Filha de Allende ataca Maduro: chavismo está há 20 anos no poder justamente porque não seguiu o exemplo do Chile
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Filha de Allende ataca Maduro: chavismo está há 20 anos no poder justamente porque não seguiu o exemplo do Chile
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A derrubada do governo Maduro se tornou uma das maiores prioridades do imperialismo. A destruição do chavismo, fortemente ancorado em setores da burguesia nacional venezuelana e na classe operária, é uma necessidade vital para que os capitalistas consigam saquear por completo a Venezuela.

Mesmo depois de inúmeras tentativas – incluindo os atentados contra a vida de Maduro -, o imperialismo ainda não conseguiu derrubar o governo venezuelano. No entanto, a pressão para que a direita internacional e setores da esquerda pequeno-burguesa em vários países apoiem a ofensiva imperialista é cada vez maior.

Nessa semana, Isabel Allende, atual senadora do Chile e filha de Salvador Allende, deu uma entrevista atacando o governo Maduro. “Não há comparação possível entre o que foi o presidente Allende e o que é Nicolás Maduro”, disse Isabel Allende ao jornal La Tercera.

De fato, o governo de Maduro e o governo de Salvador Allende possuem várias diferenças; no entanto, há algo fundamental em comum entre eles: ambos se tornaram inimigos do imperialismo. E, para a luta política da classe operária mundial e para a esquerda de maneira geral, isso é o que mais importa.

Para Isabel Allende, o governo Maduro é uma ditadura que “não respeita as leis”. No entanto, além de reproduzir exatamente o discurso da burguesia internacional, a senadora chilena não apresenta qualquer fato que comprove sua tese.

O argumento de que os chavistas não seguem “as leis” é uma típica campanha pró-imperialista. Na verdade, o governo Maduro é muito mais democrático do que qualquer outro governo na América Latina – enquanto o governo brasileiro está desmontando uma das maiores petroleiras do mundo para entregar o petróleo nacional aos capitalistas internacionais e massacrar a população, na Venezuela, o direito de ir e vir é garantido com o preço baixo do combustível.

Quem não segue absolutamente lei alguma ou qualquer princípio democrático é a direita venezuelana. Mesmo após eleições democráticas para a Presidência da República e para a Assembleia Constituinte, Juan Guaidó, a mando dos Estados Unidos, está conspirando abertamente contra o governo eleito.

Parte da campanha de Isabel Allende contra Maduro se baseia numa comparação com o seu pai – que seria extremamente “democrático”. Segundo ela, Allende “respeitou a Constituição e as leis. Em seu governo funcionavam os Tribunais de Justiça, a mídia, nunca houve preso político”. Em outro momento, a senadora complementa: “meu pai era um homem de uma trajetória democrática impecável. Ele sempre foi democraticamente eleito em eleições, deputado e presidente da República. Foi uma vida inteira dedicada à atividade política, às instituições democráticas, à expansão das liberdades, à preocupação com pessoas com menos recursos”.

O “respeito às leis” praticado por Salvador Allende não deve ser motivo de orgulho para a esquerda chilena, tampouco deve ser considerado como uma característica que o torne superior a Maduro. Allende não possuía princípios democráticos mais sólidos que o atual presidente chileno – na verdade, o que aparece como “democrático” foi uma capitulação diante da ofensiva da direita. Allende não quis armar a população e a extrema-direita acabou derrubando seu governo.