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Genocídio

Fim do auxílio emergencial vai levar fome a população

Até mesmo as instituições controladas pelo imperialismo como o FMI e a OCDE já alertam para o aumento da pobreza-extrema e da miséria.

Tempo de Leitura: 4 Minutos

“Com a caneta, eu tenho muito mais poder do que você!” Bolsonaro, Jair M. – Foto: Planalto | Reprodução

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Segundo a mais recente pesquisa do Datafolha, fonte que de antemão suscita dúvidas quanto ao baixo impacto da mesma, o estudo identificou que entre as famílias que recebem o Auxílio Emergencial, 36% não possuem outra fonte de renda para sobreviver. Ao todo 25 milhões brasileiros receberam o benefício que deixará de existir em janeiro de 2021.

O dado alarmante é mais preocupante ainda quando recordamos que houve a redução do auxílio de R$ 600 para os R$ 300 atuais, o que forçou 75% das famílias a reduzirem a compra de comida (!), e outras 65% diminuíram a compra de remédios; itens básicos de para dignidade humana.

Até mesmo instituições controladas pelo imperialismo como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) já alertam os países em desenvolvimento como o Brasil que o aumento da pobreza-extrema e da miséria será inevitável “caso o governo não crie novas políticas assistencialistas”.

Uma eventual prorrogação do auxílio emergencial não pode ficar refém da vontade política da burguesia e de seus representantes no governo e no parlamento. Para estas figuras o Estado não tem dinheiro até que se diga o contrário, como por exemplo, para socorrer os bancos que, lembremos, foram os primeiros a receber incentivos no inicio da pandemia em março deste ano. Cerca de R$ 1,5 TRILHÃO foi doado aos banqueiros. O lucro dos quatro maiores bancos do país em 2019 foi de R$ 81,5 bilhões e os números deste ano mesmo em meio à crise não serão diferentes.

O Ministério da Economia assim como institutos independentes do círculo financeiro dizem que o aumento de despesas para enfrentar a pandemia quando somado à queda de receitas oriunda de impostos elevará o déficit primário para algo próximo de 10% do PIB em 2020. Algo em torno de R$ 733 bilhões. O déficit primário EM 2919 foi de 0,9% do PIB. Deste modo, a dívida bruta deve sair de 75,8% para 90,9% do PIB ou mais.

Estes números astronômicos, entretanto em nada dizem respeito ao trabalhador. Não foi ele quem fabricou a crise e sim os capitalistas que agora tentar contornar a mesma jogando a conta no ombro da classe operária que deve passar fome se necessário para manter os “níveis de segurança para investimento” a salvo.

Diante da situação calamitosa onde mais de 60 milhões de brasileiros se viram obrigados a aderir ao Auxílio Emergencial como única fonte de renda, o encerramento do programa tem um potencial de agravar ainda mais a situação de fome que já atinge mais de 80 milhões de brasileiros, o maior percentual de nossa população em toda a história.

O governo ilegítimo de Jair Bolsonaro e toda a direita golpista que controla os Estados e a esmagadora maioria das prefeituras (o que foi reforçado nas recentes eleições fraudulentas), obviamente não estão nem aí para essa situação. Unidos o “bolsonarismo” e a “direita científica e civilizada” – maior vencedora das eleições – pretendem ratificar essa política criminosa, nome do controle dos gastos públicos, cujo único objetivo é preservar os interesses dos bancos e outros monopólios capitalistas (e suas máfias políticas) que assaltam os cofres do Estado, alimentado pelos impostos pagos pelos trabalhadores.

A realidade é que o país segue agonizando em meio às crises sanitária e econômica, sendo conduzido pelos golpistas a um verdadeiro caos social, o que preocupa parte da burguesia com a possibilidade de perda do controle social.

Mobilizar já pela prorrogação e o aumento do valor do Auxílio

Nesse sentido é preciso que a esquerda e as organizações de luta dos explorados levantem a cabeça e lavem o rosto após a ressaca das eleições e mobilizem por um programa de lutas que vá ao encontro da classe operária que está refém do iminente aprofundamento da crise e consequentemente um maior sofrimento de suas famílias.

A partir dos sindicatos, dos comitês de luta e dos setores da esquerda que se colocam pela defesa da independência de classe é precisa levantar um programa que contemple as reinvindicações mais sentidas pelos trabalhadores diante da crise, junto da luta contra o regime golpista, como é o caso da luta pela manutenção e ampliação do Auxilio Emergencial, com valor de um salário mínimo para todos os trabalhadores desempregados.

Dentre as medidas, é preciso colocar a luta pela reposição integral das perdas salariais e pela escala móvel dos salários, ou seja, por reajustes automáticos dos salários toda vez que a inflação alcançar 3%. É necessária também a luta por um salário mínimo vital, que seja suficiente para atender às necessidades do trabalhador e de sua família, que seja deliberado pelas organizações operárias e que hoje, segundo o DIEESE, não poderia ser de menos de R$ 5,5 mil.

Uma questão central para fazer frente à politica da burguesia golpista é a luta contra o desemprego, diante do que é preciso ocupar as fábricas e empresas contra as demissões incessantes e realizar uma campanha pela redução da jornada de trabalho para o máximo de 35 horas semanais (que todos trabalhem menos para que todos possam trabalhar!).

Estas e outras medidas fundamentais de combate à fome e ao desemprego, só poderão ser conquistadas por meio de uma ampla mobilização, nas ruas, promovida pelos explorados e por suas organizações de luta (centrais sindicais, sindicatos, associações de bairro, partidos políticos) contra o regime golpista. Uma mobilização política que precisa ter como eixos centrais a palavra de ordem Fora Bolsonaro, todos os golpistas e o imperialismo e que defenda intransigentemente a reconquista dos direitos políticos do ex-presidente Lula que representa finalmente uma alternativa própria dos trabalhadores para derrotar o Golpe de 2016, que é comprovadamente o grande culpado pela crise atual.

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