Perseguição política
Jornalista explica a censura que sofreu e denúncia o caráter reacionário de Joel Biden e do partido democrata
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O jornalista norte-americano, Glenn Greenwald | Foto: Reprodução

O jornalista norte-americano Glenn Greenwald concedeu uma entrevista a TV 247 em que explicou sua saída do site The Intercept, do qual foi um dos criadores. Greenwald foi censurado no site ao tentar publicar uma denúncia que atingia o candidato Democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden.

O The Intercept se recusou a publicar na íntegra a matéria e procurou impedir que fosse publicada em outros veículos. Assim como Wall Street, a CIA e os monopólios de comunicação norte-americanos, o site apoia a candidatura de Biden contra Trump, esse foi o motivo da censura. “Praticamente todos os editores do Intercept, assim como toda a mídia hegemônica, apoia a candidatura democrata”, afirmou o jornalista.

Glenn Greenwald, um liberal do ponto de vista político, ou seja, um democrata, diante da censura, deixou o site. O fato causou certa comoção na esquerda, inclusive brasileira, uma vez que o jornalista mora em nosso País.

O sentimento gerado na esquerda nacional foi expresso na entrevista, conduzida por Leonardo Attuch e Tereza Cruvinel, com a proposição de que a liberdade de expressão deve-se ser relativizada diante de suas possíveis consequências negativas, como fake news, discurso de ódio, etc., e mais especificamente, que o ataque a Biden, mesmo sendo verdadeiro, durante a eleição e toda a polêmica que causou a denúncia de Greenwald em relação a sua censura, favorece eleição de Trump, o que para a esquerda que apoia Biden é a pior coisa que pode acontecer.

A questão foi colocada do ponto de vista democrático. O jornalista assinalou que dar o poder para um juiz, um tribunal, uma empresa, uma instituição, para decidir o que pode e o que não pode ser dito; o que é ou não verdadeiro, com a ideia de que esses irão agir em nome do bem é uma política que se volta sempre contra a esquerda e a população pobre. Citou o caso Mariele Franco, destacando que uma desembargadora publicou em suas redes sociais notícias falsas sobre a vereadora assassinada e do Facebook, que apaga sistematicamente as paginas, grupos de denúncia que os os palestinos realizam na rede social, ou seja, aqueles que deveriam garantir a verdade usam seu poder de acordo com seus interesses.

Assim se expressa o jornalista:

“… ninguém gosta de fake news, de discurso de ódio, mas o problema é se você dá o poder de censura para um juiz, para uma instituição, um governo, um presidente, uma empresa grande acreditando que eles vão censurar como você quiser, acho que isso é uma ilusão, quem vai ser a vítima não é a direita ou os poderosos, vai ser a esquerda, os marginalizados, sempre são as pessoas, isso são os alvos da censura… isso é meu problema, um poder enorme que sempre é abusado”.

Embora o jornalista não tenha uma análise mais profunda da sociedade de classes, de que o Estado burguês é um órgão de dominação de classe, nesse sentido todo o poder e a ação do Estado é para manter e aumentar a dominação da burguesia contra o proletariado, e não uma órgão a parte das classes, pairando acima delas e a regulando de acordo com o justo, como acreditam muitos, a posição expressa o princípio democrático da liberdade de opinião, de que o indivíduo não poder ser perseguido pelo poder simplesmente por manifestar sua opinião, seja ela qual for, e menos ainda por denunciar, de maneira documentada, a corrupção dos poderosos.

A esquerda, no entanto, para defender sua política, fruto do desespero e da miopia política, sacrifica todos os princípios democráticos e a liberdades individuais, direitos que protegem minimamente os indivíduos contra o Estado. Assim o medo de Trump os levou a Biden, para apoiar esse é, porém,  preciso engolir a política imperialista que vem junto, é preciso também passar por cima dos direitos democráticos, como o de criticar Biden.

No desenrolar da entrevista, entre outras coisas, foi questionado ao jornalista, se sua matéria e os rumos tomados após a censura, não favoreciam Trump. Implicitamente, estava colocado se não agiu o jornalista conscientemente contra Biden. Greenwalt afirmou-se como uma elemento de esquerda, democrata, que não tem nenhum acordo com Trump, ao contrário é contra. Cita a vaza-jato, série de matérias do The Intercept Brasil que denuncia com documentação a farsa da operação lava-jato, e que os bolsonaristas e a direita o acusaram de não levar em consideração as consequências para a luta contra a corrupção destas denúncias.

Mas o problema não é esse, e afirma:

“Eu tinha na minha mão informações bem importantes sobre o comportamento dos poderosos que o público tinha o direito de saber, para mim como jornalista é o fim do debate”, “… o trabalho dos jornalistas é para publicar independente de quem está ajudando, quem está prejudicando”.

Logicamente, trata-se de uma concepção idealista, não existindo no mundo real, mas é uma expressão da concepção democrática. Segundo o entrevistado: “se nós acreditamos em democracia é muito importante que os jornalistas não tenham lado, eu tenho lado, eu apoiei Bernie Sanders, mas se me dessem informações que incriminam Bernie Sanders eu publicaria, por que meu trabalho, que escolhi, é para ser adversários dos poderosos, que é muito mais importante para a democracia que minhas preferências”.

O jornalista ainda falou sobre o partido Democrata e Joe Biden de maneira bastante coerente:

“… quase todas as facções poderosas estão unidas atrás de Joe Biden, não por que eles amem Joel Biden, mas porque estão odiando Trump”, … todo mundo pode ver quem é em Trump, ele é uma pessoa horrível”, “nada vai mudar com Joe Biden exceto essa percepção, essa imagem e além disso o Joe Biden provavelmente vai poder fazer muito mais coisas ruins do que Trump conseguiu fazer”.

Ele ainda colocou o caráter do partido democrata:

“Trump fala, o partido democrata faz”, “o partido democrata não é um partido de esquerda, não é uma partido esquerdista, é uma partido de Wall Street”, “… é um partido da CIA e por causa disso estão sempre apoiando essas facções” “…a diferença é a imagem e não a realidade”

São colocações bastante contundentes, com as quais estamos de acordo.

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