Ocupação do Frigorifico Barontini: é assim que se faz contra o fechamento as demissões

Na manhã de terça-feira, dia 28, operários do Frigorífico Barontini, com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Carne, Derivados e do Frio de São Paulo, ocuparam as instalações da empresa, em São Caetano do Sul, contra o golpe dos patrões que deixaram de pagar salários e fecharam a fábrica sem nada comunicar aos trabalhadores.

Depois de sete anos em “recuperação judicial”, o Frigorífico Barontini deixou de pagar os salários, cesta básica, vale transporte, segunda parcela do décimo terceiro salário, apesar dos trabalhadores terem produzido até a semana passada.

Nos últimos dias, os trabalhadores, que estavam a trabalhar por escala, com cada turma trabalhando um dia sim outro não, deixaram de ser chamados e encontraram a fábrica fechada, com os patrões sumindo para não pagarem o que devem para os trabalhadores, que estão com suas contas atrasadas e passando por necessidades com suas famílias.

Quem acompanhava os trabalhadores, além do encarregado Carlos, era a advogada Silvia Regina Estrela, do Banco HSBC, credor do Barontini. Fica claro que os credores, fora os trabalhadores, foram tomando conta do frigorifico.

Os patrões, desde o final do ano não apareciam no Frigorifico, deixaram os trabalhadores com uma mão na frente e outra atrás, suas famílias estão tentando se virar como pode para poder alimentar. As contas de água, luz, o aluguel entre outras estão atrasadas.

Na medida em que a crise avança, este golpe vai se generalizando. Não apenas nas fábricas de carnes e frios, mas em todo o tipo de empresa, obras etc. Depois de explorarem como podem os operários, os patrões resolvem dar o golpe de sumir e não pagar, nem mesmo o que devem. E ainda deixam os trabalhadores na rua da amargura, sem empregos, em um momento de grande dificuldades por conta do golpe de Estado que derrubou o governo da presidenta Dilma e ameaça se transformar em um golpe militar (como se vê com a intervenção militar no Rio de Janeiro).

Ocupar as fábricas contra a demissão e para impedir o esvaziamento da empresa pelos bancos e outros credores é o único caminho para os trabalhadores. Por isso os trabalhadores do Barontini estão de parabéns.

São os patrões que têm que pagar pela crise. Se eles não cumprem com a obrigação de pagar os salários e demais direitos dos operários, estes têm todo o direito de assumir o controle da empresa e organizar a produção para receber o que lhes é devido e garantir seus empregos.

Rapidamente a polícia e a justiça que não agiram, e nunca agem, para garantir os direitos dos trabalhadores, apareceram no local para promover a desocupação.

Em uma atitude arbitrária e ditatorial, prenderam o presidente do Sindicato, companheiro Julio Marcelino, que estava no local defendendo o direito dos trabalhadores.

É preciso mobilizar a categoria, os demais sindicatos e a CUT, em favor dos trabalhadores do Barontini e contra a repressão ao Sindicato.

A ocupação das fábricas contra as demissões e os golpes dos patrões é uma arma legítima dos operários e precisa ser defendida por todos os que estão do lado dos trabalhadores.