Ciro Gomes, direitista
O papel de Ciro Gomes no cenário político é claro: o seu trabalho é enganar as esquerdas e roubar os seus votos.
ciro gomes e tarso geraissati foto arquivo jornal o povo
Ciro Gomes e Tasso Jereissati, oligarcas cearenses | Foto: arquivo do jornal O Povo

Em entrevista, nesta semana, para o Blog do Esmael, a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann acusou Ciro Gomes de “mau caráter” e disse que não irá mais responder à acusações do pedetista.

Segundo Hoffmann “Ciro Gomes só tem espaço na Globo porque ataca o PT. Ele vai morrer com o próprio veneno”.

As declarações de Gleisi Hoffmann vieram a público após os últimos ataques de Ciro Gomes ao PT. Um deles aconteceu no último dia 16 de julho em uma entrevista que o pedetista concedeu ao jornalista Guilherme Amado da revista Época. Nessa entrevista Ciro Gomes mais uma vez atacou Lula dizendo que o petista “havia se corrompido” e acusou o PT de montar “um gabinete do ódio com dinheiro roubado”.

Depois disso Gomes voltou ao ataque e lançou outra série de insultos ao PT e ao presidente Lula em entrevista ao jornalista Guga Noblat. Desta feita o oligarca cearense comparou Lula a Bolsonaro: “Bolsonaro pode fazer o que quiser, chamar Jesus de palavrão, bater na mãe, andar pelado na rua e será apoiado. Lula está na mesma categoria. Faz as maiores loucuras, diz as maiores aberrações e pratica toda sorte de contradição”.

Qual o papel de Ciro Gomes?

As declarações aberrantes de Ciro Gomes deixam bem claro que seu papel no cenário político é o de atacar Lula e o PT para enganar os incautos com uma postura supostamente “esquerdista” e roubar os seus votos. Este é o papel que Gomes tem exercido em todas as últimas três eleições a que concorreu para a presidência da República.

Na eleição de 2018 Ciro Gomes cumpriu esse roteiro seguindo as ordens que recebeu da burguesia. O judiciário já havia cumprido uma parte importante do golpe que era impedir que Lula fosse o candidato do PT para a presidência da República. Com a capitulação do partido, trocando a candidatura de Lula por Haddad, o caminho para o golpe estava livre. Tirar Lula da disputa era essencial porque ele ganharia as eleições com folga e sem contestações.

Só faltava mesmo minar a candidatura de Haddad para que Bolsonaro estivesse livre para vencer a eleição. Foi para isso que Ciro Gomes se apresentou como o mais indicado para ser o representante das esquerdas no segundo turno.

Ciro teve 10% dos votos e no segundo turno sumiu, indo passar suas férias em Paris, sem dar o seu apoio a Haddad. Cumpriu seu papel e facilitou a fraude eleitoral aplicada pela burguesia.

O interessante é que nesta semana também tivemos o ressurgimento de outra figura nefasta, Delfim Netto, ministro da Fazenda das ditaduras militares, que declarou que o “PT traiu Ciro, que teria ganho a eleição”, se referindo a um suposto acordo que Haddad teria feito de colocar Ciro na cabeça da chapa da esquerda. É mais um personagem que aparece para tentar corroborar uma tese ridícula de que se as esquerdas tivessem apoiado Ciro Gomes a eleição de Bolsonaro não teria se concretizado.

Oligarquia cearense

Ciro Gomes é um legítimo representante da direita brasileira, um político calejado que consegue enganar muito leigos com um discurso aparentemente progressista. O que muitos tendem a ignorar é que Ciro é um oligarca, de uma família tradicional do Ceará que controla a política de seu estado com mão de ferro.

Ciro Gomes e seu irmão Cid são os principais representantes da oligarquia Ferreira Gomes que há décadas controla o Ceará. A história da família se confunde com a da cidade de Sobral desde o final do século XIX onde Vicente Cesar Ferreira Gomes se tornou o primeiro prefeito da cidade. Daí para a frente os seus descendentes ampliaram sua influência para todo o estado.

Mesmo o governador petista do Ceará, Camilo Santana, é um de subordinados de Ciro, um apoiador ferrenho da ideia da frente ampla, que é uma aliança de forças da esquerda com a direita, mas cujo único propósito real é isolar a ala mais à esquerda do PT, ou seja, a ala do presidente Lula, o chamado lulopetismo. Não nos esqueçamos que Camilo Santana chegou a ser elogiado por Bolsonaro referindo-se a uma suposta queda na taxa de homicídios no estado.

Ciro, funcionário de Steinbruch

Na eleição de 2018 o desejo de Ciro Gomes era ter o empresário Benjamin Steinbruch como vice em sua chapa, mas este acabou sendo trocado por Kátia Abreu.

Steinbruch era o vice presidente da FIESP, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, uma das principais responsáveis pelo golpe de estado no Brasil. Sua indicação para a chapa de Ciro provavelmente deva ter sido barrada para não expor a aparência esquerdista do pedetista. Foi trocado por Kátia Abreu, outra direitista, latifundiária, mas que tinha no currículo um cargo de ministra no governo de Dilma Rousseff, uma aparência mais à esquerda, mas igualmente reacionária.

Ciro Gomes foi diretor da CSN, a Companhia Siderúrgica Nacional e presidente da Transnordestina Logística, uma subsidiária da CSN até maio de 2016. Ou seja, Ciro Gomes era um funcionário de Benjamin Steinbruch. Ambos já se conheciam há mais de 30 anos e sempre defenderam as mesmas políticas.

Por todas as razões acima só podemos dar razão a Gleisi Hoffmann em rebater e ignorar os ataques de Ciro Gomes, pois desta forma a petista ajuda a expor o verdadeiro papel que este cumpre no debate político atual.

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