Franceses mostra o caminho: Macron recua diante de protestos

Protesters wearing yellow vests, a symbol of a French drivers' protest against higher diesel taxes, stand near a burning car during clashes near the Place de l'Etoile in Paris

O protesto dos chamados “coletes amarelos”, que se originou na França e está se espalhando para outros países como a Bélgica, é um acontecimento político da maior importância. Em primeiro lugar e mais importante de tudo, os coletes amarelos apontam para a esquerda brasileira e internacional o único caminho para enfrentar a onda de golpes e a política neoliberal de profundos ataques contra o povo: a mobilização dos trabalhadores nas ruas.

Estes protestos, a exemplo do que aconteceu na greve dos caminhoneiros no Brasil, deixaram a esquerda brasileira, francesa e internacional atônita. Em ambos os casos, tanto o brasileiro quanto o francês, a mobilização aconteceu em torno do problema do preço dos combustíveis. Outra similaridade entre os dois protestos é o fato de ambos terem surgido ‘espontaneamente’, sem que tivessem sido organizados pelos partidos de esquerda, sindicatos e movimentos populares. Explorando a confusão de setores da esquerda, tanto a burguesia brasileira quanto a francesa se lançaram em uma política de tentar tomar as rédeas dos movimentos, de forma análoga ao que aconteceu aos protestos de 2013 de julho no Brasil.

Os “coletes amarelos”, que mergulharam o governo Macron em uma crise extraordinária, conseguiram impor ao governo francês uma grande derrota. Depois de ter sido forçado a suspender o aumento nos combustíveis por seis meses, de modo a tentar encerrar os protestos, Macron foi obrigado a recuar ainda mais e desistiu de aumentar, ao menos por hora, o preço dos combustíveis.

As mobilizações na França tem um significado especial, uma vez que o presidente francês, Emmanuel Macron, foi eleito em uma manobra muito similar à que elegeu Jair Bolsonaro. Isso mostra que a direita encontra-se em uma sinuca de bico. Por mais que consiga, através diversas manobras, empurrar candidatos desconhecidos e impopulares, a política neoliberal é tão agressiva que os povos massacrados inevitavelmente se levantarão contra estes governos, por mais capituladoras que sejam as direções do movimento operário e popular.

Os “coletes amarelos” são a prova viva de que a política neoliberal não tem nada a oferecer ao povo, senão a miséria e a revolta. Por isso não devemos esperar o governo Bolsonaro começar, muito menos torcer para que ele dê certo. Temos que armar ideologicamente o povo contra o governo Bolsonaro e a sua política de ataques à população. Fora Bolsonaro e todos os golpistas! Liberdade para Lula!