Resultado da frente ampla
A votação do Fundeb foi apoiada por quase a totalidade do congresso (499 contra 7) sem nenhuma mobilização popular. Não foi uma vitória da esquerda
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Rodrigo Maia e FHC. | Foto: Reprodução

A votação para a renovação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) na terça feira (22/7) foi amplamente comemorada pela esquerda, principalmente por setores importantes do movimento estudantil como a UNE e a UBES.

Com a mudança do Fundeb, a participação da União no orçamento da Educação que era de 10% agora será elevada para 23% até 2026. Os sindicatos dos profissionais da educação tinham a proposta de 40%, já Bolsonaro propunha menos de 20%. Ou seja, que esta em jogo aqui não é o valor absoluto que será investido em educação mas sim o quanto as prefeituras e governos terão de investir, e esse é o principal motivo que torna essa votação um interesse da direita, os recursos que não precisam ser gastos nessas instancias serão cedidos aos políticos da burguesia que controlam a maior parte dos cargos.

Isso fica claro quando se observa que a burguesia se unificou em favor do projeto, quase a totalidade dos deputados, 499 votos a favor e somente sete contra. Ou seja, todos os piores inimigos da educação que deram o golpe de 2016 e vêm destruindo completamente o país e, com um grande afinco, as escolas e universidades públicas apoiaram esse projeto. Quem sairá ganhando são justamente os prefeitos e governadores desses partidos golpistas que não vão investir em educação, apenas irão continuar destruindo-a.

Além dessa pequena vitória econômica a burguesia teve uma vitória política ao fortalecer a frente ampla. Com a ajuda da esquerda que festejou a medida, os partidos do centrão estão se passando como defensores da educação e de oposição a Bolsonaro. Dessa forma, a ala direita dentro da esquerda reforça a imagem do centrão como possível aliado “democrático”. A manobra ficou clara quando a principal figura de frente ampla, Rodrigo Maia, chorou com a aprovação da medida – mostrando mais uma grande encenação para melhorar a sua imagem – enquanto isso os principais setores da esquerda que comemoraram essa “vitória” são justamente os que mais defendem a mirabolante frente com os inimigos do povo para derrotar os inimigos do povo.

Enquanto isso a educação publica segue sendo destruída sistematicamente desde o início do golpe de Estado. O principal projeto empurrado pela burguesia, o ensino a distância, apesar de ser odiado por professores e estudantes não é combatido por esses mesmos setores. A situação é crítica e é hora de parar de comemorar festas alheias e passar a mobilizar para se conquistar o que nos é de direito.

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