Paternidade negada
Editorial do Estadão busca negar responsabilidade pelo filho bastardo produzido pela campanha golpista e revela desespero da burguesia com o desenvolvimento da luta política
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RJ - ELEIÇÕES 2018/BOLSONARO/AGULHAS NEGRAS - POLÍTICA - O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, participou da cerimônia de     entrega de espadins a cadetes em formatura na Academia Militar das Agulhas Negras, em     Resende, no sul fluminense, na manhã deste sábado (18). Bolsonaro dividiu o palanque com     autoridades do primeiro escalão do governo de Michel Temer, como o ministro da Defesa,     general Joaquim Silva e Luna, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio     Westhphalen Etchgoyen, a ministra da Advocacia-Geral da União, Grace Mendonça, e a     procuradora-geral da República, Raquel Dodge.     18/08/2018 - Foto: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO
Filho feio | Foto: Arquivo/PCO

O Estadão vem fazendo um esforço imensurável para endireitar o golpista presidente Jair Bolsonaro. Filho bastardo da tresloucada campanha direitista para derrubar o PT, Bolsonaro conseguiu sua ascensão profissional justamente durante a agitação produzida pela burguesia, da qual o Estadão foi um dos mais destacados propagandistas.

Só por isso, o editorial do jornal publicado no último 26 de maio, comparando golpeado a golpista, parece um malabarismo retórico digno de doidos afligidos por uma esquizofrenia severa. Contudo, há mais questões a serem consideradas. Lula, é importante lembrar, não é presidente do Brasil há quase 10 anos, não tem defendido posições aberrantes e tampouco fez piadas de gosto duvidoso com o drama vivido pela população pobre em função da política golpista empreendida pelo regime.

O uso de uma única declaração de Lula para equiparar o petista a Bolsonaro é uma tentativa cínica do órgão de propaganda da burguesia para tentar frear a polarização política desencadeada pelo desenvolvimento da luta de classes no Brasil. Nesse sentido, existe um método na loucura do Estadão, que faz do editorial uma grande peça de propaganda política, ainda que francamente cínica. A tática é justamente defender o centro político, dominado pela direita tradicional, de modo a colocar o bolsonarismo sob controle do centro. A dificuldade encontrada pelo centro é como fazer isto sem fortalecer a esquerda.

Bolsonaro e Lula só podem coexistir como pares em uma relação dialética. Tanto um como o outro personificam o desenvolvimento da luta de classes mas enquanto Bolsonaro foi o que estava disponível, Lula é a principal liderança dos trabalhadores desde o fim da Ditadura Militar. A despeito mesmo da vontade pessoal, é em torno de Lula que se dá a radicalização da população contra o projeto político da direita, que enxerga no petista a liderança dedicada a atender os interesses populares, cada vez mais ameaçados pela política golpista. O desenvolvimento da crise acentua, assim, os acirramentos entre a burguesia os trabalhadores, tornando Lula um problema ainda maior para a direita na medida.

Sendo o próprio Estadão um dos protagonistas da agitação golpista destinada a por fim ao governo da presidenta Dilma Rousseff e em defesa da prisão de Lula, o jornal sim tem uma relação parental com o monstro a quem hoje nega a paternidade, comportando-se como o famoso pai que “foi comprar cigarros”. A tentativa de equiparar Lula a Bolsonaro por representarem polos políticos acaba sendo emblemático do desespero que acomete a burguesia, incapaz de colocar Bolsonaro na linha, de refrear as extravagâncias escatológicas do ex deputado do Centrão e de controlar o cenário político, que se encaminha para um desenvolvimento imprevisível.

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