Nem salário, nem condução
O descaso oficial com o futebol feminino acentua os contrastes econômicos e expõe muitas atletas a condições de trabalho degradantes.
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
mnhg
A jogadora Marta, primeira mulher a entrar para o Hall da Fama do estádio do Maracanã. | Foto: Fernando Frazão /Agencia Brasil/ Fotos Públicas

O resultado do último jogo de futebol feminino feminino entre São Paulo e Taboão da Serra chamou a atenção nos sites esportivos, o time da capital venceu a partida do Paulistão por 29 X 0. No ano passado o Flamengo ganhou por 56 X 0 do Greminho pelo Campeonato Carioca Feminino. Os detratores da modalidade feminina no esporte mais popular do mundo aproveitam esses placares tão incomuns para creditar isso a um suposto baixo nível esportivo.

No entanto, esse resultado incomum se explica pelo abismo econômico que separa as duas equipes, não tem nada a ver com falta de técnica ou baixa capacidade física. Como a capitã do Taboão revelou em entrevista no intervalo do jogo, o time conseguiu um campo para treinar a três dias do início da competição. Além disso, expôs que as jogadoras não ganham sequer salário mínimo, nem condução, nem roupa de treino.

Assim como acontece nas divisões inferiores do futebol profissional masculino, muitas atletas jogam sem salários, em troca apenas da visibilidade que podem ter e quem sabe trazer algum contrato no futuro.

O fato de termos tantas grandes jogadoras, como a melhor de todos os tempos, a atacante Marta, é apenas um vislumbre do potencial que o futebol feminino brasileiro tem. Marta foi eleita a melhor do mundo por 6 vezes, um recorde no futebol (feminino e masculino), além de ser a maior artilheira da Copa do Mundo de Futebol Feminino. Assim como grande parte das nossas atletas profissionais, a maior parte da sua carreira ocorreu em clubes estrangeiros.

O estado de abandono do futebol feminino nacional é uma das facetas do sucateamento do esporte, encabeçado pela CBF. Uma verdadeira paixão nacional à mercê de parasitas, que procuram manter os times pequenos e amadores sem estrutura e que não investem nas categorias de base, buscam apenas exportar nossos craques ainda em formação.

Vez ou outra jogos da seleção brasileira feminina são televisionados, mesmo com a grande qualidade das nossas atletas, como a própria Marta e outras consagradas como Christiane e a lendária Formiga. Só é possível imaginar todo o potencial que está sendo desperdiçado com esse descaso oficial pelo nosso futebol.

Enquanto o futebol ficar nas mãos dos capitalistas, que buscam apenas o retorno econômico rápido, teremos gerações de grandes atletas em potencial que não tiveram chances para se desenvolverem e viverem do esporte.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas