Dividir os votos do PT
O jornal da imprensa golpista divulga a candidatura de Boulos apresentando seu “amplo apoio” entre artistas, intelectuais e “ex-petistas”
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Um candidato para a classe média | Arquivo

Mais uma vez, de maneira bastante explícita, a imprensa golpista faz propaganda da candidatura Guilherme Boulos a prefeito de São Paulo. A Folha de S. Paulo publicou uma matéria destacando os apoios recebidos pela candidatura Boulos-Erundina por intelecutais, artistas e o que ela chama de “ex-petistas”, “Caetano, Chico e ex-petistas dão apoio a Boulos em SP e reforçam resistência da esquerda a nome do PT” é a manchete da matéria.

Em várias ocasiões, desde que Boulos apareceu ainda como pré-candidato do PSOL, destacamos que sua candidatura servia como manobra da direita e que por isso a imprensa golpista, em geral tão indisposta com a esquerda, divulgava o nome de Boulos de maneira tão amigável, procurando inclusive atribuir à sua candidatura certa popularidade e apoio que de fato não tem.

Esse novo artigo da Folha deixou mais explícito o objetivo central da manobra que a burguesia está levando adiante com a candidatura do PSOL: isolar o PT e pulverizar os votos da esquerda. O próprio título da matéria não nos deixa enganar sobre isso: “reforçam resistência da esquerda a nome do PT”.

O artigo é escrito de maneira a reforçar, isso sim, que Boulos está atraindo para si pessoas que “historicamente apoiaram o PT”. Dá para imaginar o autor do texto salivando enquanto dá a notícia do manifesto, que foi assinado por 200 “personalidades”, de apoio ao candidato do PSOL inclusive por pessoas que fizeram parte de governos do PT.

A matéria frisa que a candidatura de Jilmar Tatto, do PT, foi pouco “produtiva em energizar a militância petista, que já começa a registrar sinais de debandada para outras pré-candidaturas, principalmente a do PSOL” e mais à frente afirma que Erundina “goza de ampla admiração na esquerda paulistana”.

Não dá para ter dúvidas sobre o conteúdo político da operação eleitoral de Boulos. É inegável que a candidatura de Jilmar Tatto no PT favorece a manobra, já que além de não ser um nome popular no partido, Tatto tem relações conhecidos com setores empresariais na cidade.

Mas logicamente não é essa a preocupação da burguesia. O objetivo com a candidatura Boulos, como a matéria faz questão de destacar, é fazer migrar parte dos votos do PT para o PSOL, reduzindo as chances de que a esquerda possa classificar um candidato para o segundo turno e – desta forma – atrapalhe os planos eleitorais da direita e do tucanato.

Mas diferente do que parece à primeira vista não se trata de uma migração à esquerda. Primeiro porque Boulos, a não ser pela propaganda feita por ele mesmo e pela imprensa golpista, do ponto de vista político, ou seja, de seu programa político, não tem absolutamente nada que se possa afirmar ser mais de esquerda do que o PT. Já no quesito apoio popular, o PT, independentemente de sua candidatura, é muito maior do que Boulos e o PSOL.

Também é preciso deixar claro que a operação em torno de Boulos está diretamente relacionada com sua política de participação da frente ampla com a direita golpista o que o torna um elemento de confiança.

Fica claro também que a operação é direitista simplesmente pela análise dos próprios nomes que, segundo destaca a Folha, assinam o manifesto de apoio a Boulos. Ali há tradicionais apoiadores do PT e pessoas de esquerda realmente, mas há também personalidades ligadas a partidos da burguesia, como é o caso de Caetano Veloso, que apoiou Ciro Gomes (PDT) nas eleições de 2018, o cineasta Fernando Meireles, apoiador de Marina Silva, e outros.

A operação em torno da candidatura de Boulos tem em primeiro lugar o objetivo de levar esse setor confusa e heterogêneo da classe média: intelectuais, artistas, professores. Através dessa operação “por cima”, procura-se passar a impressão que a candidatura de Boulos seria a melhor opção para a esquerda, quando na realidade tudo não passa de um golpe de propaganda. Nem é uma candidatura de esquerda – não no sentido geral mas no sentido de ser mais à esquerda do que o PT – nem é uma opção viável do ponto de vista eleitoral.

Enquanto a Folha divulga o “amplo apoio” a Boulos, a direita prepara a eleição de seu candidato, que muito provavelmente será do PSDB. Vejamos os desdobramentos.

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