Entrevista com Emmanuel Lobo
O Diário Causa Operária entrevistou Emmanuel Lobo, pré-candidato do Partido da Causa Operária à prefeitura de Paranaguá (PR)
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Emanuel-Lobo
Emmanuel Lobo, pré-candidato do PCO à prefeitura de Paranaguá (PR) | Foto: Diário Causa Operária

Emmanuel Lobo é o pré-candidato do Partido da Causa Operária à prefeitura de Paranaguá, no Paraná. Ele é professor da rede estadual e está no partido desde 2017, tendo atuado no movimento estudantil, nos Comitês de Luta Contra o Golpe, em caravanas para os diversos atos nacionais pela anulação do impeachment e pela liberdade de Lula e muito mais.

A principal palavra de ordem de sua candidatura é o “Fora Bolsonaro e Lula Presidente, por um governo dos trabalhadores”, que sintetiza todo o programa do partido para as eleições municipais de 2020. Abaixo, a entrevista dada pelo pré-candidato para o Diário Causa Operária.

 

Quando que você se filiou ao PCO?

Eu me filiei em 2017, tendo tomado conhecimento do partido em 2012, ano em que entrei em movimento estudantil. Naquela época, o meu irmão, que acompanhava mais a política, me apresentou ao PCO falando sobre a diferença dos partidos de esquerda e citou o fato de que era o único partido de esquerda que defendia o armamento da população.

Eu estava começando a estudar o marxismo e sempre tive admiração pelas revoluções, pelo Che Guevara e tal, então, apesar de não entender muito bem o processo revolucionário, era claro para mim que o povo armado era muito mais difícil de ser subjugado. No entanto, eu acompanhei o processo do estatuto do desarmamento quando eu era estudante ainda, que foi feito durante o governo do PT. Eu não entendia muito bem porque estavam tirando as armas da população. É uma política errada da esquerda.

Enfim, eu tomei conhecimento do partido em 2012, em 2014 eu acompanhei a campanha eleitoral do partido, vi as entrevistas do Rui e achei muito interessante. Em 2015, comprei meu primeiro Jornal Causa Operária na Bienal da UNE, que foi em Goiânia. Tenho até hoje essa primeira edição que eu comprei do JCO, com o título “O Congresso contra o povo”, tinha o Renan Calheiros e Eduardo Cunha na capa e denunciava o golpe de estado. 

Lá em 2015, eu estava em greve da minha universidade, lutando contra o tucano Beto Richa. Quando eu vi o golpe de estado em nível nacional, eu fiquei muito abismado. Eu já via que o impeachment da Dilma era uma farsa, mas vi a explicação de que aquilo era um golpe de estado através do PCO, ainda fazendo relação com a tese exposta pelo partido no CONUNE, que explicava os golpes em Honduras e no Paraguai e mostrava a relação entre os golpes na América Latina por parte do imperialismo. Para mim, aquilo fez todo sentido. 

Desde então, eu fui ganho para as posições do partido para a luta contra o golpe. Inclusive, eu já estava estudando o marxismo e procurando entender a diferença entre os partidos de esquerda que se dizem marxistas e, obviamente que, nesse momento, o que fez mais sentido pra mim foi o PCO. Em 2016, eu assisti todas as Análises Políticas da Semana pela COTV e em 2017, quando foram chamados os atos aqui em Curitiba contra a condenação do Lula foi a primeira atividade que participei com o partido, aí eu me filiei até me tornar militante. Ingressei na AJR em um primeiro momento, eu fazia parte da Universidade do Paraná (UNESPAR), em Paranaguá, e lá criamos o Comitê de Luta Contra o Golpe, chamado “Comitê resistência carijó contra o golpe”, que ainda segue sendo o maior comitê do Paraná.

 

E com o que você trabalha atualmente e qual a sua formação?

Eu sou formado em administração de empresas pela Unespar Paranaguá, e sou professor temporário do Ensino Médio Técnico no Paraná. Essa seria a categoria dos professores terceirizados do sistema de ensino paranaense, temos que disputar “no soco” as aulas que são distribuídas no estado. 

Inclusive, eu fui um dos demitidos pelo Ratinho Júnior, governador bolsonarista, que acabou com mais de 500 contratos no final do ano passado. Desde então, ele não abriu mais vagas e criou um desemprego em massa na categoria. Eu sou professor do ensino médio técnico e subsequente. Dou aula de administração, logística e por aí vai.

 

E como que tem sido o trabalho do PCO em Paranaguá?

Bom, atualmente eu moro entre Curitiba e Paranaguá. Como as cidades são bem próximas – 80 km de distância, mais ou menos – eu estou sempre uma cidade e outra. Eu vim para Curitiba em 2019 coordenar a sede do partido. Mas de 2016 a 2018, eu fui o primeiro militante do partido lá em Paranaguá e, desde então, a gente aproximou uma série de companheiros lá. 

Como eu falei, a minha atuação era no movimento estudantil e, ao ser “contaminado” pelo “vírus” da luta contra o golpe, a gente, com muito entusiasmo, formou o Comitê de Resistência Carijó contra o golpe, que realizou uma série de atividades na época da campanha pela liberdade do Lula. Por exemplo, realizamos caravanas para todos os atos nacionais. Inclusive, a primeira caravana que a gente organizou foi em 2017 no segundo ato pela anulação do impeachment, que foi em Brasília. Em todos os atos, os parnanguaras, os companheiros do litoral do estado, uma cidade portuária, operária, estiveram representados pelo comitê, e foi interessante porque, apesar de ser um comitê formado inicialmente por estudantes, ele atraiu uma série de setores do movimento operário, como petroleiros professores e portuários. 

