França mostra que o imperialismo pode ser dobrado por uma mobilização popular

A protester wearing yellow vest, a symbol of a French drivers' protest against higher fuel prices, stands on the red light on the Champs-Elysee in Paris

A situação do governo francês é um ótimo exemplo de que ganhar a eleição não significa que o governo é popular e muito menos o torna inquebrantável. Neste sábado (8), está se realizando  a quarta onda de manifestações, que agora tomaram proporções muito maiores do que as iniciais reivindicações dos coletes amarelos contra o aumento do diesel.

Cada vez mais outros setores da população estão se somando às mobilizações e com isso aumentando o número de reivindicações desta. A política neoliberal de Macron com o ensino na França fez com que os secundaristas se mobilizassem e fizessem um bloqueio em centenas de escolas pelo país, tendência também observável nas universidades francesas, igualmente paralisadas. Outro setor considerável que está se mobilizando é a população imigrante que vive, principalmente, nos subúrbios, e sempre foi um dos primeiros a ser atingido pelas políticas de austeridade governo francês, e previamente flagelado pelo imperialismo. Estamos diante de uma possível paralisação de todos os setores populares, principalmente operários, contra o regime político.

As manifestações conseguiram, por duas vezes, conquistar suas demandas, e portanto a tendência é aumentar cada vez mais, provando o seu caráter revolucionário, que avança conforme a recuada do Estado.  A burguesia encontra-se acuda e teme a derrubada do governo. Segundo a própria mídia francesa, seria a maior crise política na França depois da segunda guerra mundial, e embora esta afirmação desconsidere os ocorridos em 1968, mostra como a burguesia encara a situação atual temerosamente e entenda o movimento como algo fora do seu controle.

A violência e o quebra-quebra estão traduzindo o tamanho do descontentamento, enquanto uma parcela minoritária se autoproclama pacífica, a outra pretende se direcionar para o Palácio do Eliseu no dia 8, lugar onde reside o presidentes franceses, encontra-se seu gabinete e se reúne o Conselho de Ministros.

Emmanuel Macron fez diversos apelos para os partidos, sindicatos e autoridades públicas para que estes peçam aos manifestantes que sejam pacíficos e contenham-se, visto que não se pode fazer muito para impedir que o povo saia às ruas. Estipula-se a possibilidade do exército intervir nas ruas ou assumir o regime político se a situação continuar fora do alcance do Estado Francês. O único partido que veio concretizar o apelo patético do presidente francês, foi o Partido Republicano, os demais estão com medo de se posicionar, e estão tramando no parlamento uma nova eleição. Não está na palavra de ordem de nenhum desses partidos, nem de esquerda nem de direita, o Fora Macron ou Macron Renuncie, como quer as exigências da população francesa , o que mostra o desalinhamento desses partidos em ralação a população que protagonista uma verdadeira revolta. A France Insoumise ( França Insubmissa) de Mélenchon, partido pequeno-burguesa da esquerda francesa, ao invés de aderir e liderar o movimento, atualmente desorganizado, está optando por manobras parlamentares, com medo de levantar uma palavra de ordem que deslegitime as recentes eleições francesas, assim como a esquerda brasileira que não adere ao Fora Bolsonaro alegando que ele ganhou democraticamente e está cedo demais para tal reivindicação. O povo se movimenta independentemente do que querem os burocratas e pequeno-burgueses da esquerda. Já o Rassemblement National (Reunião Nacional) – que até 1° de julho ainda era Front National (Frente Nacional) -, está timidamente apoiando os levantes, visto que a desobediência do regime político vigente também significa um repúdio à extrema direita, esta só manobrará e liderará o movimento se a esquerda continuar escondida e sem iniciativa.

O fracasso burguês de criar uma falsa alternativa aos partidos tradicionais da França é representativo da falência do capitalismo e do imperialismo com suas política neoliberais. O povo francês reconhece um programa político nocivo a sua sobrevivência, pouco importa seu nome ou sua roupagem. A eleição, como sempre, não refletiu de maneira precisa a realidade, e mesmo eleito Macron continuou fraco e minoritário.

Um desenvolvimento bem sucedido da rebelião popular vai depender do movimento operário, cujo alguns sindicatos ainda discutem se devem ou não aderir à insatisfação popular, e sua capacidade de liderança e organização.

A classe trabalhadora francesa mostra o caminho para o os trabalhadores do Brasil: se rebelar de maneira radical contra a direita e desconsiderar o resultado das eleições. Colocar de pé uma frente única dos movimentos populares contra o golpe imperialista no Brasil; contra os militares, Bolsonaro e os demais golpistas.