O “simbolismo” de Boulos
Em entrevista, Guilherme Boulos declarou que o único problema do financiamento de banqueiros ao candidato do PSOL em Duque de Caxias é o “simbolismo” de ser Armínio Fraga
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RIO DE JANEIRO/BRAZIL, 14APR09 - Participants captured during the World Economic Forum on Latin America in Rio de Janeiro, Brazil, April 14, 2009.
Copyright World Economic Forum (www.weforum.org)/Photo by Bel Pedrosa
Armínio Fraga, homem do capital financeiro. | Arquivo.

Em entrevista ao canal da revista Fórum, a jornalista Cynara Menezes perguntou para o candidato do PSOL à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, a sua posição sobre o financiamento recebido pelo candidato do seu partido a vereador em Duque de Caxias (RJ), Wesley Teixeira, de nomes ligados aos banqueiros. O psolista recebeu dinheiro de herdeiro do banco Itaú e de Armínio Fraga, ex-ministro de FHC e homem de confiança dos banqueiros, um reconhecido neoliberal.

Boulos afirmou que “receber dinheiro de Armínio Fraga tem um simbolismo muito grande por ele ter sido ministro de FHC e portanto ele não aceitaria uma doação desse tipo”, sem se referir aos outros doadores.

Trata-se de um problema de preservar as aparências. Boulos quer parecer radical, portanto não aceitaria uma doação que viesse com o “simbolismo” de Armínio Fraga. Mas se de repente outro capitalista menos “simbólico” doar, tudo bem.

Boulos ainda desconversou, afirmando que o assunto já havia sido “resolvido” dentro do PSOL. Quanto a isso, ele se refere ao debate ocorrido internamente em que alguns setores do partido quiseram obrigar Wesley a devolver o dinheiro. Marcelo Freixo saiu em sua defesa, afirmando inclusive que poderia deixar o PSOL caso se concretizasse o pedido de devolução. Marcelo Freixo ainda elogiou Wesley e questionou que a mesma atitude não foi tomada contra sua própria candidatura que na época recebeu financiamento da Natura.

Portanto, quando Boulos afirma que a questão foi “resolvida” significa que o PSOL está apoiando oficialmente que um candidato receba dinheiro dos banqueiros. Boulos também elogiou a candidatura de Wesley Teixeira: “ele é um candidato importante, da periferia, numa cidade dominada pelas milícias”.

A posição de Boulos não pode deixar nenhuma dúvida: o candidato à prefeitura de São Paulo não vê grandes problemas em tais relações com os setores mais reacionários da burguesia.

A justificativa de que Wesley é um “candidato da periferia” dada tanto por Boulos quanto por Freixo, serve para esconder que o candidato do PSOL em Duque de Caxias é um elemento direitista infiltrado na esquerda. Do contrário, um homem tão intimamente ligado aos interesses do imperialismo não teria tanta disposição em aparecer publicamente financiando um elemento de um partido de esquerda. Tal posição revela também que a frente ampla está funcionando na prática.

O PSOL é um partido que caminha muito rapidamente para uma integração cada vez maior com a burguesia. As eleições e sua corrida desesperada por cargos ajuda a revelar o oportunismo e o direitismo desses setores da esquerda.

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