Fuga de capitais em Londres por causa do Brexit: desintegração do bloco imperialista

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Em 1957, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo, Holanda e Alemanha Ocidental assinaram o Tratado de Roma que criou Comunidade Econômica Europeia. Na ocasião a ideia vendida às populações interessadas era a de uma simples união aduaneira. Decorridos mais de 60 anos da sua fundação a organização que hoje se denomina União Europeia (UE) se tornou um projeto expansionista do capital europeu, principalmente o alemão. Este conseguiu através da União Europeia o que não conseguira através do III Reich. A despeito de se apresentar como a portadora dos ideais democráticos não existe democracia nenhuma na UE. Os órgãos detentores de poder de decisão, como o Conselho Europeu, não são eleitos pela população dos países membros. O Parlamento Europeu é o único órgão da UE composto por membros eleitos por sufrágio universal. Todavia não possui iniciativa legislativa ou seja não pode propor leis. Sua função é aprovar ou rejeitar na sua totalidade os projetos apresentados. A própria decisão da maioria dos integrantes da UE não foi feita através de consultas às populações e nos casos em que houve consulta muitas perguntas ficaram no ar.

Embora muitos cidadãos europeus não percebam mas a união tem mais influência sobre as suas vidas do que as autoridades nacionais. As leis votadas nos parlamentos nacionais são produzidas a partir de diretrizes que já chegam escritas pela união . Não causa espanto a popularidade da extrema direita europeia sendo ela o único setor político que tem ousado desafiar a ditadura de Bruxelas que chega ao cúmulo de determinar até a potência do aspirador de pó que os cidadãos europeus irão utilizar. O ingresso de um país na UE é para sempre. A hipótese de saída de um país membro não foi prevista e daí toda a confusão armada com o pleito do Reino Unido de deixar a união.

A edição do dia 29 do jornal britânico The Guardian publica que mais de trinta empresas financeiras trocarão Londres por Frankfurt (centro financeiro rival) o que resultaria numa saída de bens no valor aproximado de € 800 bilhões. A saída do Reino Unido da UE (Brexit) foi decidida por 52% dos eleitores. A preocupação com o impacto da saída na economia do país é relevante uma vez que o setor financeiro contribui com 12% do PIB do Reino Unido e parece que este é o setor mais preocupado com o futuro fora da UE. O acordo celebrado entre o Reino Unido e a UE será votado pelo parlamento britânico no próximo dia 11. Ele apenas contem diretrizes gerais contudo é grande a incerteza quanto ao resultado dessa votação. O pior cenário é o da rejeição do acordo que colocaria o país num limbo. A saída do Reino Unido da UE com certeza animará outros países a seguirem na mesma direção. Assim sendo uma dissolução parcial ou total da organização será mais provável e nesse caso não apenas a praça financeira de Londres estaria ameaçada mas também todas as outras na Europa, inclusive Frankfurt.

A “reação dos mercados” tem sido a preocupação primeira dos governantes e no caso do “Brexit” mais uma vez podemos observar o capital financeiro defendendo seus interesses chantageando um país. O recado é claro: ou os seus interesses são preservados ou o estrago será grande. Como prova de que nesse jogo os interesses do povo trabalhador não são levados em consideração a Alemanha já está providenciando a “flexibilização” de normas trabalhistas a fim de atrair as empresas financeiras que possivelmente deixarão Londres. O cenário no Reino Unido também é confuso como na maior parte do mundo confirmando a situação da crise inédita do capitalismo mundial. É importante que o trabalhador acompanhe o desenrolar da crise no restante do mundo a fim de entender melhor o que ocorre no Brasil.