Uma coisa que a gente fazia muito era as colagens de cartaz. A gente colava nos terminais de ônibus, nos pontos de ônibus, nas praças e etc. Desse modo, a gente mantinha a questão da liberdade do Lula como uma pauta constante na imprensa burguesa local, que obviamente procurava taxar a atividade como vandalismo, tentando enquadrar a gente em lei ambiental e essas coisas. Aí, pra “sacanear”, esses ecologistas de direita a gente inclusive colou um monte de cartaz do Lula nas árvores. 

Assim, a gente passou a ser uma força muito agregadora, que inclusive se expressa no fato de outras organizações de esquerda serem muito simpáticas à nossa candidatura. Apesar do PT e do PC do B terem candidaturas próprias em Paranaguá, a gente já recebeu manifestações de apoio de vários outros setores. O que mostra a grande influência e o respeito que a gente desenvolveu na cidade.

Em 2017, num determinado momento a gente começou a ser perseguido por fazer colagens no centro da cidade, aí começamos a fazer as colagens nos bairros operários. Então, a gente ia na casa do pessoal, batia lá e falava “Oi, companheiro. Tudo bem? Nós somos do Partido da Causa Operária e estamos aqui fazendo campanha pela liberdade do presidente Lula e gostaria que o companheiro contribuísse com a campanha cedendo seu muro para ser uma vitrine da luta contra o golpe”. Nisso, a gente colava cartazes no bairro inteiro. 

Através desse trabalho, tivemos um contato muito grande com o povo. Houve uma época em que uma parte da esquerda acreditava na suposta popularidade do Bolsonaro, a gente sempre soube que isso não era verdade. Mesmo companheiros de outros partidos e organizações de esquerda que estavam nesse trabalho junto conosco percebiam isso por conta própria, através dessa atividade que fazíamos com o povo. Fica claro que o povo majoritariamente apoia o ex-presidente Lula e é contra o Bolsonaro. 

Neste momento das eleições, inclusive, nós reaproximamos vários companheiros que acabaram ficando paralisados por toda essa política das direções da esquerda com o “fica em casa” e tal. As eleições estão sendo um elemento agregador.

 

E como será a campanha eleitoral do PCO em Paranaguá?

Então, nós iremos realizar um seminário nacional eleitoral na próxima semana que irá tirar um plano da campanha a nível nacional, para definir planos, metas e tudo mais. De todos os modos, o que pretendemos fazer aqui em Paranaguá é retomar todas as atividades que um dia a gente executou. No auge do comitê de luta, a gente chegou a realizar mutirões semanais, na chamada Feira da Lua, que ocorria toda terça-feira na praça central da cidade. Também, na época da Copa, em 2018, nós realizamos transmissões dos jogos com os trabalhadores. Realizamos, também o Cine Marx, em que passávamos filmes. Então, o que queremos para a nossa campanha é retomar todas essas atividades. Na pandemia, mesmo com a devida segurança, ainda tem muita coisa para se fazer. As pessoas estão querendo fazer as coisas porque não dá mais pra ficar parado.

 

E quais que são as principais propostas do partido para as eleições em Paranaguá?

Então, hoje mesmo eu dei uma entrevista para uma rádio local. Lá, eu expliquei que, ao contrário dos outros partidos, o PCO não tem como objetivo formar candidaturas pessoais. Nós somos candidatos do partido, com um programa político que nós queremos discutir. Não só discutir, mas também criar um acordo comum para lutar pelos nossos interesses de classe. Diferente das outras legendas e agrupamentos que fazem da eleição um espaço da demagogia política e da propaganda inócua. O que nós queremos nas eleições é chamar os trabalhadores a lutarem contra o genocídio que está chegando para todos nós. O país já está chegando a 150 mil mortos. No Paraná, os números oficiais dão 4 mil mortos. E esses números estão fraudados pelo governo, que separou os mortos por coronavírus dos mortos por Síndrome Respiratória Aguda, que são a mesma coisa. Se você somar esses números, já chegamos a 10 mil mortos no Paraná. Para um estado com 11 milhões de habitantes, é um número parecido com os mortos da cidade de São Paulo, que tem aproximadamente o mesmo número de habitantes.

A situação é bem grave e o nosso objetivo de campanha é denunciar a situação em que o país está colocado. Nossa palavra de ordem é “Fora Bolsonaro e Lula presidente, por um governo dos trabalhadores”. Isso é algo que a população entende muito bem. Inclusive, sempre que falamos “Fora Bolsonaro” nas ruas ou distribuímos os adesivos, a população sempre relaciona com a questão do Lula. 

E “Fora Bolsonaro, Lula presidente por um governo dos trabalhadores” não é apenas uma frase de efeito. Isso é a síntese de um programa, que foi definido na Conferência Nacional do partido, com 18 itens para apresentarmos nas Eleições municipais. Ele não é um programa ficcional para as eleições, o programa que a gente apresenta nas eleições é o programa do partido. Ou seja, a luta pela revolução, pelo governo operário e pelo comunismo. Por um governo dos trabalhadores, para que aqueles que produzem a riqueza controlem a distribuição dessa riqueza. Uma vez que hoje os trabalhadores produzem tudo e morrem por coronavírus e pela miséria.

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