Frente com os golpistas, não!

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Como o enfraquecimento do governo Bolsonaro põe em risco todo o regime golpista, as burguesias nacional e imperialista procuram mais uma vez colocar em marcha a política de Frente Popular. De acordo com matéria publicada no sítio Brasil 247, foi lançada uma frente composta por 10 partidos, incluindo o PT, o PSOL, o PCdoB, o PDT, o PV e o PSDB!

É simplesmente impossível se travar uma luta contra o golpe por meio de uma aliança com o principal partido da articulação golpista, o PSDB. Todo um setor da população brasileira tem aprendido através das suas próprias experiências o que tem sido o golpe de 2016, que foi marcado pelo impeachment ilegítimo dado na presidenta Dilma.

Em todo esse processo era visível o papel de destaque do PSDB, naquele momento notadamente por Aécio Neves, que tinha sido derrotado por Dilma. Uma frente com o PSDB tem como único objetivo confundir todo o movimento de luta contra o golpe e colocar toda a esquerda à reboque da burguesia. Não custa lembrar que foi o próprio PSDB quem mais deu corda para o bolsonarismo e finalmente apoiou Bolsonaro quando constatou-se que seu candidato oficial, Geraldo Alckmin, era inviável.

Mas não paramos por aí. Aparentemente como forma de deboche, a frente partidária recebeu a alcunha de “Direitos Já!”, numa alusão ao movimento das Diretas. Porém, quais direitos o PSDB defende para a população, se com uma lista muito pequena para o número de atrocidades que o partido é responsável aparece o racionamento de água, um programa agressivo de privatizações, o fortalecimento da política de genocídio dos moradores de favelas e periferias e o espancamento de milhares de professores e estudantes?

Além da presença ilustre do PSDB também figuram na aliança o PDT de Ciro Gomes, o PSOL, o PCdoB e até o PV. O odor putrefato do coxinhismo, típico do MBL exala fortemente quando a matéria destaca que “os participantes disseram que não foram representando seus partidos.”. A reunião se destacou pela presença de Fernando Haddad e outros representantes da ala direita do PT, de  Guilherme Boulos, representando o PSOL e do líder do PCdoB na Câmara, Orlando Silva.

No encontro, Haddad defendeu “que o grupo se organize em torno de uma agenda mínima de temas como educação, relações exteriores, geração de empregos e direitos humanos, e busque a adesão do centro e do “centro- direita liberal”.” Embora seja mínima, como pudemos ver a agenda não inclui a liberdade de Lula, mas é ampla o bastante para incluir o centro e a “centro-direita liberal”! Desta forma, Haddad, que “era Lula” nas eleições, abriu mão do preso político para se aliar com os responsáveis pela sua prisão.

Já Orlando Silva, um destacado direitista do PCdoB, aponta que a denúncia e a luta contra esta frente, um verdadeiro crime contra todo o movimento de luta contra o golpe, seria na verdade sectarismo. Quer dizer, lutar por uma frente composta pelos amplos setores sindicais e populares, como a CUT e o MST que se mobilize nas ruas contra o regime golpista, pela derrubada do governo Bolsonaro e a liberdade imediata de Lula, sem ficar a reboque dos partidos golpistas que não defendem estas reivindicações, seria sectarismo. O correto seria abdicar de tudo isso e entrar de cabeça em uma aliança com partidos golpistas tais como o PSDB, o PDT e o PV e a ala direita de partidos de esquerda como o PT, PSOL e PCdoB.

A matéria termina com uma frase que narra um diálogo entre José Grigori, do PSDB e Suplicy. Grigori teria dito que “uma mistura dessas só vi nas Diretas-Já”. Nisso Grigori tem toda a razão. Em ambos os momentos o governo estava em uma crise muito grave e tanto lá quanto hoje em dia é necessário, do ponto de vista da burguesia implementar a política da Frente Popular, para conter o movimento popular que se desenvolve contra todo o regime político. Em ambos os casos a burguesia busca isolar a ala esquerda, tentando assim controlar todo o movimento.

É fundamental denunciar amplamente essa tentativa dos grandes capitalistas de manter um regime golpista que está caindo pelas tabelas e os elementos da ala direita dos partidos de esquerda que estão na manobra, como Fernando Haddad, Guilherme Boulos e Orlando Silva, que estão procurando sustentar a podridão.