Cinema nacional
“Todos os Mortos” trata sobre a epoca imediatamente após a abolição da escravidão no Brasil, especificamente em São Paulo no ano de 1899
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
xtodososmortos2.jpg.pagespeed.ic.lK8Av81wm3
Cena do filme "Todos os Mortos", | Foto: Reprodução

Concorre ao Urso de Ouro, no Festival de Berlim, o filme brasileiro “Todos os Mortos”, dirigido e escrito por Caetano Gotardo e Marco Dutra, e distribuído pela Vitrine Filmes. O filme trata sobre a época imediatamente após a abolição da escravidão no Brasil, especificamente em São Paulo no ano de 1899. A premissa do filme de terror é a de exploração das mudanças sociais na sociedade escravagista brasileira da época que se sucedeu à da abolição, seguindo então, entre outras tramas, a vida de uma família latifundiária branca e rica, que são os Soares, e simultaneamente, a da familia de uma ex-escrava, os Nascimento, que servia esses latifundiários.

Passados 11 anos da assinatura da Lei Áurea, a trama esboça um panorama da sociedade republicana em construção no Brasil, tão marcada pelas chagas da escravidão. E com o foco nas mulheres dos clãs, protagonistas da obra. “Elas vivem numa espécie de confinamento não só físico, ambas presas ao passado, numa cidade que surge e se prepara para o progresso” diz Marco Dutra, um dos diretores. O outro diretor, Caetano Gotardo, completa: “A gente fez o filme pensando na necessidade de entender a realidade brasileira, a forma como lidamos com o outro. É importante refletir que as relações de classe e raça desenhadas naquela fase da nossa história repercutem bastante no nosso panorama atual”.

O progresso seria o desenvolvimento capitalista da cidade de São Paulo e o desmoronamento de uma classe de ricos latifundiários que sobreviviam dos ciclos econômicos Brasileiros devido à sua incapacidade de se adaptar ao novo cenário econômico e social, afinal, a partir do momento que se estabelece um regime democrático burguês, todos são iguais perante a lei, mais as realidades econômicas segregam mesmo assim. A violência natural veiculada pela segregação de classes sociais representa o terror concreto da vida do ex-escravo brasileiro que o filme busca explorar. Além de sua contribuição à compreensão geral da questão do negro no Brasil no momento atual.

Além de “Todos os Mortos”, outros 3 filmes também foram selecionados para outras mostras internacionais, como “Meu nome é Bagdá”, Cidade Pássaro” e “Apiyemiyekî”. Vale a pena lembra do total descaso com o investimento na cultura brasileira, em especial o cinema, que neste ano viu um ataque rancoroso com o fechamento da Escola de Cinema Darcy Ribeiro no Rio de Janeiro e com o abandono da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, que corre risco de incêndio, inclusive. Mesmo com a politica de sucateamento da cultura brasileira, é possível ver a valorização que o cinema brasileiro ganha internacionalmente. Marco Dutra, um dos diretores, reitera: “O importante é continuarmos nos inspirando para garantir nosso espaço nestes festivais e nosso ritmo de produção”

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas