31 milhões na miséria
O fim do auxílio emergencial, o aumento do desemprego e a inexistência de uma política contra a pandemia está provocando a maior tragédia que o país já viu
Foto: Caco Argemi / CPERS - Sindicato
Para enfrentar o desemprego, sindicatos precisam dar um passo à frente e tomar fábricas. | Foto: Cepers/Divulgação
Foto: Caco Argemi / CPERS - Sindicato
Para enfrentar o desemprego, sindicatos precisam dar um passo à frente e tomar fábricas. | Foto: Cepers/Divulgação

Com o fim do auxílio emergencial a população de pessoas que vivem na extrema pobreza deve ultrapassar a casa dos 31 milhões neste início de 2021 segundo Daniel Duque, economista da Fundação Getúlio Vargas. “Duque afirma que o primeiro trimestre será especialmente difícil para as famílias mais pobres não somente pelo fim do auxílio, mas também pelo encerramento de outros programas do governo para estimular a economia, pelo padrão histórico de alta no desemprego nos primeiros meses de todos os anos e pela alta de casos e mortes por Covid-19, que já está levando ao aperto das restrições à circulação de pessoas” (Instituto Humanitas Unisinos, 15/1/21).

A falta de uma política de controle da pandemia, evidenciada na incapacidade gerencial e subordinação ideológica dos militares que estão à frente dos postos estratégicos do governo e do Ministério da Saúde, além dos governadores dos Estados, que também nada fizeram além de propaganda com relação à crise sanitária, está fazendo com que o Brasil, apesar de ter somente 2,7% da população do planeta, responda por mais de 10% das mortes provocadas pela Covid-19. E a tendência dos últimos dias é de aumento das mortes, com situações de tragédia humana como a que ocorre em Manaus e em diversos outros cantos do país, como o Estado de São Paulo de João Doria, o mais rico do Brasil e onde a pandemia fez o maior número de vítimas, evidenciando um total descontrole da crise.

Essa situação de aumento dos casos de Covid-19 e aumento da miséria vai conviver com aumento do desemprego, já recorde na história recente, e queda nos indicadores econômicos.

As notícias sobre o coronavírus da imprensa capitalista dão conta de um aumento constante no número de mortos e infectados pela doença, caracterizando o que aparenta ser uma nova onda da pandemia. Tudo isso é, naturalmente, muito questionável, visto que nada foi feito para combater a doença em nenhum momento, tendo a diminuição dos casos na imprensa coincidido com o período eleitoral, quando todos se aglomeraram para fazer suas campanhas. Ainda assim, não se deve deixar de notar que a situação tem se agravado no último período.

No entanto, o ministro da Economia continua afirmando que não irá renovar o auxílio emergencial e que também não tem nenhum outro programa de incentivo à atividade econômica em pauta.

Para o economista Otto Nogami, da Faculdade Insper, este ano será igual ao anterior, com a questão sanitária pautando a economia. Para ele, “o governo foi precipitado ao extinguir o auxílio emergencial sem levar em consideração o risco de nova onda da doença, nem adotar medidas alternativas para promover a geração de emprego. (…) Agora, segundo ele, uma solução para garantir o crescimento seria uma política fiscal expansionista, com redução da carga tributária e investimentos públicos em obras”.

Sabemos, no entanto que não é só isso. O governo golpista agrava as consequências da pandemia. Com sua política de contenção de gastos e investimentos e com sua política de privatização de tudo acaba sufocando a economia como um todo. Para privatizar a Caixa Econômica e o Banco do Brasil, a estratégia do governo é fazer o mesmo que estão fazendo com a Petrobras, estão reduzindo o número de agências, criando o caos e a ineficiência, demitindo funcionários e implantando programas de demissão voluntária. A estratégia de deixar a economia sem respirar está dando certo.

O desemprego aumenta rapidamente e empresas fogem do país, como aconteceu recentemente com a Mercedes-Benz e a Ford, que fecharam suas fábricas e colocaram milhares de trabalhadores no olho da rua. Só o fechamento da Ford irá provocar a demissão de 50 mil trabalhadores em toda a cadeia de produção. A resposta dos trabalhadores deveria ser a tomada das fábricas pelos próprios trabalhadores. Esta questão está em pauta na Central Única dos Trabalhadores, mas ainda de forma tímida e buscando alternativas subordinadas ao capital. Os sindicatos ainda alimentam ilusões nos trabalhadores que é possível que empresas da Índia, da China e da Coreia do Sul poderão se instalar no país e recontratarão os operários que foram demitidos.

O desespero dos trabalhadores que perderam seus empregos ainda não se transformou em ação política, já que não é sempre automática a transformação de uma situação de miséria, fome, desespero e medo em uma ação política de revolta e de tomada de posição independente e transformadora. Para que isso ocorra, é necessário que as direções dos movimentos e sindicatos se coloquem em movimento e mobilizem os trabalhadores. É preciso que os sindicatos abram as portas e voltem às atividades novamente, saiam da política de “férias” adotada durante a pandemia. Caso contrário, a direita irá continuar fazendo seus ataques sem nenhuma reação.

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