No Uruguai
A Frente Ampla uruguaia está envolvida em um escândalo político por esconder crimes da ditadura militar; em nome desse pacto antidemocrático, foi golpeada
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WASHINGTON, DC - MAY 12:  Uruguay President Jose Mujica Cordano listens during a bilateral meeting with U.S. President Barack Obama in the Oval Office of the White House May 12, 2014 in Washington, D.C. Obama was to discuss growing bilateral economic ties and expanding collaboration in technology, science, and health. (Photo by Andrew Harrer-Pool/Getty Images)
O ex-presidente e senador Mujica já anunciou sua renuncia após o ocorrido. | Foto: Reprodução

Nesta semana o ex-presidente e atual senador do Uruguai Pepe Mujica se viu envolto de uma escândalo político. A Frente Ampla uruguaia é suspeita de impedir que informações sobre torturadores e assassinos fossem à tona.  Essa frente é uma frente popular entre a esquerda moderada do regime político até a direita “tradicional” mais alinhada ao imperialismo, da qual Mujica governou todo tempo sobre essa base. O bloco político governou o País por 16 anos.

Diante das denúncias, Mujica declarou que pode renunciar ao seu cargo de senador em outubro, mesmo que não tenha sequer feito referência ao assunto. O acontecimento surgiu depois de um movimento de familiares de torturados, mortos e desaparecidos exigirem a verdade sobre as vítimas da ditadura. Dois casos vieram à tona nesse escândalo.

O primeiro foi o coronel reformado Gilberto Vázquez que confessou no Tribunal Militar que está envolvido em torturas e dasaparecimentos da ditadura. Logo depois o general reformado e senador Guido Manini Rios, um fascista declarado, uma espécie de Bolsonaro do Uruguai, também foi acusado de ter acobertado informações sobre assassinatos na ditadura.

Um dos crimes acobertados foi de Manini Ríos, chefe do Exército entre 2015 e 2019. Nesse período, o oficial José Nino Gavazzo confessou ao Tribunal Militar que Roberto Gomensoro foi torturado, morto e jogado por ele de um avião no Rio Negro em 1973. Diante dos casos, Mujica declarou, antes de dizer que iria renunciar, algo revelador: “É óbvio que entre militares há um acordo, um pacto de silêncio”.

É óbvio mesmo. O que Mujica não expõe é que desse pacto fez parte a Frente Ampla. E mesmo depois de diversas concessões, a Frente Ampla acabou sofrendo um golpe. Em toda a América Latina foi desenvolvido esse pacto de silêncio em torno da ditadura, e de responsabilizar os opressores para que não haja perigo de um novo golpe militar. Sendo que os militares são  “guardiões” do regime político e econômico, é um problema para a burguesia qualquer reforma nas forças armadas desestabilizaria o esquema golpista da burguesia para oprimir as massas e sua inevitável revolta.

A Frente Ampla do Uruguai foi apenas um intermediário entre um golpe, o militar, e outro golpe, que a própria Frente sofreu. Agora depois de ter dado o tempo necessário para a burguesia se recompor, está sendo ameaçada pela extrema-direita fascista que avança dentro do regime político. Isto é, a Frente Ampla foi uma política fracassada. E essa mesma operação que estão tentando compor no Brasil. Por isso mesmo, por encobertar crimes da burguesia e tentar compor com ela para salvá-la, que essa operação antidemocrática deve ser amplamente combativa.

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