Catástrofe anunciada
Um dos setores industriais mais vulneráveis, enquanto às condições de trabalho, os frigoríficos estão em primeiro lugar em acidentes e doenças no Brasil
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GERAL035
Angus lança Selo Sustentabilidade - Grupo ARG (BH)
Crédito: Divulgação

Usada em 27-06-19
Abatedouro de bovinos, setor de desossa | Foto: Reprodução

Cerca de 300 trabalhadores do frigorifico Prima Foods, da cidade de Cassilândia, município do estado de Mato Grosso do Sul, de acordo com as informações da imprensa local, Cassilândia Notícias de 23 de novembro, tiveram que evacuar a fábrica devido ao vazamento de gás amônia e, mais 13 operários tiveram que ser socorridos e levados para o hospital Santa Casa, no município. Os donos sofreram um alto de infração administrativo e foram multados em R$ 10.000,00.

O Cassilândia Notícias, como “grande conhecedora dos riscos em trabalhar em frigorífico, principalmente quando se trata do gás amônia”, se colocando como dono do frigorífico, disse em seu artigo de que: “de imediato, os responsáveis teriam adotado as medidas de contenção do vazamento e dispensado aproximadamente 300 funcionários de uma ala de serviço do frigorifico, os quais tinham sido expostos ao gás, no entanto, sem grandes riscos à saúde”. Para complementar a subserviência imprensa local, disse ainda que, “como a empresa estava solucionando os problemas, a Polícia Militar Ambiental (PMA) somente notificou os responsáveis o saneamento ambiental e atendimento adequado aos funcionários”.

O ato de infração administrativo (multa inicial) lavrado constitui-se na primeira peça do processo administrativo, que será julgado pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). Porem, os donos do frigorífico podem recorrer e até serem perdoados de seus crimes. Neste caso, o ambiental.

O gás amônia, quando não mata deixa sequelas irreparáveis

Conforme a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), “os efeitos adversos à saúde humana: O Amoníaco, devido à liberação de Amônia, pode ser sufocante e de extrema irritação aos olhos, garganta e trato respiratório. Dependendo do tempo e nível de exposição, podem ocorrer efeitos que vão de suaves irritações às severas lesões no corpo, devido a sua ação cáustica alcalina. Exposições às altas concentrações – a partir de 2500ppm por um período de 30 min. – pode ser fatal. O contato do Amoníaco pode causar severas queimaduras nos olhos e pele. Extensas queimaduras podem levar à morte. Principais partes atingidas: Olhos, pele e sistema respiratório”.

A Fundação Jorge Duprat Figueiredo (Fundacentro), bem como, o próprio Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), em varias ocasiões já relataram sobre os inúmeros casos de sequelas oriundas do envenenamento com o gás amônia.

Em um frigorífico localizado em São Caetano do Sul, cidade que faz parte do Grande ABC paulista, o Cardeal, um funcionários da manutenção foi obrigado a introduzir nos globos oculares válvulas, para evitar o lacrimejamento, no entanto até hoje a situação de sua visão é prejudicada devido ao constante contato com o gás, mesmo que não tenha vazamento como o que ocorreu no Prima Foods, podemos ver o tamanho do estrago, dá para imaginar a situação desses 300 operários que acabaram inalando o gás, que dizer dos outros 13 que tiveram que ser socorridos, muitos acabarão sendo demitidos.

O cinismo e lucro acima de qualquer coisa

É comum em tragédias como a que ocorreu no Prima Foods, os patrões emitirem notas, que invariavelmente já estão prontas, dizerem que estão consternados, que darão toda a assistência ao trabalhador, chamado por eles “colaborador” e que a empresa é exemplar nas questões de segurança e que esse foi um caso fortuito, pois presam pela segurança e proteção de seus funcionários, etc., etc.. Ou seja, utilizam-se de um cinismo exacerbado para tentar esconder as péssimas condições de trabalho existentes, não só no frigorífico em tela, mas em todos os frigoríficos espalhados pelo Brasil, sendo inclusive considerados como o setor industrial que mais ocorre acidentes, sendo colocados em primeiro lugar inclusive. No entanto, os patrões, preocupados com o lucro de suas empresas, não dão importância alguma às questões de segurança e saúde do trabalhador, por isso os colocam à própria sorte.

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