Crise imperialista
A perda financeira do futebol espanhol diante da pandemia é um retrato do que ocorre e continuará ocorrendo no mundo com a crise capitalista

Por: Redação do Diário Causa Operária

A pandemia de Covid está recrudescendo o capitalismo em todos os setores. O futebol mundial não ficaria de fora. Mesmo nos principais centros do futebol europeu a perda financeira  é gigantesca.

A Laliga, instituição que organiza as duas primeiras divisões do futebol espanhol, solicitou um estudo de auditoria financeira sobre o futebol da Espanha. Segundo o estudo, a perda financeira dos 40 times espanhois pode variar de 825 milhões (R$5,5 bilhões) a 1,029 bilhões de euros (R$6,95 bilhões). O estudo levou em conta vários fatores como a receita das equipes, marketing, venda de ingressos, produtos esportivos, etc.

Foram traçados dois cenários, sendo que um deles põe a vida abaixo dos interesses financeiros, como de costume quando se trata de regime capitalista. No primeiro cenário, os torcedores voltariam aos estádios, na fase final das competições, o que traria um impacto de 825 milhões de euros, mas certamente o número de contaminados seria muito grande, pois a vacinação anda a conta-gotas em vários países. No segundo cenário, os torcedores seguiriam fora dos estádios, com uma perda de 1,029 bilhões.

Em consequência desse período de crise, os clubes também gastaram menos (em torno de 78 milhões) nas temporadas de 2019 até a de 2021, a deste ano já em andamento. Em relação ao mercado de transferência, que gera muita renda nos períodos de “janela aberta” para compra e venda de jogadores, os clubes economizaram 67%, o que dar uma redução de dois terços em relação aos anos anteriores.

A crise no futebol mundial está a cada dia mais visível, com clubes tradicionais caminhando para a falência e muitos deles sendo privatizados, como um recurso dos capitalistas, que dominam o futebol, para atenuar a crise. Boa parte dos jogadores recebem mal, com salários atrasados e péssimas condições de trabalho. A elite do futebol continua tendo grandes salários, a custa de uma maioria e da venda de vários clubes tradicionais dos países mais pobres.

Se a crise já está visível nos principais centros do futebol, nos países em desenvolvimento como o Brasil a situação não é diferente. A grande quantidade de clubes pequenos não terá condições de arcar com suas estruturas, com pagamento de salários e com manutenção da divisão de base, se não houver um plano de reestruturação do setor, sob comando das torcidas com ajuda do Estado.

Os grandes empresários estão tramando o retorno das torcidas aos estádios com o fim de arrecadar mais recursos, à custa de um genocídio. Muitos jogadores se contaminaram e se tornaram vetor de expansão do vírus em vários países do mundo com o retorno do futebol, um esporte agora sem torcida, com clubes caminhando para falência, com o esporte sendo privatizado e cada vez mais decadente diante da crise capitalista.

 

 

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