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Política de contenção

FMI e OCDE preocupados com revolta popular após o fim do auxílio

Temendo uma situação de convulsão social, no Brasil e na América Latina, FMI e OCDE recomendam manutenção do auxílio emergencial, com recursos do povo

Tempo de Leitura: 4 Minutos

Imperialismo teme a explosão de protestos como os do Chile, no ano passado – Foto: Reprodução

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Em entrevista para grandes órgãos da imprensa capitalista, realizada ontem, a diretora do FMI (Fundo Monetário Internacional) Kristalina Georgieva – ex-diretora-geral do Banco Mundial (2017 e 2019) -alertou que “o fim prematuro do auxílio emergencial pode significar obstáculos à recuperação econômica“, destacou que o aumento da desigualdade que pode fazer com que o continente latino americano alcance a marca de 30 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, dos quais de 24 milhões (80%) estariam no Brasil e expressou o receio que a situação pode dar lugar a um aumento das tensões sociais.

“…a preocupação número um é que a pobreza aumente —vimos o desemprego no Brasil aumentar. Retirar o apoio poderia significar um obstáculo para a recuperação […] Cortar essa corda de salvamento prematuramente é um perigo para a pobreza e a desigualdade e também para o sucesso na recuperação mais rápida e robusta”.

Kristalina Georgieva durante entrevista, nesta terça (15) – Divulgação FMI

O miserável auxílio emergencial tem fim previsto para 31 de dezembro próximo, depois de ter sido reduzido pela metade, em setembro, passando de R$600 para R$300. No entanto, segundo Kristalina Georgieva “cortar essa corda de salvamento” cedo demais pode ser perigoso.

A economista defende que países que ainda têm espaço fiscal devem utilizá-lo para acelerar a recuperação econômica, mas, no caso do Brasil, diz que essa margem é limitada e que as autoridades precisam se comprometer com o teto fiscal ao mesmo tempo em que protegem a população mais vulnerável.

Kristalina conversou com a Folha, El País (Espanha) e Excélsior (México), nesta terça-feira (15), em uma evidente campanha em favor das posições do imperialismo em relação à região, que também foram divulgadas pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).  As declarações da dirigente do Fundo foram feitas após evento para debater a crise na América Latina, que concentra concentra 8% da população mundial, mas tem que na pandemia é uma das mais atingidas, tendo 20% do total de casos e 30% das mortes pela Covid-19.

OCDE

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) também recomendou que o Brasil amplie o programa Bolsa Família. A sugestão foi publicada em relatório sobre a situação econômica do país.

Segundo o documento da organização comandada pelas maiores potências capitalistas, a conta deveria ser paga pelos trabalhadores

“será possível ampliar do número de beneficiários do programa e aumentar o valor das parcelas com a economia gerada com o fim dos reajustes acima da inflação para os benefícios previdenciários. A correção é feita com base no salário mínimo, que é com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).”

A OCDE evidencia que é com o roubo da pequena reposição do valor do salário mínimo feita nos anos anteriores que o governo golpista brasileiro deve sustentar o pagamento do benefício.​ Ou seja, a conta deve ser paga pela própria população.

Maior do que a preocupação com o sofrimento da população, é o com a defesa das contas públicas, ou seja, do orçamento que serve para sustentar os abutres capitalistas. Assim a dirigente do FMI, recomenda que o auxílio se dê apenas nos estritos marcos do “espaço fiscal”, ou seja, nada de “estourar o teto” para proteger a população.

Assim a dirigente do FMI recomendou,

Alguns países ainda podem fazer mais, como México, Chile, Peru ou Colômbia, onde ainda há algum espaço fiscal para ação.Alguns países não, porque já fizeram muito, como o Brasil. E o Brasil também tem uma limitação de quão longe pode ir. Eles têm uma regra fiscal [teto] ou não tinham espaço fiscal para começar.

Portanto, há um ritmo para se beneficiar de taxas de juros muito baixas, e os países têm que mudar gradualmente o apoio, priorizando onde faria a maior diferença. E então todos precisam dar uma boa olhada, uma vez iniciada a recuperação, como equilibrar as contas. E, em alguns países, isso significaria reavaliar o sistema tributário.

 

Falsas perspectivas positivas

O FMI projetou uma contração de 3,3% para mercados emergentes de um modo geral, em 2020. Mas no caso da América Latina, a queda no PIB prevista foi de 8% .

No entanto, sob o embalo da “campanha da vacina” , realizada em meio à maior onda de casos e mortes pela Covid-19 após vários meses em todo o mundo, a dirigente do FMI procurou mostrar um “otimismo” e ao mesmo tempo incerteza

“há boas notícias nas vacinas se tornando disponíveis mais cedo”

“mas também vemos uma segunda onda de transmissões [de Covid-19] impactando massivamente Europa, EUA e países na América Latina. Isso torna complicada a notícia da transição para a recuperação em 2021”.

Evidenciando que para os funcionários dos grandes monopólios e Estados imperialistas tudo não passa de um cálculo econômico, a dirigente ainda acrescentou que

Fizemos um trabalho aqui no Fundo com a seguinte pergunta: qual é a diferença entre a vacinação acelerada em todos os lugares versus vacinação de sequenciamento, em que as economias avançadas vão mais rápido, alguns mercados emergentes vão mais rápido, mas o resto do mundo vai devagar? Entre 2020 e 2025, a diferença é de incríveis US$ 9 trilhões. Quase 60% disso iria para os mercados emergentes, mas cerca de 40% beneficiariam as economias avançadas devido à elevação do crescimento global, reduzindo a incerteza e retrocessos.

E mesmo em meio ao “otimismo”,  ela destacou – com menos ênfase – a incerteza diante do agravamento da situação, assinalando que

“Não estamos fora de perigo ainda. A pandemia não acabou, a crise de saúde não acabou e, por isso, recomendamos aos países que mantenham apoios mais direcionados para as pessoas mais vulneráveis.Temos visto no início da crise um perigo muito significativo de aumento da pobreza para as quatro grandes economias [da região], Argentina, Brasil, México e Colômbia.”

No fundo, o imperialismo sabe que o Brasil e toda a América Latina, tende a uma convulsão social, a crise é cada vez mais profunda.

Fica evidente também porque a burguesia abriu mão e cedeu o auxílio, que mesmo sendo uma miséria, vai contra a política geral da burguesia de deixar o povo morrer de fome, desemprego e na pandemia para salvar o lucro dos grandes capitalistas.

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