Desigualdade aumenta
O capitalismo em crise faz aumentar a desigualdade e os bilionários fazem suas fortunas crescerem ainda mais
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Cada vez mais os trabalhadores no mundo conquistam consciência da natureza do capitalismo | Foto de Lisboa, WikiMedia Commons

O capitalismo continua o mesmo. Nas crises, os mais ricos ficam ainda mais ricos, e os mais pobres vão para a miséria absoluta. Neste ano que acaba de terminar, o da pandemia, não foi diferente. “De acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg, as 500 pessoas mais ricas do planeta somaram a suas fortunas US$ 1,8 trilhão, um salto de 31%, o maior desde que o ranking foi criado, há oito anos.” Esses 500 capitalistas terminaram o ano com US$ 7,6 trilhões em seus bolsos, um valor superior ao Produto Interno Bruto que quase todos os países do mundo, com exceção dos EUA e China. (Extra, 2/2/21)

Quem viu sua fortuna crescer mais que os demais foi o norte-americano Elon Musk, diretor executivo da Tesla (fabricante de automóveis e baterias) e da SpaceX (indústria aeroespacial). Ele ganhou na pandemia US$ 139,7 bilhões, o correspondente a 700 bilhões de reais. Quase metade do que o governo repassou aos bancos em março, para que pudessem emprestar aos pequenos empreendimentos no Brasil, mas que nunca chegaram aos pequenos negócios.

Esse multibilionário americano é o mesmo que declarou que “vamos dar golpe em quem quisermos”, sobre o golpe na Bolívia. O lítio da Bolívia (e do Brasil também), alimenta as baterias dos carros elétricos que ele fabrica. E ele expressou o que os capitalistas norte-americanos pensam (e fazem) há muitas décadas: passou no caminho dos interesses deles, eles passam por cima, com golpes de todo tipo. (Brasil de Fato, 25/7/20)

O segundo colocado entre os que mais enriqueceram é o presidente da empresa Amazon. E com isso ficou como o mais rico do planeta. A Amazon faturou mais ainda por conta da pandemia. Vende quase tudo pela internet e usa os mais agressivos meios comerciais para isso, destruindo quase todas as livrarias de rua no mundo, e é uma das responsáveis em alterar muito as formas de consumo no planeta.

Mesmo antes da pandemia, a ONG britânica Oxfam Internacional havia divulgado um relatório onde destacava a desigualdade de renda no mundo, que havia aumentado de forma significativa na última década. No início do ano de 2020 a Oxfam mostrou que “2.153 bilionários têm mais riqueza do que 4,6 bilhões de pessoas”. O que o estudo da Oxfam mostrava era que esse fenômeno não representava um ponto fora da curva, mas era intrínseco ao sistema capitalista. E essa desigualdade é agravada pela super exploração da mulher e do povo negro. A mulher recebe salários menores que os homens e são responsáveis por 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo. (Correio Braziliense, 19/1/20)

Nos primeiros meses da pandemia a imprensa burguesa no mundo todo tentava repercutir a ideia de que a crise provocada pelo coronavírus estava igualando todas as pessoas, já que o vírus não escolhia classe social para atacar. Já nos primeiros instantes da pandemia já se podia ver que nada mais falso que isso. Nada de igualar as pessoas. A pandemia acontecia no capitalismo em crise e só agravava o que estava ocorrendo nessa crise que se mantinha desde 2008. A desigualdade aumentava em todos os níveis, na renda era óbvio, mas também na forma e acesso aos tratamentos médicos. Quem morria mais eram os pobres das periferias urbanas. (BBC, 12/7/20)

O coronavírus não estava mudando nada, só expondo o que o capitalismo tinha criado e que mantinha a ferro e fogo. A super exploração do trabalho, a desigualdade, a miséria e a fome. “Nada mudará no equilíbrio entre capital e trabalho: como lembram quase em uníssono Nora Lustig, professora da Universidade de Tulane e uma das melhores historiadoras econômicas latino-americanas de nossos dias, e Òscar Jordà, da Universidade da Califórnia em Davis e coautor de um dos primeiros trabalhos sobre as consequências econômicas da covid-19 a longo prazo, o que torna essa pandemia diferente é que (felizmente) em termos relativos as mortes são significativamente menores do que nas ocasiões anteriores” (El País, 1/6/20).

A pandemia acelerou a crise em vários países, por isso foram rápidas as iniciativas dos governos em garantir recursos abundantes aos banqueiros e às grandes empresas industriais que estavam perdendo mercado ou aumentando seus custos de produção em vista das paralisações das fábricas e nas ofertas de insumos produzidos em vários países diferentes. Só depois de garantir recursos para as empresas, tendo em vista a possibilidade de revoltas de trabalhadores, é que programas de transferência de renda e de assistência financeira aos trabalhadores foram criados em vários países. O mesmo se deu no Brasil. O Auxílio Emergencial só foi criado depois que se garantiu recursos de mais de R$ 1,5 trilhão aos bancos, em março.

Nessa fase de declínio e crise do capitalismo, a desigualdade só continuará a aumentar, mesmo com as contra medidas de contenção do apetite voraz do capital financeiro. A taxação das grandes fortunas e os programas de transferência de renda são importantes para que se reduza a velocidade do genocídio acelerado da população de trabalhadores pobres. Mas essas medidas não são suficientes para alterar a natureza do capitalismo. Para que isso ocorra, o caminho é outro. Os trabalhadores precisarão assumir o controle dos meios de produção e do Estado.

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