Globo dá a linha para a esquerda, também sobre o desarmamento
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Globo dá a linha para a esquerda, também sobre o desarmamento
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O jornal O Globo, publicou no dia 30 de maio uma matéria de opinião sobre o porte de armas. O editorial intitulado “No país das chacinas, ampliar acesso a armas é um contrassenso”, mostra de onde a esquerda pequeno-burguesa busca seus argumentos contra o armamento geral da população: do principal órgão de propaganda da burguesia golpista.

A matéria começa relatando a chacina ocorrida em São Gonçalo no último domingo (26), na qual quatro pessoas morreram e 11 foram baleadas. A suspeita é de que seria uma briga entre traficantes e a milícia. Mais dois exemplos foram usados: 19 de maio, em Belém no Pará, 11 mortos, onde três dos seis suspeitos apreendidos eram cabos da polícia militar e  18 de maio, com 6 mortos, em Lauro Freitas, região metropolitana de Salvador.

A imprensa usa esses exemplos para fazer campanha contra o decreto de Jair Bolsonaro, que pretende flexibilizar o porte e a posse de armas. Um dos grandiosos argumento foi o de que “é certo que eles [os atentados] foram praticados com armas de fogo, legalizadas ou não. E são um reflexo incontestável do arsenal em circulação”.

A ideia de que maior flexibilidade na aquisição de armas de fogo favorece a criminalidade e “criam ambientes propícios a crimes como os de São Gonçalo, Belém e Lauro de Freitas”, é uma ideia contraditória. Basta pegarmos os exemplos usados pelo Globo. Em dois dos ocorridos, temos o envolvimento confirmado da polícia, ou seja, do aparato repressivo do Estado, no crime. Em Lauro Freitas, três cabos da PM estavam envolvidos, e em São Gonçalo quem organizou a matança foi a milícia, também com públicas e notórias ligações com o aparato repressivo estatal, pois como todos sabem, a milícia, é composta por quadros das forças repressivas da burguesia, policiais, militares etc., e agem como um braço clandestino dessas organizações. Ou seja, um grupo organizado e monitorado pelo Estado e que detém os meios da violência, e no caso do Brasil, onde o porte de armas é proibido para a imensa maioria da população, detém o monopólio das armas.

As organizações criminosas do Brasil, têm todas, em diferentes graus, um envolvimento com a polícia para conseguir seu arsenal. Sendo assim, mesmo sem o armamento, o Estado burguês provem para os setores mais reacionários da população as ferramentas para perpetuar o domínio da força sobre os outros setores.

Se lembrarmos do acontecimento em Suzano, onde estudantes, simpatizantes do nazismo, entraram em uma escola municipal e mataram um grande número de alunos e funcionários, lembraremos também a campanha que a esquerda pequeno burguesa fez junto com a burguesia contra o armamento da população, usando como argumento de que  chacinas como essa seriam mais recorrentes se o porte fosse legalizada.

Essas alegações não fazem muito sentido. O Brasil é um dos países com mais homicídios por armas de fogo, mas não por porte legal ou não das aramas, mas pelo fato de é um dos países mais desiguais do mundo, ou seja, que possui um dos níveis mais elevados de exploração capitalista.

O direito ao armamento é um direito democrático que deveria ser universal. A burguesia através do Estado detém o monopólio sobre as armas e com isso consegue perseguir os trabalhadores e a esquerda. A intervenção militar mostrou como funciona esse mecanismo, o Exército entra nas comunidades e faz um verdadeiro massacre contra a população trabalhadora sem que esses possam se defender. Os casos de estupros, roubos e homicídios cometidos pelas forças de repressão são exemplos bem claros disso. Quando os trabalhadores estão armados e organizados, a polícia e o exercito não tem tanta tranquilidade em agir com truculência.

Em épocas de crise o desarmamento da população permitiu o avanço do fascismo. A esquerda desorganizada e desarmada não conseguiu lutar contra a extrema-direita organizada e equipada pela burguesia pois, como agora, reverberava os argumentos dos editoriais dos grandes jornais da burguesia e não revidava nem reivindicava pelo direito de se armar.

O agentes da burguesia têm o encobrimento da justiça e as armas, a esquerda deve adquirir o apoio das massas armadas e mobilizadas para derrotar a ofensiva da direita e a exploração capitalista.