Liberdade ameaçada
Giordano Bruno desafiou os dogmas da Igreja Católica, fez críticas políticas e sínteses de diferentes correntes espiritualistas, pagãs, filosóficas e religiosas da época.
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Giordano Bruno, morto pela Inquisição e intolerância da Igreja Católica. | Foto: Reprodução
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Giordano Bruno, morto pela Inquisição e intolerância da Igreja Católica. | Foto: Reprodução

Há 421 anos morria Giordano Bruno, em Campo de Fiori, em Roma. Nascido em 1548, em Nola, no Reino de Nápoles, filho do militar Giovanni Bruno e de Fraulissa Savolino, Giordano Bruno foi teólogo, filósofo, escritor, matemático, poeta e ocultista. Dominicano aos 15 anos de idade, quando entrou na Ordem mudou seu nome de batismo, Fillipo, e adotou o de Giordano. Por defender suas posições que iam de encontro às da Igreja Católica, instituição que dominava o pensamento na Europa, Giordano Bruno, também conhecido como Bruno de Nola, fora acusado de heresia e condenado à morte na fogueira da Inquisição.

Mente brilhante, Giordano Bruno desafiou os dogmas da Igreja Católica, fez críticas políticas e sínteses de diferentes correntes espiritualistas, pagãs, filosóficas e religiosas da época, colaborando com o avanço do conhecimento. Suas ideias e estudos foram no sentido de ampliar o modelo Copernicano, o qual não considerava a Terra em posição central; propôs que as estrelas fossem sóis cercados por seus próprios planetas e com possibilidade de desenvolver vida, ideia que ficou conhecida como pluralismo cósmico. Influenciado pela astrologia árabe, pelo neoplatonismo e hermetismo, Bruno estudou a arte da memória, defendeu ainda a infinitude do universo, que para ele também não tinha um centro e, contra os dogmas da Igreja Católica, contestou as ideias de condenação eterna, da divindade de Cristo, da virgindade de Maria, da Trindade e da transubstanciação(mudança do pão e vinho em corpo e sangue de Cristo). Giordano defendeu ainda a ideia de transmigração da alma (possibilidade da alma se reencarnar também em animais ou vegetais). Giordano fez sucessivas viagens para França, Suíça e Inglaterra, conseguindo, antes do julgamento, publicar várias obras, como, dentre outras, De l’infinito universo e mondi, De la causa, principio e uno e Spaccio de la Bestia Trionfante, todos de 1584.

Por essas ideias, por suas reflexões filosóficas, políticas e religiosas, Giordano Bruno foi levado a julgamento, que durou oito anos. Com base nos seus livros e testemunhas, Giordano Bruno fora acusado de blasfêmia, de ser herege e imoral, sendo condenado e queimado vivo na fogueira da inquisição em 17 de fevereiro de 1600, no campo de Fiori, em Roma.

As ideias e reflexões de Giordano Bruno, independente de concordarmos ou não com elas, foram importantes para o desenvolvimento da ciência política, da reflexão filosófica e religiosa. Seu julgamento sumário foi um ataque à liberdade de pensamento e expressão, bem típico da época. Hoje, com a cultura reacionária de limitar a liberdade de expressão e pensamento, podemos caminhar para um retorno a essa fase de exceção e ditadura, pois quem poderá limitar o que devemos pensar, refletir e publicar? Na época de Giordano Bruno a Igreja Católica era a palmatória do mundo, fazendo o que fez. Hoje, a liberdade de expressão, tão cara a Giordano Bruno há quatro séculos, está novamente ameaçada na atualidade, quando muitos falsos moralistas censuram e cancelam(espécie de exclusão) aqueles que pensam diferente. Os donos da verdade, da moral (falsa) e da civilidade não querem refletir, pensar, debater e contestar o pensamento de forma crítica, apenas partem para a censura, exclusão e ameaças, pensando em ter, como na Idade Média, uma fogueira para queimar seus opositores.

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