29/01/2019 Reunião do Conselho de Governo

Por João Pimenta

É oficial, alguns “formadores de opinião” da esquerda nacional, como dizem os especialistas em redes sociais, perderam as estribeiras, a razão, o fio da meada, a cabeça e muito mais!

Estava eu navegando pelas redes sociais por estes dias e encontrei um cidadão que argumentava que a esquerda brasileira deveria disputar a consciência e o apoio do vice de Jair Bolsonaro, o general, e eu repito, o general Hamilton Mourão.

Esse tipo de política não deveria ser novidade para nós brasileiros. A esquerda pequeno-burguesa tem uma política desastrosa de adaptação, ela busca aprovação da grande burguesia, dos grandes banqueiros, da imprensa capitalista.

Se ser neoliberal é a moda vigente nos círculos burgueses, encontraremos os esquerdistas que defendem a austeridade fiscal, o balanceio das contas em detrimento das condições de vida do povo.

Agora é moda ser milico, a farda é o novo preto. Nas colunas mofadas do Estado de S. Paulo só se fala dos “generais profissionais”, fala-se que são as cabeças pensantes do governo, talvez eles sejam os mais pensantes.

Como a moda é gostar de generais, setores minoritários da esquerda já procuram generais de estimação. Um setor encontrou em Mourão este general. Agora propagandeiam que o general é uma saída para direitismo dos Bolsonaros e dos seguidores de Olavo de Carvalho que hoje compõem o governo.

Nada poderia estar mais distante da realidade. Mourão é um general-político, habilmente se colocando diante da situação política. Neste momento, ele quer parecer um elemento de estabilidade e de moderação, por isso disse até ser pessoalmente a favor do aborto (mesmo que nunca vá fazer nada a respeito), recebeu a CUT em seu gabinete, entre outras coisas mais.

As declarações fizeram com que setores esquerdistas escolhessem o general como figura a ser “disputada”. Chegaram a dizer que a esquerda poderia apoiar sua subida ao poder e que isso facilitaria a soltura de Lula, mas, relembrar é viver, é preciso puxar a ficha corrida do general.

Mourão já ameaçou em mais de uma ocasião o Brasil com um golpe militar, ele disse que a direita deveria ter assassinado Hugo Chávez, elogiou o branqueamento de raça, foi “pego” cantando em coro uma música de origem nazista, o homem é um direitista ferrenho.

Acreditar que justo ele, o general do golpe militar, possa ser disputado não é racional, para dizer o mínimo.

Mourão não está procurando um lado do espectro político que o leve ao poder, ele tem grandes setores da burguesia que o apoiam, que o colocaram lá para “fiscalizar” a chapa de Bolsonaro.

As vezes é preciso dizer o óbvio: Mourão é um reacionário, não está aí para ser disputado pela esquerda, ele quer acabar com a esquerda.