Um partido liberal
Ditadura é só na Coreia do Norte, no Brasil dá até para votar junto com o governo golpista
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Luciana Genro, deputada estadual no Rio Grande do Sul. |

O jornal O Globo trouxe á baila mais de dez dias depois a notícia de que o vereador do Psol do Rio de Janeiro, Brizola Neto, teria apresentado na Câmara de Vereadores da cidade uma moção em homenagem à Coreia do Norte. Com as piores intenções da imprensa golpista, O Globo procurou com isso realizar a típica campanha de assédio moral contra a esquerda. Porém, o que mais chamou a atenção foi a reação dos colegas de partido de Brizola Neto. Parlamentares do Psol correram para atacar a iniciativa do vereador carioca.

Em primeiro lugar é preciso dizer que esses elementos do Psol fazem uma seleção bastante peculiar do que é uma ditadura. Para eles – e para o imperialismo -, a Coréia do Norte é uma ditadura, alguns dizem que Cuba e Venezuela são uma ditadura, já o Brasil de Jair Bolsonaro, não. Peça para um desses psolistas afirmarem com todas as letras e toda a facilidade com que acusam a Coreia do Norte que o Brasil é uma ditadura e logo receberemos uma tonelada de explicações pseudo-acadêmicas para mostrar que “não é bem assim”. Mais ainda, será que esses parlamentares do Psol estão igualmente preocupados em atacar os Estados Unidos como uma ditadura? O que dizer da Bolívia, Colômbia e Chile? É a ditadura seletiva e quem faz a seleção, claro, é a imprensa imperialista.

Em segundo lugar, é preciso dizer que o mundo não é dividido em ditadura e não ditadura, seria um critério superficial e em grande medida falso para definir qual seria a posição a ser tomada diante de um problema político. Este é apenas uma problema de forma. Por exemplo, muitos, até mesmo setores do Psol, vão dizer que Cuba é uma ditadura, mas lá as pessoas comem, têm saúde e têm onde dormir. No Brasil, não. Portanto, essas “ditaduras” cubana e norte-coreana parecem ser realmente terríveis; fiquemos, então, com a “democracia”  brasileira.

Em terceiro lugar e talvez mais revelador sobre o caráter político e de classe do Psol é o desrespeito com que tratam os países cujos povos realizaram grandes revoluções contra o capitalismo. As conquistas sociais que existem na Coreia são resultado dessa revolução, independentemente de qualquer interpretação ou juízo que se possa fazer do regime daquele país. A revolução feita pelo povo coreano expropriou os capitalistas e procurou instituir um Estado operário que garantisse conquistas mínimas para a população. Se esses elementos do Psol não respeitam nem mesmo isso, o nome socialismo do partido é o que realmente é: apenas um nome. Na realidade o Psol – em particular seus principais dirigentes e parlamentares – é uma espécie de Partido Democrata norte-americano, com ideias liberais. Na melhor das hipóteses, Freixo, Sâmia, Luciana Genro e cia são esquerdistas liberais, nada mais do que isso.

No mais, é preciso mostrar o cinismo oportunista da posição sobre a Coreia do Norte. Diante da ” denúncia” de O Globo, os futuros candidatos correram para mostrar que a posição de Brizola Neto é “isolada”  no partido. Em busca do voto dos leitores do Globo e da classe média que, assim como eles, acreditam na “terrível ditadura” da Coreia do Norte, saíram para atacar Brizola Neto. A posição é de um oportunismo rastejante.

Nunca é demais lembrar que dias antes, Luciana Genro estava muito preocupada em seu sítio na internet em defender os brigadianos – PMs gaúchos – no momento em que a polícia é vista por cada setores cada vez mais amplos da população como uma verdadeira máquina de guerra contra o povo. Genro não está sozinha em sua posição pró-PM, Freixo está sempre pronto a defender a polícia. Os que chamam a Coreia de ditadura defendem os democráticos PMs brasileiros.

E os mesmos que estão prontamente dispostos a atacar a Coreia e a moção e Brizola Neto na Câmara dos Vereadores votaram a favor do pacote anticrime que aumenta a repressão contra o povo. Ou seja, na moção em solidariedade à Coreia do Norte não dá para votar, mas no pacote de Sérgio Moro e Alexandre de Moraes, dá. Mais uma vez, temos que dizer: ditadura é na Coreia, aqui no Brasil dá até para votar junto com a direita fascista.

Esse fato, assim como tantos outros, só reforça a ideia de que o Psol é um partido liberal. Nesse sentido, um partido com uma ideologia caracteristicamente burguesa, composto por elementos da classe média.

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