Mobilização
Sem a sua principal ferramenta de um ponto de vista eleitoral, a classe operária estará suscetível a uma manobra semelhante à realizada nas eleições norte-americanas
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Lula | Foto: Reprodução
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Lula | Foto: Reprodução

As eleições municipais de 2020 trouxeram mais uma derrota estrondosa para a esquerda no campo eleitoral. Mesmo com uma pandemia de coronavírus que já matou 178 mil pessoas e com mais de 14 milhões de desempregados, a burguesia conseguiu conquistar a maioria absoluta das prefeituras. E mais: a esquerda elegeu apenas um único prefeito em uma capital: Edmilson Rodrigues (PSOL), de Belém, apoiado pela juventude do PSDB, pela Rede e por setores dissidentes da oligarquia local.

Nenhum resultado diferente era esperado. A burguesia, desde sempre controlou as eleições municipais, com o golpe de 2016, tratou de impedir a já diminuta participação da esquerda, assumindo praticamente em toda a sua dimensão o controle de toda a burocracia do Estado, desde o Parlamento, aprovando as leis mais absurdas, ao Judiciário, impondo todo tipo de proibição de acordo com as suas conveniências. As eleições, no final das contas, tiveram apenas 45 dias, com uma ampla censura na internet e com muita repressão à campanha de rua.

Para ter algum resultado positivo, a esquerda teria de adotar uma postura oposta à que se viu durante todo o processo eleitoral. Ao invés de se animar com os poucos afagos distribuídos pela imprensa burguesa aos candidatos mais reacionários da esquerda, deveria denunciar o papel da imprensa no golpe e no governo Bolsonaro. Em vez de prometer mundos e fundos, como se fosse possível fazer alguma coisa no momento em que o golpe de Estado se aprofunda, deveria ter denunciado a fraude das eleições e convocar os trabalhadores a derrubarem o governo Bolsonaro.

A dois anos das próximas eleições, que são mais importantes e mais politizadas, a burguesia já prepara suas próximas manobras para garantir que a esquerda se desmoralize ainda mais e que sua ditadura se aprofunde. E, além de todas as manobras jurídicas, estará uma operação especial para impedir que a esquerda tenha qualquer saldo positivo: a retirada do maior líder popular do País, o ex-presidente Lula, da disputa.

Desde já, a imprensa burguesa está em grande campanha contra Lula. A campanha vai desde as questões jurídicas, segundo as quais sua candidatura seria inviável, passando por questões morais, segundo as quais Lula seria “obcecado” pelo poder, e até mesmo pelo argumento de que ele estaria “muito velho”. Dia após dia, a Folha de S.Paulo, O Globo e o Estadão aparecem com a mesma tese: Lula deveria ficar de fora de 2022.

E não é só a imprensa burguesa. Os setores mais pequeno-burgueses da esquerda nacional embarcaram de cabeça na campanha, assim como embarcaram na campanha “contra a corrupção”. Do PCdoB, ao PSOL, incluindo a pseudo-esquerda, como o PDT e o PSB, estão todos clamando por um substituto de Lula. Até mesmo setores de dentro do PT, como os direitistas Tarso Genro, Jaques Wagner, Rui Costa e Humberto Costa saíram em defesa da desistência de Lula.

Diante disso, é preciso fortalecer a campanha por Lula presidente, para esmagar a direita golpista e varrer das fileiras da esquerda os abutres que querem um acordo com o regime.

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