Opinião
Em artigo intitulado “PT e a polarização fake”, Florestan Fernandes Jr., afirma que a tese de que o Partidos dos Trabalhadores (PT) está polarizando é errada.
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Former Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva greets his supporters after being released from prison, in Sao Bernardo do Campo, Brazil November 9, 2019. REUTERS/Amanda Perobelli
Lula em SBC, após soltura. Foto: REUTERS/Amanda Perobelli |

Em artigo intitulado “PT e a polarização fake”, o colunista do Brasil 247, Florestan Fernandes Jr., afirma que a tese de que o Partidos dos Trabalhadores (PT) está polarizando é errada. “Não existe polarização – afirma o autor – existe, sim, o Lula de volta à oposição fazendo ao lado de seus companheiros o embate de ideias.”  E continua: “As especulações sobre a radicalização da política por conta da liberdade de Lula é pura manipulação.”

Segundo ele, o PT não estaria polarizando porque o partido é “uma legenda de centro-esquerda nos moldes dos partidos socialistas da Europa” e Lula é “um grande líder reformista. Seu discurso foi e continua sendo o da conciliação.”

O primeiro erro da matéria se encontra no fato de que o autor procura esconder a realidade, quando afirma que “não existe polarização”. Ora, claramente, ela existe. Isso ficou comprovado pelas eleições de 2018. A polarização significa que o centro político burguês está se desagregando, isto é, as formas tradicionais de dominação política da burguesia já não servem mais, levando a posições mais radicalizadas das classes sociais em luta. Em outras palavras, significa que a conciliação que permite a dominação do centro já não é mais viável, pois as contradições entre as classes estão se acirrando. 

Nas eleições de 2018, isso ficou muito claro. Por exemplo, o PSDB, que é um partido tradicional da burguesia, teve uma votação ínfima, perdendo espaço para a extrema-direita, representada por Bolsonaro. O PSL conseguiu a segunda maior bancada da Câmara de Deputados, atrás apenas do PT.

Já a popularidade de Lula e o PT, ao mesmo tempo, vinha (e ainda está) crescendo exponencialmente, pois a população vê no dirigente e no partido o repúdio ao golpe de Estado e à direita. Ou seja, cresce a esquerda e a direita. O crescimento do Partido da Causa Operária (PCO) como partido importante da cena política também é um fator que demonstra a polarização crescente no Brasil. E a necessidade da burguesia de dar um golpe para derrubar um governo também. Portanto, não dá para negar que a polarização existe e é crescente.

Outro erro do artigo do sociólogo é o de acreditar que “um grande líder reformista” com o discurso da “conciliação” não poderia ser um fator de polarização. A polarização, todavia, não depende de Lula e de sua política de conciliação. Lula cresce à medida que o repúdio ao golpe de Estado e à política destrutiva da direita cresce. Independentemente de se Lula quer ou não.

Lula é um dirigente do movimento operário, portanto, sua base política se baseia nestes setores, que o empurram para a esquerda do regime. Lula simplesmente não pode ignorar sua base, precisa manobrar de alguma forma junto a ela. Desta forma, o Lula conciliador de agora, do momento pós-golpe de 2016, não é o mesmo Lula conciliador de 2002/2006. O Lula de agora está bem mais radicalizado do que em outros períodos, pois é a expressão do movimento contra a direita.

Desta forma, é um erro acreditar que setores reformistas não possam ser um fator de polarização. Dirigentes como Lula, cuja base está na classe operária, podem sim ser a expressão da polarização, uma vez que sua base social os pressionam para a esquerda. Por outro lado, Lula pode até querer conciliar com a direita, mas fato é que isso não é recíproco; a direita está levando adiante uma política de ofensiva contra a esquerda e não de acordo. A polarização, portanto, independe do próprio Lula.

O discurso de Florestan Fernandes Jr. mais parece uma tentativa de apresentar um PT agradável para a burguesia. Por isso afirma: “Quando eu comecei na reportagem de televisão, o mantra repetido à exaustão no rádio e na TV era de que o PT era sectário, radical e não fazia concessões políticas. A história provou exatamente o contrário. Ao chegar ao poder, o PT fez concessões até demais. Governou com desiguais e tinha, em seu governo, intelectuais, trabalhadores, empresários e banqueiros”. Ou seja, não temam o PT, pois este não é revolucionário.

É uma tentativa, comum atualmente na esquerda pequeno-burguesa, de tentar apresentar um PT aceitável para a burguesia, uma forma de buscar um acordo com setores que não o querem. Como foi comprovado, a direita não quer esta aliança. Ou melhor, até apresentam-na, mas como forma de conter a mobilização política dos trabalhadores por meio de uma Frente Ampla.

Desta forma, o discurso de Florestan Fernandes é totalmente fora da realidade, pois a polarização existe e o crescimento de Lula como dirigente é produto dela.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas