Perseguição política
Angelo Assumpção, campeão brasileiro e sul-americano na ginástica, perdeu o emprego por denunciar atitudes racistas
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SÃO PAULO, SP, 02.05.2015: GINÁSTICA-ARTÍSTICA - Augusto Assumpção no segundo dia da Copa do Mundo de Ginástica Artística, realizada no ginásio do Ibirapuera na zona sul de São Paulo (SP), neste sábado (2). (Foto: Adriana Spaca/Brazil Photo Press/Folhapress)
Angelo Assumpção: campeão da Copa do Mundo de ginástica | Brazil PhotoPress/Folhapress

O ginasta brasileiro, negro, Angelo Assumpção denunciou, em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, a perseguição que sofreu por se posicionar contra as atitudes racistas quando era membro da equipe do clube Pinheiros, na capital paulista.

O atleta, de 24 anos de idade, que também integra a seleção brasileira de ginástica foi demitido do clube no final de 2019 por suposta conduta “indisciplinada”. Em seu relato, no entanto, fica claro que Angelo foi alvo de uma perseguição política da direção do clube, uma vez que começou a expor as ações racistas que sofria no interior da instituição.

Em 2015, um caso ganhou destaque quando os companheiros de Angelo na seleção brasileira, os ginastas Arthur Nory, Henrique Flores e Felipe Arakawa gravaram um vídeo onde faziam piadas de teor racista contra atleta.

Desde então, passou a se posicionar de maneira mais contundente contra tais atitudes, o que acarretou na sua demissão do clube. Hoje, Angelo está desempregado, sem clube, fora da seleção brasileira e cogita até mesmo se naturalizar em outro País para poder continuar competindo. Angelo é campeão da Copa do Mundo disputada em SP, seis vezes campeão brasileiro, três vezes campeão sul-americano e seis vezes campeão brasileiro por equipe.

O caso em questão demonstra como o racismo se manifesta no esporte, uma consequência direta da situação de opressão e desigual vivenciada pelos negros na sociedade brasileira. Também demonstra a verdadeira política de pressão, chantagem e ameaça dos clubes contra os atletas, em particular os negros, os quais são constantemente ameaçados de ficarem sem empregos, caso comecem a denunciar a opressão que vivenciam. O próprio Angelo deixa claro isso durante a entrevista quando diz que “perdeu tudo” por conta da posição política que resolveu adotar e também quando afirma que muitos atletas tem receio de assumir uma posição mais aberta contra o problema por medo de perderem o emprego.

As denúncias de racismo ocorrem em todas as modalidades, mesmo os negros sendo a maioria entre os atletas nacionais e ocupando historicamente as posições de melhores atletas do País. Se pegarmos o caso do futebol, por exemplo, os melhores jogadores da história não apenas do Brasil, mas do mundo todo, são negros, podemos citar o exemplo de Pelé, Romário, Ronaldinho Gaúcho, Neymar, entre tantos. No caso do atletismo temos nomes como João do Pulo, Robson Caetano; na ginástica atletas como Dayane do Santos, campeã mundial.

Nesse sentido, a única forma de colocar um fim ao racismo e na perseguição política contra os atletas é por meio da mobilização dos próprios negros e população de um modo geral. É preciso, antes de tudo, organizar os negros em torno de um programa de luta democrático que levante as principais reivindicações históricas da povo preto. Defender o fim de todo o aparato repressivo contra os negros e o povo, ou seja, o fim da PM, a isonomia salarial, a auto-defesa dos negros, entre outras reivindicações.

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