Estelionato político
A “Frente Ampla” pressiona os setores populares no sentido de se apropriar do capital político da esquerda, buscando se impor como liderança da luta contra o governo Bolsonaro
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Ciro Gomes e FHC, expoentes da ala direita da Frente Ampla | Foto: Reprodução/Jornal da Cidade
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Ciro Gomes e FHC, expoentes da ala direita da Frente Ampla | Foto: Reprodução/Jornal da Cidade

Uma tentativa explícita de estelionato político e ideológico está em curso no País. Na verdade trata-se de um golpe, pois não há outra forma de adjetivar a operação que vem sendo levada adiante pela ala direita da Frente Ampla, articulação que reúne os mais variados setores da política nacional, incluindo aí a esquerda parlamentar, institucional, que vem emprestando, indevidamente, seu prestígio e seu vínculo com os movimentos populares, conferindo um suposto caráter progressista a esta fraude política contra as massas populares, os trabalhadores e a sociedade.

Um dos expoentes desta política de assédio sobre a esquerda é o velho e conhecido camaleão Ciro Gomes, o homem que já transitou por quase todo o arco-íris partidário nacional, ultimamente se colocando como político “progressista” e até mesmo de esquerda. Ciro adotou como esporte predileto, já há algum tempo, atacar o ex-presidente Lula, buscando minar a autoridade e a popularidade da liderança petista junto às massas populares e os trabalhadores.

Lula vem sendo criticado por Ciro Gomes e outros figurões da “Frente Ampla” por não ter chancelado os manifestos que circulam nas redes sociais. Os documentos assinados por um amplo leque de políticos burgueses e abertamente direitistas busca se colocar como “oposição” ao combalido e náufrago governo Bolsonaro, cada dia mais impopular e repudiado nas ruas pela população.

A ofensiva liderada por Ciro e outros setores da direita golpista na “Frente Ampla” tem o objetivo claro de isolar Lula e os demais setores populares, abrindo espaço para a ala direitista da “Frente”. Traduzindo para uma linguagem mais clara e direta, trata-se de uma operação dos que não têm voto contra os que são amplamente apoiados pelos setores populares, pelos trabalhadores, pela população pobre e explorada do País, como é o caso, inequívoco, do ex-presidente Lula.

Portanto, estamos diante de uma operação fraudulenta, antipopular e anti-democrática, manobra que tem o intuito claro de colocar em evidência e atribuir protagonismo aos setores mais impopulares da política nacional, os elementos que, na “Frente”, não têm nem voto nem qualquer apoio popular. É uma frente, portanto, dos sem-votos querendo controlar os que têm votos e apoio.

Nesta situação, é necessário desmascarar o caráter fraudulento e golpista desta operação, denunciando, de forma implacável, a manobra em curso. A esquerda, diante desta armadilha, deve romper com todas as iniciativas da direita, abandonando os fóruns e espaços (Frente Ampla, manifestos), se colocando no terreno das mobilizações e da organização independente dos trabalhadores, única forma plausível e viável para a vitória sobre os golpistas, estejam eles no governo ou fora, na oposição direitista à Bolsonaro.

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