Pelo fim dos vestibulares
A campanha contra a fraude nas cotas raciais é um engodo utilizado pela burguesia para expulsar estudantes das universidades federais
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Cotas
Listagem de candidatos aprovados pós vestibulares | Foto: Carta Capital

Segundo um levantamento feito pela Folha de S.Paulo, 163 estudantes foram expulsos de universidades federais desde 2017 por supostas fraudes no sistema de cotas raciais. Ainda de acordo com os dados de 26 das 69 instituições, há 1.188 denuncias que culminaram 729 processos por fraudes em cotas raciais. A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) é a que mais concentra denúncias com 349 processos e 17 expulsões, já a campeã em expulsões é a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com 44 denuncias e 33 alunos desmatriculados. A UNB, além de expulsar 15 estudantes, também cassou o diploma de dois alunos.

Vale lembrar que os números da matéria não chegam à metade das universidades federais, que a situação de expulsão de alunos é muito maior e que a cassação de matriculas já registradas e ainda em andamento podem superar a quantidade de 1000 vagas com facilidade. E com a campanha contra a fraude nas cotas que vem sendo disseminada, muitos alunos se sentem constrangidos em se autodeclararem de tal etnia ou cor e serem barrados na hora da seleção feitas por comissões que não deixam claro os critérios para ser considerado negro.

Como era de se esperar, a imprensa burguesa e alguns reitores e inclusive estudantes estão louvando a formação de bancas ao qual são definidos como tribunais raciais para identificar quem é negro ou não, indígena ou não, e se pode ou não ingressar nas universidades pelo sistema de cotas raciais. O que é preciso deixar claro é que esse tipo de seleção feita sabe-se lá por quem, e que segue critérios no minimo duvidosos, não passa de uma operação golpista, que se vale da campanha contra as cotas, para expulsar alunos das universidades.

São inúmeros os casos de estudantes que se autodeclaram negros ou pardos, que são classificados pelo sistema de cotas e ao tentarem fazer a matricula, são impedidos devido aos meios que são aplicados nesses tribunais raciais para desenvolver uma avaliação de “heteroidentificação”. O aluno pode até entrar com recurso na tentativa de garantir a vaga, mas até a decisão é provável que tenha perdido o ano letivo, se acaso tiver alguma resposta favorável é claro, situação essa, que vinda do judiciário brasileiro em favor de um negro e pobre é bem difícil.

Esse tipo de campanha contra os “fraudadores de cotas” tem se espalhado com grande velocidade pelas redes sociais e a imprensa golpista, com adesão e aval inclusive de movimentos negros, movimentos sociais, e até de uma parcela grande da esquerda pequeno burguesa, o que configura um verdadeiro absurdo. É importante lembrar que o direito a Educação é um direito básico de todos assegurado pela Constituição. Portanto a luta dos estudantes deve ser pelo fim do vestibular, pelo livre acesso às universidades, e não para ser cúmplice do programa da burguesia de expulsar os alunos das universidades.

É obvio que após o golpe de estado de 2016 as universidades e a educação em geral no Brasil vem sofrendo diversos ataques seja em relação ao sucateamento das instituições, cortes de verbas ou através de legislação que vai tentar de tudo para evitar, dificultar ou até mesmo barrar o ingresso de estudantes de negros pobres e periféricos nas universidades federais. O desmonte na educação é projeto do governo fraudulento e golpista que tomou de assalto o poder no país, primeiro com a derrubada da presidenta Dilma Rousseff e depois com as eleições fraudadas em 2018.

Esses governos direitistas que comandam boa parte dos estados no país não tem o minimo de preocupação com a educação pública, muito pelo contrário, o compromisso deles é com a burguesia e com os capitalistas, para eles seria ótimo privatizar todo sistema de educação publico do país. É preciso lutar por uma educação pública de qualidade e para todos, por um fim nos tribunais raciais, pôr um fim nos vestibulares. A organização dos estudantes mobilizada deve pedir o livre acesso às universidades.

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