Frigorífico: Porque os patrões ocultam os acidentes e doenças

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Os frigoríficos são tidos como os principais setores industriais causadores de doenças e acidentes dos trabalhadores no Brasil há muito tempo. O próprio Ministério Público do trabalho (MPT), depois de muito tempo, neste ano (2019) reconheceu o que já se sabia e, sempre foram denunciados pelos trabalhadores, ou seja, uma situação de enorme fatalidade.

São inúmeros os fatores que leva os frigoríficos a serem considerados como tal, entre eles, as temperaturas muito baixas – as câmaras frias podem chegar a menos de 50º abaixo de zero – e utilização de água quente em abatedouros.

Art . 189 – Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos.

Art . 190 – O Ministério do Trabalho aprovará o quadro das atividades e operações insalubres e adotará normas sobre os critérios de caracterização da insalubridade, os limites de tolerância aos agentes agressivos, meios de proteção e o tempo máximo de exposição do empregado a esses agentes.

Parágrafo único – As normas referidas neste artigo incluirão medidas de proteção do organismo do trabalhador nas operações que produzem aerodispersóides tóxicos, irritantes, alérgicos ou incômodos.

Há também fatores impostos pela exigência dos patrões, pela produção desenfreada, tornando os operários verdadeiros escravos e, neste caso, os trabalhadores são submetidos a um trabalho extenuante, a um ritmo acelerado para poder dar conta da produção.

Para citar um exemplo, uma pessoa ter que desossar, em apenas um minuto e trinta segundos sete coxas de frango.  Existem vários outros casos aberrantes como esses. Há um documentário chamado Carne e Osso, baseado em um levantamento realizado pela Organização Não Governamental (ONG) Repórter Brasil que disserta sobre esses e outros temas.

Chegou-se a criar a Norma Regulamentadora 36 (NR 36), exclusiva para os frigoríficos, porém é letra morta, uma vez que praticamente nenhum frigorífico, desde que foi posta em vigor, a seguiu. Portanto, nada mudou, melhor dizendo, piora a cada ano.

Os patrões, no entanto, ocultam tamanha hecatombe em seus frigoríficos, pelo fato de que, seus lucros poderão ser afetados e, com isso, diminuir o elevado volume de suas contas bancárias, como a do JBS/Friboi que, somente no primeiro trimestre teve lucro de mais de um bilhão de reais.