A formação da frente ampla
Com a decisão de apoiar o candidato do DEM, o PSOL ingressa definitivamente na política de colaboração de classes com a burguesia e a direita golpista
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Freixo retirou sua candidatura para apoiar Paes do DEM | Arquivo.

Nem bem começou o segundo turno das eleições municipais, o deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, anunciou seu apoio e de seu partido ao candidato do DEM, Eduardo Paes. “Muito importante derrotar o Crivella”, afirmou o psolista para justificar a aliança eleitoral com a direita.

A decisão de Freixo não deve impressionar nem pelo fato nem pelo excesso de direitismo. Vejamos uma coisa de cada vez.

Marcelo Freixo é sem dúvida o nome mais significativo do PSOL do ponto de vista eleitoral. Chegando ao segundo turno contra o próprio Crivella nas eleições de 2016, Freixo contou com o apoio da rede Globo, revista Veja e da imprensa golpista em geral. Apresentando um programa direitista e uma carta de “boas intenções” econômicas para a burguesia, Freixo se colocou como o candidato oficial da burguesia no Rio de Janeiro.

Naturalmente, Freixo seria o candidato do PSOL à prefeitura este ano. Não foi o que aconteceu. Marcelo Freixo retirou a candidatura e o partido lançou Renata Souza, nome desconhecido. Na prática, a decisão de Freixo significou a abdicação do PSOL da disputa da eleição. Na época, este Diário denunciou que o que estava por trás da decisão era um acordo de Freixo com a direita em torno da candidatura de Eduardo Paes. O que os une é que ambos são candidatos da frente ampla que está sendo costurada pela direita tradicional, sendo Paes, o nome preferido da burguesia.

Na época, esse fato ficava escondido por trás das justificativas de Freixo de que não havia “unidade em torno da esquerda”. A rápida decisão de apoiar o DEM no segundo turno desnudou sua verdadeira política desde o início da eleição. Freixo, que não se moveu na campanha da candidata do PSOL, correu para declarar seu apoio ao candidato do DEM.

A rede Globo, ou seja, a ala mais tradicional da direita golpista, só podia ter um candidato. Freixo abriu mão para que Paes fosse esse representante, agora ele apoia Paes, com a desculpa de derrotar o bolsonarista Crivella.

Apoio ao DEM: PSOL se alia à direita

O PSOL é uma dissidência do PT de 2004. Parlamentares petistas saíram do partido com o discurso de que era preciso formar um novo partido, em defesa do “socialismo com liberdade”, afirmando que levariam adiante uma política diferente da levada pelo PT no governo, ou seja, reformista e de conciliação com a burguesia. A colaboração de classes era um dos carros-chefes do discurso da política do PSOL contra o PT, embora os próprios fundadores do PSOL estiveram comprometidos com essa política do PT durante as décadas anteriores e inclusive durante os primeiros momentos do governo Lula.

Na realidade, o discurso dos dissidentes do PT que formaram o PSOL não passava de mera propaganda eleitoral para procurar morder parte do eleitorado de classe média esquerdista descontente com o PT.

Com o passar dos anos, o PSOL foi revelando aquilo que desde o início já havia ficado claro, tornando uma ala de classe média esquerdista daquilo que era o PT. Não convém aqui contar toda a história do PSOL como uma versão ainda mais pequeno-burguesa do que é o PT, mas a experiência com as eleições atuais pode ser considerada definitiva.

O apoio de Marcelo Freixo a um candidato do DEM é o ingresso definitivo do partido não apenas em uma política de conciliação de classes, mas numa política direitista. Ou seja, não se trata de qualquer aliança com a burguesia, mas de uma aliança com seus setores mais direitistas. Tudo isso, em pleno golpe de Estado.

Para os que se confundem com a histeria eleitoral, que leva a uma espécie de vale tudo político, é preciso explicar o óbvio: o DEM não é um partido progressista, não é um partido anti-bolsonarista. O DEM é o partido da ditadura militar, partido dos latifundiários e assassinos do povo. O DEM é um dos principais responsáveis pela ascensão do bolsonarismo. Este é o partido pelo qual Marcelo Freixo correu para declarar apoio.

A esquerda pequeno-burguesa, manipulada pela direita, está se colocando a reboque desta em nome de uma luta contra o bolsonarismo. Mas essa luta não tem valor nenhum na eleição. Na realidade, em nome dessa suposta luta contra Bolsonaro, a direita tradicional sai vitoriosa e fortalecida nas eleições e por outro lado, o bolsonarismo continua crescendo de um ponto de vista geral. As eleições não são capazes de conter a extrema-direita.

O PSOL ingressa na política de conciliação de classes. Essa é a política de frente ampla cuja principal função é colocar a esquerda a reboque da direita golpista. Marcelo Freixo é o principal defensor dessa política entre a esquerda, junto com Boulos, Flávio Dinno e Fernando Haddad.

O PSOL se revela o partido da conciliação com os golpistas. A eleição no Rio de Janeiro, com o apoio a Paes, e em São Paulo, com o apoio recebido por Boulos pela imprensa golpista, mostram que o PSOL é a esquerda de confiança da burguesia para levar adiante sua política golpista. Para garantir a continuidade do golpe, a direita quer uma esquerda domesticada e sem base popular, o PSOL se apresenta como o partido ideal para esse golpe.

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