Fora do Fora Temer

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Lembram quando a esquerda usava brinco com Fora Temer, tatuava Fora Temer, fazia Fora Temer humano no gramado do campus da facul, escrevia Fora Temer no copo do Starbucks, fazia brigadeiro Fora Temer, consolo Fora Temer, bucha de chá Fora Temer, peteca de farinha Fora Temer? Acho que deve até existir alguma banda Fora Temer. Algum uspiano psolista deve ter batizado um filho como Fora Temer. Era “cool” ser Fora Temer. Era “hype” ser Fora Temer, e pedir Diretas Já no Largo da Batata, junto com o Caetano, o Boulos e o Capilé. Lembram?

Os Fora Temer vivam na zona sul do Rio, nos bairros nobres das capitais, na Vila Madalena, em Pinheiros, nas casas coletivas, nos centros acadêmicos, nos bares, cafés e baladas neo-hippies descolados da esquerda. Era fácil identificá-los. Eles sempre falavam seu chavão de sempre, antes de puxar o Raça Negra no karaokê:

“Primeiramente, Fora Temer!”

Já o povão, olhava pra tudo isso estupefato, anestesiado, talvez ainda sem entender o que tinha acontecido com Dilma, Cunha, o impeachment, junho, os paneleiros, os patos, os verde-amarelos, aquela doidêra toda. O povo acabou que ficou de fora do Fora Temer. Toda vez que a turma Fora Temer falava “Primeiramente Fora Temer” num ambiente menos aburguesado, a galera se entreolhava meio curiosa.

Daí acabou o governo Temer e com ele o Fora Temer, e um tal capitão ganhou a eleição. Cinco meses se passaram e o povo já não aguenta mais o capitão. O povo, que não teve chance de votar em quem queria votar, explodiu em manifestações de rua por todo o Brasil, e em todo e qualquer ato que você vá, se pode escutar um ruído por debaixo das camadas médias das massas: o Fora Bolsonaro. É Fora Bolsonaro em adesivo, Fora Bolsonaro em faixa, Fora Bolsonaro em cartaz, o povo canta Fora Bolsonaro, grita Fora Bolsonaro, Fora Bolsonaro no sertão, Fora Bolsonaro no litoral, Fora Bolsonaro na favela, Fora Bolsonaro velho, Fora Bolsonaro jovem.

Mas por algum motivo, a esquerda não gosta do Fora Bolsonaro. Quando ela vê um Fora Bolsonaro, desvia o olhar, se faz de surda. Fora Bolsonaro não é cool. Fora Bolsonaro não é hype. Fora Bolsonaro não pega bem. Não tem brinco, nem tatuagem, nem intervenção, nem copo do Starbucks, nem brigadeiro, nem consolo, nem bucha de chá, nem peteca de farinha, nem banda, nem batizado, nem nada.

Pra esquerda, pra essa esquerda, o povo não sabe o que diz.