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Os resultados apresentados pela justiça eleitoral para as eleições do último domingo, se contrapuseram, e muito, até mesmo às pesquisas fraudulentas apresentadas poucas horas antes do pleito que, mesmo com toda a manipulação costumeira do processo eleitoral, chegar a mostrar variações de até 70% de diferença em relação ao que foi divulgado nas pesquisas apresentadas na véspera, pelos órgão que são vinculados aos principais monopólios da imprensa golpista como o Ibope/Globo-Estadão e o Datafolha/Folha de S. Paulo.

Com mil piruetas os “analistas”procuram explicar na TV tamanha “margem de erro”, alegando mudanças bruscas no estado de ânimo do eleitor, diante de uma campanha que – praticamente – não existia ou ainda atribuindo o resultado a um suposto apoio do candidato direitista Jair Bolsonaro, que praticamente não fez campanha nem para si mesmo, mas teria sido decisivo na eleição de supostos aliados.

Como mágica, elementos sem qualquer popularidade, sem campanha colossais, sem nada, saltaram da quarta ou quinta colocação para a liderança nas urnas.

Assim, elementos reacionários e que tinha dificuldade até para se elegerem deputados em eleições anteriores (não eram portanto “novos”ou elementos “de fora da politica” etc.) tornaram-se recordistas de votos como o ultra reacionário major Olímpio, senador eleito com mais de 9 milhões de votos, em São Paulo.

Não faltaram a ultrapassagem, sem qualquer motivação excepcional, de candidatos da esquerda que haviam se oposto ao golpe de estado, como a presidenta Dilma Rousseff, em Minas Gerais, do vereador Eduardo Suplicy, em São Paulo, e do senador Roberto Requião, no Paraná, todos com derrotas acachapante e na reta final, nas eleições para o Senado.

No Rio de Janeiro, mesmo com o apoio do ex-governador que figurou no segundo lugar das pesquisas, por mais tempo, e que se encontrava 48 h antes do pleito na segunda colocação na disputa para o governo, o senador Romário (Pode), foi ultrapassado por dois candidatos que ocupavam a terceira e quarta colocações, sendo que um deles, Wilson Witzel,  de forma inesperada, assumiu a dianteira no dia da eleição, obtendo mais de 40% das eleições; o dobro do percentual de votos do segundo colocado, Eduardo Paes (DEM), que liderou as pesquisas até a noite anterior.

Fenômeno semelhante se deus em Minas Gerais, onde o candidato do Novo, Romeu Zema, ultrapassou o governador petista, Fernando Pimentel e, até mesmo o tucano Anastasia, chegando na frente com cerca de 43%. Um crescimento mágico de cerca de 30 pontos percentuais,  em pouco mais de 24 horas. Uma “mágica” sem igual.

Nesses e muitos outras casos, a “vontade das urnas”, se impôs à suposta vontade das ruas expressa pelas pesquisas e a tudo que se poderia supor. Sem explicações reais, que nua sejam a mais deslavada fraude.

O silêncio da esquerda diante desse processo fraudulento evidencia a enorme capitulação política que se teve como ato principal a aceitação da cassação de Lula, aprovada pelo TSE golpista e clamada pelos militares, contra a qual a direção do PT não se insurgiu, aceitando a politica dos setores mais direitistas que defenderam por meses a fio – contra a vontade das bases do partido e da militância das organizações de luta dos explorados – a substituição de Lula por um “plano B”.

A crença cega no regime democrático, que nunca existiu de fato no País, e cujo arremedo existente desde o fim do regime militar, virou pó com o golpe de Estado de 2016, fez a esquerda ficar calada e, ainda agora, manter a ilusão que é possível derrotar os golpistas nesse campo minado, em que a “vontade das urnas” reflete os interesses – ainda que conflitantes – das principais alas da burguesia golpista.

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