Futebol sem torcida?
Para combater um amplo movimento das torcidas alemãs, CEO do Bayern de Munique tenta diminuir a importância dos torcedores no futebol.
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Ex-atacante alemão e atual CEO do Bayern de Munique Rummenigge. | Foto: Wikipedia.

Karl-Heinz Rummenigge, CEO do Bayern de Munique, expôs claramente o antagonismo entre a cultura do futebol e os interesses dos capitalistas. O ex-craque do próprio Bayern de Munique, da Inter de Milão e da seleção alemã fez a esclarecedora declaração enquanto criticava a iniciativa dos torcedores alemães chamada “Aliança Nosso Futebol”.

Rummenigge foi um entusiasta do retorno dos jogos da Bundesliga durante a pandemia da COVID-19 e ainda comemorou o fato da competição alemã ser a primeira a ser retomada no mundo. Pois segundo ele, poderiam ser conquistados espectadores de outros campeonatos, ou seja, os capitalistas alemães poderiam lucrar alto com essa situação.

Reunindo quase 2.400 grupos de torcidas, a iniciativa “Aliança Nosso Futebol lançou uma petição exigindo medidas para tornar a competição mais justa e democrática. Para reduzir a enorme desigualdade financeira entre os clubes alemães, fato que diminui muito a competitividade entre eles, as torcidas exigem que as receitas obtidas com os direitos de transmissão dos jogos sejam distribuídas igualmente entre os 36 clubes profissionais do país.

Os torcedores exigem ainda que os clubes se engajem concretamente em ações de combate à discriminação nos próprios clubes e nas comunidades onde se situam. Para além de ações de marketing, eles cobram maior engajamento social.

Buscando uma maior democratização no futebol, os torcedores já conseguiram há alguns anos impor a regra 50+1, que exige que os clubes detenham a maior parte das próprias ações para manter controle administrativo. Agora, os torcedores querem que os associados tenham maior participação nos processos de decisão interna nos clubes.

Por fim, os torcedores reunidos na “Aliança Nosso Futebol” exigem a redução significativa dos preços dos ingressos, para que qualquer torcedor tenha acesso aos jogos, e que os horários dos jogos sejam convenientes para o torcedor, que deve ter prioridade sobre as exigências da TV paga.

É interessante como esse panorama alemão guarda estreita relação com a realidade brasileira. Nos últimos anos, vimos os torcedores serem afastados dos estádios devido aos preços de ingressos abusivos e os horários de jogos que dificultam a participação das pessoas. Não se trata de mera coincidência, o futebol movimenta muito dinheiro e sofre intervenção dos parasitas que controlam o sistema capitalista.

O desprezo pelas torcidas é um fator fundamental nas empreitadas capitalistas no futebol. No Brasil, começamos a assistir a desfiguração de clubes tradicionais como o Bragantino, que virou Red Bull Bragantino e perdeu suas cores, seu distintivo, sua identidade.

Em meio às estripulias dos empresários do setor, as torcidas são justamente o maior obstáculo à completa destruição da cultura do futebol. Como os torcedores alemães expressaram muito bem numa faixa colocada à frente dos “torcedores de papelão” numa das últimas rodadas do campeonato: “Futebol sem torcedores não é nada!”.

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