Formar comitês de luta contra o golpe e autodefesa no campo: sem-terras precisam se organizar contra a lei anti-terrorista

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Dia 27 de outubro, o acampamento do MST próximo a Dois Irmãos do Buriti, em Mato Grosso do Sul, ardeu em um incêndio criminoso, ateado por jagunços. Pouco dias depois, dia 30, foi a vez do acampamento Irmã Dorothy, Ceará, passar o inferno na terra, com cento e cinquenta famílias, tendo de acordar no meio da noite para salvar suas vidas em meio ao fogo covarde da burguesia agrária brasileira.

E estes não são casos isolados.

Somente em 2017, foram 71 pessoas mortas por centenas de atentados terroristas como estes, em um massacre que deixa um rastro cada vez maior de violência e terror no campo de nosso país.

Mas os assassinos do campo não atingem toda e qualquer pessoa que desafie as regras de propriedade rural instituídas por nossas leis.

Se que pequenos agricultores e suas famílias são sumariamente assassinados quando buscam um pequeno pedaço de terra para produzir, as grandes empresas do agronegócio, com a Cutrale, tem toda a liberdade para arrancar milhões de dólares de lucro em terras de propriedade da União, e isto há décadas, sem sequer serem questionadas, quanto mais serem acusadas do crime de terrorismo que agora querem imputar aos movimentos sociais do campo.

Em resumo, para a burguesia tudo, para os operários do campo, nada. O seleto clube de latifundiários rurais brasileiros, é óbvio que vêem como um verdadeiro crime o fato de um operário do campo querer ter em suas mãos um pouco de terra viável para produzir.

E se o povo pobre e explorado não pode ter nem um punhado de terra em suas mãos, nas mãos dos grandes latifundiários brasileiros há mais de 500 anos está o poder absoluto de vida e morte sobre qualquer um que até mesmo levante questão sobre este inaceitável privilégio de deter o imenso território nacional, que de geração em geração mantém-se como posse de algumas poucas famílias tradicionais do campo.

Poder de matar, atear fogo, escravizar, torturar, expulsar do campo, enfim exercer qualquer ato terrorista contra qualquer um que pense em democratizar minimamente o acesso à terra no Brasil.

E não bastasse todo este poder, agora, o representante desta corja de assassinos, o fascista Bolsonaro, tomou para si a “missão” de destruir por completo qualquer movimento organizado dos companheiros sem-terra.

O impostor Bolsonaro promete alterar a Lei do Terrorismo para enquadrar como atividade terrorista toda e qualquer forma de organização da luta camponesa no Brasil.

E se ele conseguir, a nova lei será muito mais do que um sinal verde para a matança: representará uma verdadeira ordem para que um mar de sangue tome conta do campo, um massacre com o claro objetivo de mandar para a cova um por um dos companheiros de luta do MST e demais movimentos pelo acesso à terra no país.

É óbvio que movimentos sem-teto, nas cidades, também estão no alvo fascista dos grandes especuladores imobiliários, e se confrontarão da mesma forma com uma violência nunca vista em nossa história.

Na verdade, a Lei do Terrorismo de Bolsonaro servirá justamente como autorização legal para a burguesia exercer ainda mais livremente o mais amplo terrorismo no campo e na cidade, e se os movimentos de ocupação rural ou urbano são os alvos prioritários, é claro que esta mesma violência será exercida contra sindicatos, partidos políticos e todas as organizações populares e operárias do nosso país.

A situação é gravíssima e impõe a todos os movimentos de massas a tarefa urgente de organizarem-se em comitês de auto-defesa que sejam de fato capazes de impedir e neutralizar qualquer ataque a organizações, famílias e militantes da luta operária, do campo ou da cidade.

É preciso mostrar aos fascistas, com organização e combatividade, inclusive com o uso da violência se preciso for, que não será nada fácil, pelo contrário, será impossível, destruir o movimento dos companheiros sem-terra e sem-teto.

Além disto, os movimentos de luta e toda a esquerda, que de fato seja combativa, deve se mobilizar desde já para impedir, a todo custo, que seja aprovada a legalização do terrorismo contra os movimentos populares.

Não se pode permitir que a burguesia se sinta confiante nem mesmo para tentar passar esta lei, quanto mais para colocá-la em prática. A burguesia deve compreender, pela imediata e intensa mobilização dos movimentos populares, que se até mesmo tentar aplicar estas medidas fascistas no Brasil, haverá retaliação à altura, haverá luta, e ninguém mais será pego de surpresa ou indefeso pela covardia assassina daqueles que se acham os donos do mundo em nosso país.