Funcionária dos EUA usa “escândalo da corrupção” da Odebrecht para dar golpe em Maduro
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Funcionária dos EUA usa “escândalo da corrupção” da Odebrecht para dar golpe em Maduro
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Faz tempo que está claro que a Lava Jato é uma espécie de ponta de lança de uma nova Operação Condor. Dessa vez, ao invés de a troca de informações e ação conjugada entre ditadores/militares no Continente, a América Latina é um laboratório privilegiado de um novo tipo de estratégia contra adversários dos norte-americanos: o uso da lei.

Com a desculpa de combater a corrupção, o tráfico de drogas ou o terrorismo, impõem-se um conjunto de ‘acordos’ e de convênios ou cooperação que implicam, na prática, adequar a legislação interna de forma a permitir ‘trocas de informação’, a presença de agentes estrangeiros no país, treinamentos/capacitação, cooptação, pressão para soluções mais rápidas em casos de interesse dos norte-americanos, utilização de servidores públicos como representantes de interesses do DEA, do FBI, da CIA, entre outras barbaridades.

Enquanto na Europa, a questão do terrorismo é mais contundente para forçar essas mudanças, como já foi a questão do tráfico de drogas antes, na América Latina e outras regiões menos desenvolvidas, a corrupção é a bola da vez para agir contra adversários políticos.

Como foi divulgado pelo WikiLeaks, que expôs um telegrama da diplomacia norte-americana, intitulado BRAZIL: ILLICIT FINANCE CONFERENCE USES THE “T” WORD, SUCCESSFULLY, ficamos sabendo do “Projeto Pontes: construindo pontes para a aplicação da lei no Brasil”, que, em última instância, visava a consolidar treinamento bilateral de aplicação das leis e para capacitar agentes públicos com habilidades práticas de contraterrorismo. O documento é de 2009, e indica que promotores e juízes federais dos 26 estados brasileiros participaram do treinamento, além de 50 policiais federais de todo o país. Era um seminário com participantes do México, Costa Rica, Panamá, Argentina, Uruguai e Paraguai, mas a delegação brasileira era, de longe, a maior dentre os participantes.

Ali, em 2009, Sérgio Moro já atuava e foi responsável por discorrer sobre os “cinco pontos mais comuns acerca da lavagem de dinheiro no Brasil”.  No telegrama, fica claro que a equipe de treinamento norte-americana ensina brasileiros e demais latino-americanos,  os segredos da “investigação e punição nos casos de lavagem de dinheiro, incluindo a cooperação formal e informal entre os países, confisco de bens, métodos para extrair provas, negociação de delações, uso de exame como ferramenta, e sugestões de como lidar com Organizações Não Governamentais (ONGs) suspeitas de serem usadas para financiamento ilícito”.

No Brasil, no entanto, e, de novo, lá estava Sérgio Moro – então auxiliar da Ministra Rosa Weber, testaram a força dessas ações com o famigerado ‘Mensalão’, quando a Procuradoria Geral da República literalmente inventou uma grande história sobre corrupção, colocando o Partido dos Trabalhadores no centro da trama, assim como a Petrobrás, embora a desculpa inicial fosse a compra de votos no Congresso Nacional.

Com um julgamento que foi um verdadeiro espetáculo, com o ex-Ministro Joaquim Barbosa fazendo um esforço hercúleo para fixar-se no papel de super-herói e Gilmar Mendes, conhecido por suas relações quase carnais com políticos tucanos (lembrando que foi Procurador-Geral no governo FHC e indicado por este ao STF), disputando o primeiro lugar como carrasco do PT, a que imputava formação de quadrilha para financiar um projeto de poder para 20 (vinte) anos.

A Lava Jato foi um segundo momento dessa estratégia, agora com assessoria completa dos norte-americanos e beneficiadas, ironicamente, por leis aprovadas durante a gestão de Lula e Dilma e até mesmo formatadas por membros do governo ou de colaboradores muito próximos do Partido dos Trabalhadores.

Não resta dúvida de que a Lava Jato se tornou uma arma. Depois que conseguiram dobrar a Odebrecht, os norte-americanos, com informação privilegiada em mãos e armas na cabeça dos empresários da multinacional brasileira, montam dossiês contra adversários em todos os países de interesse, nos quais a empreiteira tenha feito negócios.

Não importa se houve ou não corrupção efetiva, ou se de fato houve uso de dinheiro para financiar certos candidatos por meio de caixa 2, a conveniência de usar as informações e de forçar a empreiteira a colaborar quando e como querem os norte-americanos é o que importa entender.

Em meio a tentativa de mais um golpe na Venezuela, eis que os Ianques ressuscitam acusações da ex-procuradora geral do país caribenho, Luísa Ortega Díaz, para aumentar a pressão sobre Nicolás Maduro e forçar que mais países deixem de apoiá-lo ou reconhece-lo como presidente legítimo.

      Henrique Caprilis

A Odebrecht é acusada de financiar a eleição de Maduro, embora também a de Henrique Capriles, fomentando a propaganda em torno de uma suposta Lava Jato venezuelana, abortada quando Maduro assumiu o poder e a ex-procuradora teria ‘entrado em atrito’ com o novo governo. Agora as acusações são recauchutadas para carimbar o governo Venezuelano de corrupto, somando-se aos adjetivos de antidemocrático, tirano, ditatorial, cruel e assassino, já utilizados pelo imperialismo norte-americano.

Tudo isso, no entanto, é necessário reforçar, apenas é uma estratégia a mais para o mesmo e único objetivo. O que está acontecendo na Venezuela é uma tentativa de golpe, para roubar o petróleo, para esfolar os trabalhadores e, claro, para chegar ao controle da região inteira.

Temos o dever de denunciar o golpe e de nos mobilizarmos contra os EUA.

Todos aos atos! Fora o imperialismo da Venezuela!