Trabalho análogo a escravidão
Fiscalização resgata 59 pessoas escravizadas em MG
Investigação no interior de Minas Gerais encontra em fazendas de café trabalhadores que não tinham nem sequer água potável
Foto-Café-2
Trabalho análogo a escravidão
Fiscalização resgata 59 pessoas escravizadas em MG
Investigação no interior de Minas Gerais encontra em fazendas de café trabalhadores que não tinham nem sequer água potável
Trabalhadores do campo frequentemente são encontrados em condições de trabalho análogo a escravidão
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Trabalhadores do campo frequentemente são encontrados em condições de trabalho análogo a escravidão

Auditores fiscais do trabalho, juntamente com agentes da Polícia Rodoviária Federal, resgataram 59 trabalhadores em condições análogas à escravidão nos municípios de Campos Altos e Santa Rosa da Serra (MG). As ações de fiscalizações foram realizadas entre os dias 19 e 28 de agosto. Além desta barbárie é preciso que seja dito que entre os trabalhadores haviam menores de 13, 14, 16 e 17 anos.

Segundo informações divulgadas pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia – uma vez que o Ministério do Trabalho foi extinto – os trabalhadores estavam em cafezais e faziam o trabalho de recolher os grãos que sobravam nos pés após a passagem da máquina sem qualquer tipo de equipamento de segurança do trabalho. Por mais absurdo que possa parecer,  não havia água potável, nem mesmo instalações para a realização de refeições ou necessidades.

As condições salariais também são um agravante, visto que os valores pagos são inferiores ao salário mínimo que não é capaz de suprir as necessidades de subsistência do trabalhador do campo ou da cidade. Além disso não tinham carteira assinada que permite ao patrão pagar qualquer quantia caso haja qualquer inconveniente. Outro ponto é a ausência da previdência social, não permitindo que o trabalhador tenha direito à aposentadoria ou seguro desemprego.

Tudo isso vem a tona após as declarações de Bolsonaro, realizadas em 30 de julho no Palácio do Planalto para empresários, em que criticava a fiscalização do trabalho análogo à escravidão. Nesse discurso o ilegítimo presidente criticou as regras da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que enquadram o serviço como semelhante ao trabalho escravo. Uma tentativa clara de incentivar esses empresários à desrespeitar as regras estabelecidas e tentar comprar o apoio destes com promessas de menor fiscalização.

O resultado de sua política é esta, fortalecer a burguesia e incentivar os grandes proprietários a explorar ainda mais a classe trabalhadora. Com esse discurso ele deixa claro que se o povo não reagir a escravidão pode até voltar ao Brasil. Para impedir que isso aconteça, a classe trabalhadora como um todo deve se organizar e ocupar as ruas para derrubar o governo Bolsonaro, libertar Lula e exigir eleições gerais.