Análise Política da Semana
Na penúltima Análise do ano, o companheiro Rui Costa Pimenta, aborda temas como a vacina, a oposição a Bolsonaro e apoio da esquerda à direita golpista nas eleições na Câmara
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Rui em análise durante a época do impeachment de Dilma
Rui Costa Pimenta durante Análise Política da Semana em 2015 | Causa Operária TV

Na penúltima Análise Política do ano, o companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), tratou da questão da frente ampla, vide caso das eleições na Câmara Federal dos deputados, onde a esquerda sinalizou apoio ao candidato de Rodrigo Maia, do bloco que inclui DEM, PSDB, MDB e afins, isto sob o pretexto de se opor ao bolsonarismo.

Também abordou temas como a posição da esquerda diante do imperialismo, a vacina do coronavírus e a repressão estatal, de uma polícia que matou milhares de crianças nos últimos anos. Confira os principais temas:

A análise iniciou pela questão polêmica do posicionamento da esquerda diante do golpe, do regime político, do imperialismo.

  1. Freixo e a Coreio do Norte

Isto porque o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) publicou uma crítica a Bolsonaro, dizendo que os únicos países que ainda não reconheceram a vitória fraudulenta de Joe Biden (Partido Democrata) são Brasil e Coreia do Norte.

Para Freixo, ao fazer isso, Bolsonaro estaria se equiparando à Coreia do Norte, que seria um país ridículo, que não merece consideração, uma ditadura. Até Bolsonaro se degradaria ao se equiparar com a Coreia do Norte.

A atitude é para pressionar Bolsonaro a aceitar as eleições nos EUA, um processo, que como se viu, foi completamente fraudado em favor do candidato principal do imperialismo mundial: Biden! Logo, é uma defesa do chefe principal dos Estados Unidos e consequentemente da opressão do mundo. Essa declaração passou em branco dentro do PSOL.

Mas o fato de que o governo Bolsonaro, cuja orientação é de extrema-direita, é criticado por um elemento da esquerda [Freixo] por não reconhecer a eleição no principal país imperialista do mundo. Se você não reconhece, não tem uma atitude positiva em relação ao poder colonial, você é uma pessoa grotesca.

A ideologia do deputado do PSOL é a de que se vive num mundo democrático, onde as eleições nos EUA, foram democráticas e logo, segundo a imprensa, o povo teria que aplaudir o presidente. Não se deve ter com ele uma atitude belicosa, mas de reconhecimento.

É mais um indício de que a esquerda, ou boa parte da esquerda nacional é pró-imperialista. Não reconhece o imperialismo como opressor, mas como um farol democrático no mundo. O Brasil, neste caso, deveria ser como os EUA. Trata-se de uma mentalidade colonial disfarçada de democracia. Fazendo com que a esquerda se alinhe com a “democracia mundial”, que são os países imperialistas. Desta forma, para essa esquerda, Rússia, China, Irã e Venezuela são países antidemocráticos.

Então RCP explica que primeiro que esses países não são democráticos, tanto no que diz respeito a dominação que exercem nos outros países e nos seus próprios. A democracia tem um sentido técnico muito relativo. O que faz com que a ideologia da oposição entre os países democráticos e não democráticos serve para encobrir a falta de democracia dos países imperialistas.

Diz-se que o Brasil é um país democrático, mas acabou-se de sair de um golpe de Estado. Não há nenhuma democracia, mas apenas uma mera aparência que encobre um regime ditatorial, profundamente antidemocrático.

Rui também disse que essa análise sobre o PSOL manifesta-se nas eleições. Qual o nível de unidade que há entre os países de esquerda? Ou entre o PCO e outros partidos de esquerda. Uma divergência radical. Não existe a priori uma unidade entre partidos de esquerda. O caso de Freixo mostra inclusive o caráter do PSOL de ser uma esquerda pró-imperialista.

  1. Vacinação

Em seguida, o presidente do PCO falou sobre a questão da pandemia no País, num momento em que se dá a disputa em torno da vacina no Brasil e que ele caracterizou como “esdrúxulo”.

Isto porque a discussão sobre a pandemia é extremamente relevante, mas não se considera o que houve com ela até agora e o que está ocorrendo, dado que as mortes e a infecção estão se multiplicando, como denuncia Rui.

Ele lembra que os governos não tomaram nenhuma medida séria para combater a pandemia desde o início até agora. Mas, mesmo assim o Brasil, segundo os dados oficiais, transformou-se num paraíso da redução das infecções e das mortes, com a imprensa burguesa falando em controle da média móvel, estabilização, estabilidade, etc. Bolsonaro até chegou a fazer um evento no Palácio do Planalto para comemorar que o governo estava vencendo o coronavírus. Ou seja, um verdadeiro “milagre brasileiro”, como ironizou Rui.

De repente. Passada a eleição, a pandemia, que “deve ter um conteúdo eleitoral muito forte, voltou com tudo”, diz Rui.

“Não sei se ela [a pandemia] tem um acordo com os governadores e os políticos… para deixar as coisas acontecerem após a eleição.”

Foi desta forma, que os demagogos de plantão, que defendiam a “fica em casa” contra os atos públicos pelo Fora Bolsonaro, saíram às ruas durante as eleições para a campanha eleitoral. Como se o coronavírus fosse uma espécie de vírus seletivo, que atacaria apenas aqueles que lutam pela derrubada do governo, alheio ao que foram as ruas para fazer demagogia eleitoral a favor de seus vereadores e prefeitos.

Superado este ponto, tratou-se da questão do fim do auxílio emergencial. O benefício extremamente “magérrimo”, aprovado pela Câmara e tratado naquele momento como uma grande vitória pela esquerda, agora “sabe-se lá por que”, diz Rui, não conseguirá se reproduzir em janeiro, aparentemente porque a discussão do orçamento estaria influenciando o problema do auxílio emergencial.

A vacina como mecanismo para controlar a população

Para explicar, Rui Pimenta lembra que “o auxílio emergencial foi um recurso para evitar que o País explodisse num momento em que a vacina e o controle da pandemia estavam sem perspectiva nenhuma”. O que também evitou que a economia se degradasse com extrema rapidez. Contudo, agora, momento em que a situação se agrava, o auxílio vai parar e a situação da população será ainda mais delicada. Mesmo assim, como aponta Rui, “os governantes estão contando que com a vacina eles irão conseguir controlar a situação. O que mostra que a vacina está sendo usada como mecanismo político para controlar a população”.

Ainda a esse respeito, surgiu um debate colocado por Bolsonaro sobre a questão da vacina. O presidente do PCO explica que Bolsonaro tem uma base social crítica das instituições do regime, o que o coloca numa posição melhor do que a da esquerda, apesar da crítica ao regime ser superficial. O presidente fascista utiliza desta situação para voltar sua base contra o regime político e às instituições, colocando-se como um elemento rebelde “embora não seja efetivamente”. Desta forma, um dos motivos que Bolsonaro utilizou para mobilizar sua base social foi a objeção a vacina, o que criou, numa parte da população, uma rejeição a imunização.

Por outro lado, a burguesia lançou a ideia de que a vacinação deve ser obrigatória. Ou seja, que as pessoas serão vacinadas “doa a quem doer”, independente de estarem de acordo ou não. Rui explicou que a posição correta da esquerda é simples, bastaria defender que ninguém deve ser forçado a se vacinar.

No entanto, mais uma vez a esquerda foi a reboque da burguesia, como tem ido, sendo levada a apoiar uma politicagem da direita a pretexto de combater Bolsonaro, como foi durante todo o período da pandemia, critica o dirigente marxista.

A oposição a Bolsonaro

Então Rui chegou na questão que considera central, a da oposição a Bolsonaro. O governador João Doria primeiro levantou a palavra de ordem do isolamento social. Naquele momento o PCO denunciou que não havia nenhuma medida de combate ao coronavírus, dado que os trabalhadores, em sua esmagadora maioria, continuaram trabalhando. Como também não haviam informações verdadeiras sobre a pandemia, dados contraditórios e que mudaram de critérios diversas vezes. Logo, em grande medida todas as ações adotadas eram uma farsa.

