Cresce o desemprego
Interesses dos trabalhadores e da direita golpista são inconciliáveis
O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro, durante entrega do Plano mais Brasil – Transformação do Estado ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre
Paulo Guedes abraça Jair Bolsonaro | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na última sexta-feira, 31 de julho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os novos dados oficiais referentes ao desemprego no Brasil. Os números são referentes à segunda semana do mês de julho.

De acordo com o levantamento, o Brasil já conta com 12,2 milhões de desempregados, o que representa um aumento de 700 mil pessoas em relação à primeira semana. A atual taxa de desemprego é de 13,1%. No entanto, a quantidade de pessoas que não estão trabalhando é muito maior, uma vez que os índices de desemprego são referentes apenas às pessoas que estão procurando emprego. No total, o número de trabalhadores que estão fora da força de trabalho — ou seja, que não estavam trabalhando nem procurando trabalho — já chega a 76,9 milhões, segundo a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios focada na pandemia do Coronavírus, a PNAD Covid-19.

A situação do desemprego no Brasil, portanto, já adquiriu proporções catastróficas. No entanto, nada indica que vai melhorar. Muito pelo contrário: os impactos da pandemia de coronavírus ainda não foram inteiramente sentidos pela economia nacional. A fortíssima retração registrada nos Estados Unidos e na União Europeia também irá influenciar de maneira bastante negativa os negócios no País.

Diante desse cenário, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), decidiu enviar um ofício ao presidente ilegítimo Jair Bolsonaro propondo uma reunião para a formulação de um “Pacto Nacional do Emprego”. A iniciativa, que não resultado algum que não seja o marketing em torno do próprio governador, é uma típica fórmula de frente entre a esquerda e a classe dominante que costuma ser implementada por governos burgueses de política desenvolvimentista.

Independentemente do mérito das propostas que seriam feitas por Flávio Dino na reunião que não acontecerá, é preciso destacar que uma frente deste tipo é impossível na atual conjuntura. Afinal, o maior obstáculo para o emprego é o próprio governo Bolsonaro e a burguesia; uma aliança entre esses setores e a esquerda seria, portanto, inviável.

A pandemia de coronavírus apenas aprofundou uma gravíssima crise econômica na qual o capitalismo já estava imerso. O golpe de Estado dado contra Dilma Rousseff, formulado mais de cinco anos antes da pandemia, já era resultado dessa crise. O golpe na Argentina, ainda que encoberto pelas eleições, em 2015 e o golpe em Honduras em 2009 também marcaram uma nova ofensiva da direita sobre os governos nacionalistas na América Latina.

O objetivo dessa ofensiva é justamente o de obrigar os trabalhadores a pagar pela crise capitalista, de fazer com que a burguesia não entre na bancarrota total através de um processo de expropriação violenta do povo. A própria burguesia é obrigada, em alguma medida, a combater o problema do desemprego, de modo a evitar um colapso social. No entanto, todas as “soluções” apresentadas a nível mundial, que servem de inspiração para Bolsonaro e Paulo Guedes, consistem na criação de empregos horríveis para os trabalhadores. Em países como a Alemanha, o povo está sendo obrigado a trabalhar em três empregos para atingir um salário que corresponda às suas necessidades mínimas. As condições de trabalho vão se tornando cada vez mais degradantes e a luta pela sobrevivência, cada vez mais difícil.

E é justamente por isso que, no momento mais dramático para a classe operária nas últimas décadas, durante uma pandemia, o governo Bolsonaro lançou mão de expedientes como o congelamento e o corte de salários e a suspensão de contratos. Até mesmo o auxílio emergencial, uma questão de vida ou morte para muitos, foi sabotada até onde o governo pôde. Trata-se, como podemos ver, de uma guerra dos patrões contra os trabalhadores. Nesse sentido, a iniciativa de Flávio Dino de propor um acordo não cessará a guerra. É preciso, portanto, travar uma guerra dos trabalhadores contra os patrões.

Para garantir sua própria sobrevivência, os trabalhadores precisarão se mobilizar em torno de reivindicações que tirem o peso da crise de suas costas. É preciso reduzir a jornada de trabalho para, assim, aumentar os empregos. E que, obviamente, essa redução não implique em qualquer redução salarial. É preciso também estabelecer uma escala móvel de horas de trabalho para que não haja demissões. Por fim, é preciso haver um aumento geral do salário mínimo, que corresponda às necessidades básicas, e que o governo estabeleça um verdadeiro auxílio emergencial, que seja pago, desburocratizado e com um valor muito superior aos R$600 atuais.

Ao mesmo tempo em que essas medidas trabalhistas são necessárias, é preciso também lançar mão de palavras de ordens mais gerais contra a pilhagem capitalista. É preciso estatizar todas as industrias chaves, colocando-nas sob o controle dos trabalhadores e abaixando os preços, como o que foi feito com o combustível na Venezuela. Por fim, é preciso de uma reforma tributária, não a do governo Bolsonaro, mas uma que acabasse com o imposto sobre o consumo e o salário impusesse um imposto bastante pesado sobre a especulação financeira e os lucros capitalistas.

Esse conjunto de reivindicações, obviamente, não será aceito de maneira alguma pelo governo Bolsonaro ou pela burguesia. Para que ele seja implementado, é necessário haver uma verdadeira mobilização dos trabalhadores e de todos os explorados contra a direita e contra o regime político. Uma mobilização revolucionária, que rejeite integralmente qualquer colaboração com os inimigos do povo.

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