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Bolsonaro, se colocado pela burguesia e pelo imperialismo na presidência da República – como tudo indica que será –, significará nada menos do que o aprofundamento do golpe de Estado e da política de ataque e repressão brutal contra os trabalhadores levada a cabo por Michel Temer.

É preciso que fique claro: Bolsonaro é cria da burguesia e do golpe de Estado organizado pela direita desde 2012, que derrubou a presidenta legítima, Dilma Rousseff, em 2016, fortaleceu a extrema-direita e prendeu, sem provas, o ex-presidente Lula, além de perseguir os membros do Partidos dos Trabalhadores e, cada vez mais, de toda a esquerda nacional.

O que Bolsonaro fará, imposto ao povo como novo presidente golpista, será radicalizar essa política. O governo Temer tem comprovado que não passa de um fantoche dos militares, que estão tomando o controle de todas as instituições. Isso está perfeitamente sincronizado com a eleição fraudulenta de Bolsonaro, que já têm coordenando sua campanha diversos membros das forças armadas e parte de seu futuro ministério também será liderada por militares.

As eleições foram fraudadas pela direita, a fim de que a esquerda não tivesse a menor chance de acessar qualquer cargo de importância. Eleições em meio a um golpe de Estado são sempre controladas pelos golpistas para assegurar a continuidade do golpe. É uma ilusão acreditar que um partido de esquerda, munido de seu programa de esquerda, possa derrotar a direita nas eleições que pertencem a ela.

Para derrotar a direita golpista, não apenas Bolsonaro, mas todos os que participaram do golpe e fortaleceram a extrema-direita, é preciso mobilizar a única força capaz de fazer frente aos golpistas e à burguesia: as massas trabalhadoras.

Mobilizar as massas implica sair da passividade eleitoral e ir para as ruas, que sempre foram lugar da esquerda e do povo. As ruas não pertencem à direita, que está à vontade para atacar e assassinar militantes de esquerda, mulheres, homossexuais e pessoas do povo graças à passividade das organizações de esquerda.

As ruas pertencem ao povo, que deve se mobilizar para derrotar o golpe, e a mobilização ainda gira em torno da luta contra os golpistas. A mobilização popular neste período que entra gira em torno também do combate contundente a Bolsonaro e à extrema-direita, e, claro, pela liberdade de Lula e de todos os presos políticos do regime golpista.

A esquerda deve se unificar para a nova batalha. Engana-se quem acredita que o segundo turno das eleições será a batalha final. Será apenas o início de um mais duro combate às forças golpistas, e para isso a esquerda deverá organizar os Comitês de Luta Contra o Golpe, formar os Comitês de Auto-Defesa da população e fortalecer os órgãos de classe, como a CUT e o MST. Só assim estaremos à altura da tarefa que se apresenta e poderemos enfrentar essa nova batalha.

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