Direita e esquerda juntas
Quanto mais se aproximam as eleições mais evidente fica o apoio da esquerda pequeno-burguesa aos golpisitas
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Eduardo Paes e Marcelo Freixo | Foto: reprodução

Às sextas-feiras sou um dos apresentadores do J5, programa produzido pela COTV com últimas notícias e que vai ao ar na nossa tv 24 horas, de segunda a sexta, às 17 horas. 

Ao preparar a pauta para o programa, deparei-me com duas notícias divulgadas pela imprensa burguesa que dão um pequeno toque nas fartas denúncias que temos feito na nossa imprensa escrita e falada sobre o caráter reacionário da frente ampla, como um movimento impulsionado pela direita golpista e seus meios de comunicação, com o objetivo de promover a “reciclagem” dessa mesma direita pelas mãos da esquerda pequeno-burguesa, parte dela, inclusive, que se autoproclama como “revolucionária”, mas de conjunto, uma “nova esquerda” que advoga os “novos tempos” e à necessidade de superar o PT, leia-se o “lulismo”, taxado como uma esquerda que já cumpriu o seu papel, virou passado.

As matérias em questão, e não é à toa, foram publicadas pelo jornal O Globo, sendo que a primeira, um regozijo do candidato do DEM à prefeitura da capital fluminense, Rio de Janeiro, Eduardo Paes, diante de um elogio recebido do presidente fascista Jair Bolsonaro, foi fartamente divulgado pela imprensa nacional, e uma segunda, uma entrevista com o candidato do PCdoB, Orlando Silva, este à prefeitura da capital paulista.

Um primeiro aspecto e isso não é coincidência, é que se tratam das duas principais capitais brasileiras. Reproduzo abaixo, as duas declarações que são objeto desta coluna:

“Quem vota no Bolsonaro aqui levanta a mão. O Bolsonaro acabou de declarar em uma live que o candidato dele é o Crivella. Calma! Deixa eu terminar! Vou ganhar voto de Bolsonaro todo. Ele disse assim: ‘Mas não vou falar do outro não que a gente sabe que é um superadministrador’. Então está liberado os bolsonarista votar em em mim” . O Globo, 30/10/2020. 

Esta foi a declaração de um animado Paes em vídeo aos seus correligionários, depois de Bolsonaro anunciar em live o seu apoio ao candidato Crivella, ao mesmo tempo que registrava seu respeito pelo ex-prefeito e atual candidato do DEM.

“Frente ampla de esquerda é uma contradição em si mesma. Ou ela é ampla ou é de esquerda. Eu defendo uma frente ampla antiBolsonaro que permita a retomada do crescimento econômico, a garantia da democracia e de direitos para os trabalhadores. O fortalecimento do Bolsonaro em São Paulo aumenta o risco à democracia brasileira”. O Globo, 30/10/2020.

Como dito, trata-se de uma resposta do atual deputado federal Orlando Silva perguntado sobre se defendia uma “frente ampla de esquerda” nas eleições em uma entrevista ao citado jornal.

Para quem mora no Rio de Janeiro e acompanha a política local e que leia esta coluna, não se espante,  faça uma associação imediata, mas considerando que esta não é a realidade nacional, talvez nem no Rio de Janeiro, vou procurar aprofundar um pouco o significado das duas declarações. 

Primeiro, um ponto em comum. Tanto Paes como Orlando são defensores da frente ampla, o primeiro pela direita e o segundo pela esquerda. Os dois, assim como Fernando Henrique Cardoso, Luciano Huck, Armínio Fraga, Fernando Boulos, Marcelo Freixo, entre muitos outros, foram signatários do manifesto “amarelo” chamando “Direitos Já”, publicado em junho passado, supostamente em defesa da democracia e  contra Bolsonaro, mas, por incrível que possa parecer, o documento sequer cita o nome do presidente fascista.

É por demais pública as relações de camaradagem estabelecidas pelo PSOL do Rio de Janeiro como Eduardo Paes. As páginas deste Diário, mas também em alguma imprensa de grupos de esquerda e na imprensa alternativa progressista apontam a desistência de Freixo à candidatura a prefeito na cidade do Rio, como um acordo para garantir uma novo mandato para Paes, se possível ainda no primeiro turno.

Moral da história. Como explicitou Orlando Silva, o objetivo da frente ampla é o de unir todos os “democratas”, golpistas e não golpistas, de direita e de esquerda numa grande frente política em defesa da “democracia”, mas isso é uma meia-verdade. Vale para a aliança com os golpistas, mas não para Bolsonaro, como deixou evidente o entusiasmado Paes. Trata-se de uma tentativa de passar “alhos por bugalhos”.

Uma coluna permite uma certa liberdade de escrita, pelo menos na imprensa do PCO, mas, mal comparando, o que a esquerda defensora da frente ampla faz  é o mesmo que Bolsonaro e a extrema-direita fazem quando dizem defender a pátria, a soberania nacional, entre outras diatribes grotescas, uma empulhação total.

A esquerda defensora da frente ampla nada mais é do que uma correia de transmissão do golpe de Estado. Os seus dirigentes há muito tem presente o papel que cumprem, que é, em essência, buscar um lugar “ao sol” dentro do regime que os golpistas querem estabelecer. A direita responsável pelo golpe tentou em 2018, mas tiveram de se contentar com Bolsonaro e agora buscam pelas mãos da própria esquerda, uma nova cartada pelas mãos da frente ampla em um jogada a la argentina ou boliviana

Aqui, como nesses países, para a esquerda, tem tudo para custar muito caro. Mas o que importa senão suas ilusões? Nesse afã, brincam com o fascismo. Seria cômico, não fosse a realidade das massas explorados do Brasil. Isso é a frente ampla, que encontra seu complemento bolsonarista  com Paes, entre muitos outros e a “nova esquerda” que acredita ser possível acabar com a luta de classes no País, quiçá no mundo.

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