França: Macron, eleito com apoio de todos, não tem apoio de ninguém

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Assim como tem sido anunciado neste jornal, o governo francês do presidente Emmanuel Macron está entrando em uma profunda crise política. Na terça-feira, 9, o país amanheceu com uma greve de profissionais da educação e estudantes, organizada pela Central Geral dos Trabalhadores (CGT), contra a política de ataques aos direitos da população trabalhadora, que tem tido seus direitos constantemente ameaçados pela política dos governos franceses, que dos republicanos (Nicolas Sarkozy), passando pelos socialistas (François Hollande) até Macron, que é de um partido artificial criado pela burguesia, por conta da desmoralização de seus dois principais partidos, têm realizado o mesmo tipo de política.

Macron foi colocado no poder através da campanha terrorista contra o partido da extrema-direita, Frente Nacional, controlado por Marine Le Pen. A política do imperialismo foi de chamar o voto útil em cima de Macron, inflando-o com a ameaça da FN. Macron foi vendido como democrata, racional, defensor das mulheres e das minorias e assim por diante. Mas seus ataques contra a população trabalhadora francesa, quem em sua maioria é imigrante, e também contra os povos oprimidos, nas guerras onde a França está atuando, como na Síria por exemplo, a política de Macron foi semelhante à política dos fascistas da extrema-direita.

O número de manifestações que foram reprimidas à base de  bombas de fumaça, choque e outras táticas de guerra da burguesia contra a população já não se contam mais nos dedos. Adiciona-se a isso a política neoliberal de Macron, que tem destruído todo o bem estar do povo francês, e será explicado porque o presidente francês é tão odiado pela população. Este é o presidente que não deixa nem a população comemorar a vitória francesa na Copa do Mundo.

Por isso, Macron se encontra com tal impopularidade. E seu ministério está caindo aos pedaços. Há uma semana, renunciou o ministro do Interior, Gérard Collomb. Esse é um cargo extremamente importante para a burguesia francesa. Basta ver que a França viveu mais ou menos um ano sob Estado de sítio permanente, com exército nas ruas e uma profunda repressão contra os trabalhadores franceses.

Agora, criou-se uma crise diante da qual Macron e o primeiro-ministro do país, Édouard Phillipe, estão procurando realizar o que eles estão chamando de “reformulação” dos ministérios, mas trata-se de uma política tão sem futuro que na própria imprensa burguesa estão saindo artigos demonstrando que a tal “reformulação” não resolve a “impopularidade”. O nível de impopularidade é tão grande que nem mesmo a burguesia quer ajudar a recompor o ministério, já que diversos políticos convidados para participar negaram participar do governo, o que revela a falta de base política do governo.

O regime francês se encaminha para uma profunda crise política, assim como as outras grandes potências imperialistas. E por isso a extrema-direita fascista tem crescido desta forma no país; pois ao mesmo tempo que a burguesia está em crise, não se encontra uma alternativa à política oficial do imperialismo. Seria necessário uma política da classe operária, independente politicamente das classes dominantes, que pudesse fazer frente à ameaça fascista.