Distracionismo calculado
Frente Ampla pela Renda Básica é uma repaginação do “bem comum”, moralmente inatacável com objetivo único de submeter a esquerda (e os trabalhadores) à burguesia
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Brasil, Brasília, DF, 23/04/1984. Manifestação pedindo eleições diretas (Diretas Já) em Brasília (DF). Contato: 08.184.01 - Negativo: 840784/S.3(17) - Crédito:ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Código imagem:133806
Manifestação pelas Diretas Já no DF. Frente ampla sempre foi uma política contra trabalhadores | Foto: ARQUIVO/ESTADÃO

Nova tentativa de emplacar uma frente ampla vem se desenvolvendo no Congresso Nacional, a chamada Frente Ampla pela Renda Básica. Seguindo um padrão da política imperialista, de estabelecer uma unidade em torno do bem, o movimento une do PT ao PSL (o que inclui DEM, MDB e PSDB) e se organiza sob a bandeira de algo moralmente inatacável: o estabelecimento de uma renda básica comum a todos os cidadãos. Em um país com tanta pobreza como o Brasil, quem poderia ser contra a população pobre receber um auxílio que consiga minimizar a miséria que assola parte tão expressiva da população?

A pergunta já aponta para a resposta, afinal, aqueles cuja política produziu tamanha miséria não tiveram problemas para expropriar as massas em benefício  da burguesia, valendo-se para isso das mais criminosas orquestrações, as quais resultaram em um regime aberta e reconhecidamente genocida. Teria então uma súbita crise de consciência se abatido sobre tão amplo arco direitista, do Centrão à extrema-direita? Claro que não. A nova jogada da frente ampla continua tendo o mesmo propósito de sempre: desmoralizar a esquerda diante da classe trabalhadora, abrindo assim, um conjunto de ataques mais violentos contra a população.

Isto fica mais evidente quando observamos um certo padrão desenvolvido pelo bolsonarismo e que pôde ser visto no caso do Fundeb e principalmente, do chamado auxílio-emergencial. Envoltos em um processo parlamentar arrastado, cheio de idas e vindas, o governo fez diversas manobras mas finalmente aprovou gastos até maiores do que inicialmente previstos. Com o auxílio emergencial, nova celeuma se desenvolveu em função dos atrasos nos pagamentos, das fraudes e nas condições em que estes se deram. A renda emergencial fora aprovada enfim mas o governo levou o tempo que julgou apropriado para pagar. No intervalo, ataques tão brutais quanto as medidas provisórias 927 e 936 foram aprovadas, milhões de trabalhadores adoeceram e dezenas de milhares morreram.

Ainda, todo um debate tão amplo quanto estéril se desenvolveu sobre os temas, sob a premissa de que a pressão sobre parlamentares poderia resolver os problemas da população, uma ilusão óbvia mas que cumpre um papel desmobilizador para o desenvolvimento da luta política, na medida em que cria a aparência vitória onde não há.

Há que se ter claro ainda que as experiências históricas não deixam dúvidas para o fato de que as frentes ampla são tão catastróficas para a classe trabalhadora quanto maior é sua amplitude, com a campanha das Diretas Já como uma das mais contundentes demonstrações da natureza capituladora deste tipo de política, cujo fundamento sempre foi a submissão dos trabalhadores em benefício da burguesia.

A única frente com poder de mudar a sorte dos trabalhadores, tão duramente atingidos, é a que se propõe a mobilizar a população pelo Fora Bolsonaro. Frentes ampla enaltecidas pela imprensa golpista, contando em suas fileiras com inimigos históricos da classe trabalhadora, inclusive (importante repetir) do PSDB, DEM e MDB, partidos em grande medida oriundos da Ditadura Militar e que se notabilizaram como os principais articuladores do golpe de 2016, que destruíram o pouco conquistado nos últimos anos pelos trabalhadores, cujos políticos nunca esconderam seu desagrado com o Bolsa Família, não é mais do que distracionismo.

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