste é a campeã em desigualdade, 0,684. A mesma que recentemente Bolsonaro, flagrado em inconfidência vaticinou, “não dar nada para esses governos de Paraíba”.

Em segundo lugar, é a região Norte, cujo índice de desigualdade também aumentou em 5%, seu índice Gini é 0,624.

Mesmo as demais regiões, desde o golpe, também tornaram-se mais desiguais, índices de desigualdade são de 0,596 no Sudeste; 0,559 Centro Oeste, e 0,554 na região sul.

Como se vê a crise deflagrada pelo golpe de Estado não poupou nenhuma região do Brasil. Deixou ricos mais ricos, pobres mais pobres. Segundo índices do IBGE, a parte mais rica dos brasileiros se distancia cada vez mais da parcela mais pobre.

No começo deste ano, a renda da metade mais pobre caiu cerca de 18%. Em sentido contrário, brasileiros que fazem parte do 1% mais rico tiveram quase 10% de alta no poder de compra.

Brasil antes do golpe

A desigualdade vinha diminuindo. A maior parte dos economistas estava convencida que esse cenário iria continuar, e, a desigualdade cairia continuamente. Era 2014. Informes são de Douglas Gavras, 26/12/2019, Estado de S.Paulo.

As políticas de combate à desigualdade, na valorização contínua do salário mínimo – reajustes conforme a inflação e ainda metade do crescimento da Economia dos últimos dois anos – e ainda o Bolsa Família, para combate à pobreza extrema, eram implantadas pelos governos do PT.

Além disso, programas de obras públicas eram colocados em prática pelo Brasil todo, tais como a Refinaria Abreu de Lima em Pernambuco, indústria naval, plataformas para extração de petróleo, linhas de metrô.

Obras essas que proporcionavam o “aquecimento do mercado de trabalho, com formalização e demanda por trabalhadores menos qualificados, que são a maioria dos brasileiros”.

Isso “fez com que esses índices, os índices de desigualdade, caíssem”, constata o pesquisador Pedro Herculano de Souza, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Embora o Brasil tenha um longo histórico de desigualdade de renda, essa desigualdade continuaria a cair continuamente, diz o superintendente do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques. “O sinal de alerta veio quando essa tendência foi revertida.”

Para reverter esse quadro, Henriques lembra que é preciso ter uma agenda de recuperação econômica, que enfrente a questão do desemprego.

“O Brasil precisa retomar a tendência de construir políticas sociais, pegar os instrumentos que já existem. Ícone disso é o Bolsa Família.”

A maioria dos economistas citou o programa para famílias de baixa renda como exemplo de política social bem-sucedida voltada para a extrema pobreza.

Investimentos em programas sociais e geração de empregos.

“E, no longo prazo, não há como substituir o investimento em educação”

Como se vê, nenhuma das recomendações, Temer e agora Bolsonaro, têm colocado em prática.

Desigualdade só cresce.

As políticas públicas de redução da desigualdade, anteriores ao golpe foram abandonadas, e as consequências não tardaram a aparecer.