Ele explicou que chama a atenção que hoje ninguém faça o balanço, mas na época havia pessoas de esquerda fazendo campanha da política do “fica em casa” e que o isolamento social resolveria tudo. Não foram poucos os “cientistas” que apareceram em todos os principais veículos de comunicação da burguesia para afirmar isso. Agora, por outro lado, a esquerda “bem pensante” afirma que a vacina vai resolver tudo. Novamente uma panaceia, novamente a esquerda está a reboque da burguesia.

A burguesia transformou a esquerda nacional em verdadeiro marionete

Primeiro deram o golpe, colocaram Lula na cadeia

A esquerda participa da campanha anti democrática. A esquerda quer participar da campanha

Um setor da esquerda acredita que os direitos individuais não, sempre haverá uma causa para suprimir os direitos individuais. Haveria prioridades sociais que levam ao cancelamento dos direitos individuais

Para a esquerda que tem uma compreensão limitada desses problemas entre o individual e o coletivo você escolhe o coletivo? Isso é um sofismo. O direito individual é um direito político e portanto diz respeito a

Os direitos e garantias individuais

A democracia burguesa fala que todos têm o direito de se expressar, mas na hroa de se expressar, a família marinha tem muito mais direito. O socialismo deveria suprimir esse problema.

Há na esquerda uma regressão para antes da revolução francesa que assinalou os direitos do cidadão

Os direitos e garantias individuais são a base fundamental do funcionamento do Estado de direito. A classe oo

A doutrina do direito coletivo sobre o individual é uma doutrina que foi utilizada pelos fascistas e nazistas

  1. Eleições na Câmara dos deputados

Depois de muita “enrolação” a esquerda colocou-se a reboque da direita mais uma vez usando o pretexto, novamente, de estar em uma luta contra Bolsonaro. Uma parcela dos deputados do PT foram procurar o candidato de Bolsonaro, Artur Lira (PP). Assim, a esquerda definiu o apoio ao candidato de Rodrigo Maia, do bloco DEM, PSDB, MDB e afins, ou seja, o bloco que deu o golpe de Estado e elegeu Bolsonaro. Ou seja, como Rui explica, Bolsonaro não se trata do mal menor, mas maior. Com certeza com isso a esquerda caminha para a frente ampla com o apoio de um candidato da direita em 2022. O que mostrar que a esquerda não luta contra o golpe e que é uma relação de compadres, pois o regime político “é o Rodrigo Maia” (DEM, PSDB, MDB).

O companheiro Rui conclui que cada movimento social deve entender duas coisas:

“Sem destruir o regime político não é possível conseguir vencer a direita.”

E.

“O regime político são pessoas.”

Com essa política é de sustentação ao bolsonarismo, nunca a população irá mudar nada no País,.

Por último, Rui falou sobre o problema da repressão estatal. A PM matou mais de 2 mil crianças. “É um país em guerra”, do regime político contra a população, como afirma Rui. O número mostra que é preciso destruir a PM. “É monstruoso, mas ninguém fala nada sobre isso.” Quem é responsável por isso? Os governadores científicos, como Doria e afins. O dado mostra que é necessário dissolver a PM. Da mesma maneira que quando há uma ditadura, a polícia secreta e política do regime precisa ser dissolvida quando o regime acaba.

Mais de 80% das pessoas que são assassinadas pela PM na Bahia são negros. Um estado que é governado por um partido de esquerda, pelo governador Rui Costa (PT).

Por fim, falou-se da notícia de uma possível fusão do Partido Socialista Brasileiro (PSB) com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB). RCP disse que apesar de ser algo muito ruim para o PCdoB, ajuda a esclarecer a população, dado que o PSB é um partido de direita. Uma tentativa de construir um partido de direita com uma fisionomia de esquerda.

Não percam na próximo sábado 26/12 a Análise Política da Semana, que será a última do ano e consequentemente, a que tradicionalmente trará um balanço dos principais acontecimentos de um ano marcado pela pandemia do coronavírus, por um genocídio a nível mundial e por uma capitulação da esquerda nacional diante dos golpistas.

A Análise Política da Semana é o programa mais assistido da COTV e é transmitido aos sábados a partir das 11:30.

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