Avança o genocídio nas escolas
Governo estadual não se contenta com as vida já ceifadas pela pandemia e vai por mais. Mobilizar trabalhadores da educação, estudantes e pai pela greve nacional da educação!
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Volta às aulas: medidas de prevenção? | Foto: Josenildo Almeida
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Volta às aulas: medidas de prevenção? | Foto: Josenildo Almeida

No momento mais grave da pandemia no estado de Santa Catarina,a rede estadual de ensino voltou a ter aula presencial nesta quinta-feira (18). Serão 527 mil alunos voltando às escolas, passando por ônibus lotados e fazendo o vírus circular mais rapidamente, em meio a novas e mais severas mutações. Isso sem mencionar os trabalhadores da educação envolvidos e os trabalhadores que convivem com esses estudantes em casa.

Isso se dá graças à decisão do governador Carlos Moisés, do PSL, em 8 de dezembro de 2020, de considerar as aulas presenciais como atividade essencial durante a pandemia da COVID-19. Ou seja, desculpa inventada para que haja mais jovens circulando pelas cidades, favorecendo, assim, os interesses dos grandes capitalistas, como os banqueiros. A determinação ainda dá conta de que caso haja surto deverão passar para o modelo 100% remoto durante 14 dias. Quer dizer, o próprio decreto admite que surtos de COVID não apenas são tolerados, como são esperados com a reabertura das escolas. Uma política assassina como somente a burguesia é capaz de pôr em prática.

Como exemplo da política genocida de volta às aulas, temos o estado de São Paulo, onde, em apenas seis dias, 329 novos casos de COVID-19 foram registrados entre profissionais da educação de 186 escolas públicas do estado, de acordo com dados do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP). Cabe salientar que a decisão do governador de São Paulo, João Doria, do PSDB, foi tratada como científica pela mídia burguesa nacional e não sofreu nenhuma resistência por parte da esquerda pequeno-burguesa, que segue a reboque da direita dita “civilizada”. Assim sendo, o governo estadual toma, de forma deliberada, a decisão de seguir o roteiro de morte guiado pela burguesia nacional, em que o governo federal e os governos estaduais jogam os mais pobres desse país no caldeirão da morte.

Em Santa Catarina, porém, o retorno às aulas presenciais tende a ser pior, já que será autorizada a ocupação total das salas de aula, desde que haja o distanciamento de 1,5m entre as carteiras. Ora, quem já teve contato com o ensino público no Brasil, sabe que esse é um cenário trágico já em situação de “normalidade”, em se tratando de um contexto pandêmico, temos um cenário de guerra, onde corpos da classe trabalhadora serão empilhados. Em matéria do portal de notícias G1, há um pequeno destaque à posição do Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de Ensino do Estado de Santa Catarina (Sinte-SC), o que demonstra como a imprensa golpista segue sendo porta-voz da burguesia contra os trabalhadores, em que firma posição contrária ao retorno das aulas presenciais. Porém, se pôr contrário apenas ao retorno presencial das aulas não basta, é preciso lutar pela suspensão do calendário letivo enquanto não houver vacina para todos.

Como forma de amenizar a decisão tomada, foram anunciadas medidas de prevenção que todos sabem não funcionar para a COVID-19, como a aferição de temperatura na entrada dos colégios. Bom, levando em consideração que apenas 10% dos infectados pelo vírus apresentam febre como sintoma, então teríamos 90% de infectados circulando pela cidade em ônibus lotados, transmitindo o vírus a outras pessoas. Além disso, medidas como não compartilhamento de materiais, uso de máscaras 100% do tempo e distribuição de álcool em gel são puro deboche contra a população, tendo em vista que se trata de escolas em que, na maioria das vezes, não conseguem fornecer material didático, água, sabão e papel higiênico a seus alunos. 

Para completar, Santa Catarina passa por um momento gravíssimo da pandemia do coronavírus. Até o momento, em números oficiais, são 622.727 casos confirmados, com 6.804 mortes. Além disso, a ocupação de leitos de  Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) do estado está em 85,15%, sendo que no Oeste já não há mais vagas na UTI de COVID para adultos. Das 16 regiões de Santa Catarina, 12 estão em nível gravíssimo e 4 em nível grave para a doença.

Diante disso tudo, é preciso que trabalhadores da educação, estudantes e pais se mobilizem em defesa da volta às aulas só com vacina e apoiar a greve da educação! Fora Bolsonaro! Fora golpistas! Fora genocidas!

 

 

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