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A esquerda e as eleições
Frentes eleitorais não vão mudar nada
As eleições não são uma alternativa para os explorados. Mobilizar nas ruas para derrotar o golpe é o único caminho.
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A esquerda e as eleições
Frentes eleitorais não vão mudar nada
As eleições não são uma alternativa para os explorados. Mobilizar nas ruas para derrotar o golpe é o único caminho.
Plenária Frente Ampla – 8 de setembro – Arquivo DCO
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Plenária Frente Ampla – 8 de setembro – Arquivo DCO

Não é de agora que a esquerda brasileira está absolutamente voltada para as eleições de 2020, mas focada nas de 2022.

Mal saída das eleições absolutamente fraudadas de 2018, eleições essas que marcaram a tentativa do regime saído do golpe em se estabilizar sob o manto da “democracia”, a esquerda de um modo geral, desconsiderou a experiência com o processo que levou ao governo, não a direita diretamente responsável pelo golpe (PSDB, DEM, PMDB), o Centrão, mas a extrema-direita parida pelo próprio Centrão.

Sem entender que a vitória da extrema-direita nas eleições, com Bolsonaro, com governadores como Witzel, João Dória, Zema, entre outros, com a eleição no Congresso Nacional marcada por ser a mais reacionária desde o fim da ditadura militar, a esquerda viu nessa condição a sua própria derrota e não uma condição imposta pelo golpe de 2016.

Um resultado do golpe de Estado que derrubou a ex-presidenta Dilma Rousseff foi a crescente polarização do País. A polarização levou ao colapso do centro político, ou melhor do próprio regime político saído do golpe, isso é o que explica que Bolsonaro tenha se transformado na única alternativa da burguesia frente à esquerda. Desse ponto de vista, a esquerda se valeu da sua própria avaliação de “derrota”, para capitular mais ainda diante do golpe.

De lá para cá a esquerda, quando muito, só utiliza a denúncia do golpe nas eleições com a retirada de Lula do processo eleitoral em discurso. Objetivamente, depois de alardear nas eleições que a “eleição de Bolsonaro seria o fim do mundo”, “era o fascismo no Brasil”, saiu a cumprimentar o candidato da extrema-direita eleito, com votos de felicitações para que “fizesse um bom governo”.

De lá para cá, essa mesma esquerda tem se negado sistematicamente a levantar a palavra de ordem de “Fora Bolsonaro”, uma palavra de ordem, juntamente com a de Lula Livre, das mais populares do País. Foi assim no carnaval passado, mal Bolsonaro havia tomado posse, tem sido assim nos estádios de futebol, shows, manifestações.

É justamente a recusa em defender o “Fora Bolsonaro” e até a pouco “A liberdade de Lula”, essa de uma maneira prática e não só em discurso, que levou a uma dispersão das mobilizações que ocorrem nesse último período no País.

Em oposição a uma política de enfrentamento com o golpe, em nome de que “Bolsonaro é um governo que tem apoio popular” , “as massas estão paralisadas”, etc, a esquerda se volta para o calendário eleitoral e as conformação de “frentes” que sejam “viáveis” eleitoralmente. Tendo o PCdoB como carro-chefe, mas também a direita do PT, o Psol e os golpistas PSB e PDT, este, tendo à frente o direitista Ciro Gomes, a esquerda se voltou  por resgatar a própria direita golpista, o Centrão, em torno da frente ampla por “Direitos Já”, onde tem espaço para golpistas de primeira linha como os tucanos Fernando Henrique Cardoso e Geraldo Alckmin e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do DEM.

Essa política é de uma profunda adaptação ao golpe em nome de que supostamente estaria se colocando contra o golpe. Na verdade, essa não é uma política da esquerda, mas responde a uma política da direita, do Centrão, que usar a esquerda para se reciclar e se viabilizar eleitoralmente.

O grande impasse para o desenvolvimento da “frente ampla”  foi a soltura de Lula no início desse mês. De um ponto de vista prático, Lula desequilibra todo o jogo. Primeiro, porque ele é muito maior do que a esquerda. Desse ponto de vista, se a política da esquerda seria ser coadjuvante do Centrão, com Lula, os papéis se invertem, o que, na prática, inviabiliza o avanço da frente.

Um outro aspecto, é que a própria condição de Lula (processos, Condenação pela lei da Ficha Limpa) impele que o próprio Lula seja um fator permanente que impusiona a mobilização, o que, inevitavelmente, traz para o centro do debate a questão do “Fora Bolsonaro”, que está intrinsecamente vinculado a luta pela garantia dos direitos políticos do ex-presidente.

Embora contra a vontade da esquerda, que vê os seus interesses de acordo com a possibilidade de ganhos eleitorais em seus rincões e para isso pouco importa se aliança vai se dar com golpistas ou não golpistas, o centro da situação política gira em torno das questões nacionais.

Além do fator Lula, é evidente que por baixo da aparente calmaria que se apresenta na superfície, existe no País uma situação explosiva. A condição do Brasil é tão ou mais grave do que o Chile ou a Bolívia. O governo está “pisando em ovos” e por isso mesmo, com medo de que uma mobilização dos servidores que fatalmente ocorrerá  diante da reforma Administrativa o que pode se transformar no rastilho que leve a revoltas populares no Pais, recuou no encaminhamento da reforma.

As frentes eleitorais e as próprias eleições não representam uma perspectiva na etapa política que se abre no País. Participar do processo é uma coisa. Transformá-lo em tábua de salvação para todos os males do País é outra completamente diferente. Cabe aos setores conscientes da esquerda, aos comitês de luta contra o golpe, aos partidos políticos que efetivamente estão na luta contra o golpe impulsionar a luta pelo Fora Bolsonaro, pela anulação dos processos contra Lula e por verdadeiras eleições gerais, com Lula candidato, para varrer todo o regime golpista.

Esse é o único caminho progressista!